Tirando a máscara de “Yes, no or maybe?”

Por Williams Gomes em

Shinshokan / Lesprit / Divulgação

Março deixou muitas novidades a serem lembradas, algumas boas outras nem tanto, e no campo dos anime isso não poderia ser diferente. Um dos títulos que fez parte das últimas aquisições do catálogo da plataforma de streaming Crunchyroll neste mês, foi o tão citado filme BL (Boys Love) “Yes, no or maybe?”, que teve sua adaptação do mangá para as telas orquestrada pelo estúdio Lesprit. Mas será que vale mesmo a pena assistir ao filme? Analisamos a produção e agora diremos (sem spoilers) qual das três opções no título da obra mais se encaixa para essa resposta.

Falando basicamente sobre um romance entre dois rapazes, Yes, no or maybe? conta a história de Kei Kunieda um jovem apresentador que apesar de muito amável com todos ao seu redor, supre, secretamente, um ódio social com todos que cruzam seu caminho e tornam os seus dias mais difíceis. No entanto, o jovem entra em conflito com esses dois lados de sua personalidade, a partir de seu contato com o designer Ushio Tsuzuki.

Tendo isso em vista, observamos aqui, mais uma história com a tão clichê abordagem de contraste entre a tão polida e formal educação oriental e a dissimulação e maledicência   em destruir alguém pelas costas, ainda que penas para si mesmo. Obviamente o filme, para não levantar tanta seriedade a respeito disso, tenta trazer esse tipo de abordagem de forma bem humorada com a inserção do subconsciente de um dos protagonistas em um traço diferente do resto da produção. O objetivo é ligeiramente conquistado, mas apesar das tentativas está longe de ser um recurso que te roube gargalhadas.

Quanto ao ponto de vista narrativo, o filme não emplaca tanto, uma vez que a trama abusa de sua licença poética para criar situações que fogem extremamente de uma resolução realista. Afinal, quem em sã consciência pode, por exemplo, evitar de atropelar uma pessoa, lesionar o próprio pulso no processo, ser ofendido pela mesma pessoa e ainda convidar esse alguém para jantar na sua própria casa sem nem sequer ver o rosto do desconhecido? Uma bela subestimada a inteligência de seu público e que mais adiante se mostra um desserviço a construção de um dos personagens tido como alguém muito observador.

Shinshokan / Lesprit / Divulgação

A história, que basicamente se detém em usar as problemáticas profissionais e pessoais de um dos protagonistas, peca – ainda que em determinados momentos, deixe a possibilidade para que isso não ocorra – em não aproveitar um personagem específico e alheio ao par central como centro antagonista da trama, o que por sua vez, restringe a história em um único núcleo a ser acompanhado e dá a impressão de já termos visto tudo.

Somados a isso, temos um plot final completamente previsível, uma ideia de que ser falso e extremamente dissimulado só lhe renderá sucesso (que pouco foi desconstruída) e a decepção em ver vários outros ganchos temáticos (como o lado ruim do ambiente jornalístico ou a solidão de um trabalho home office) serem desperdiçados quando poderiam enriquecer mais a história.

Shinshokan / Lesprit / Divulgação

Em resumo, apesar da leve comoção em seus minutos finais, durante o clímax romântico, yes, no or maybe? se mostra uma fraca e decepcionante opção de BL, que abusa da ingenuidade de seu espectador para contar uma história que em linhas reais, pouco aconteceria para quem não se enquadra em alto padrão de beleza e um toque de sorte. Uma obra mal aproveitada, que para muitos fãs do gênero que já viram mais de mil vezes a já batida questão da autodescoberta e aceitação sexual, apenas desperta a vontade de (assim com um dos protagonistas do filme) por uma máscara e seguir andando como se nem nunca tivesse visto.

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