The Detective is Already Dead começou muito bem, mas não manteve a qualidade

Por João Gabriel em

Kadokawa / ENGI / Divulgação

A Temporada de Verão acabou. Infelizmente não tivemos muitos animes impressionantes, mas, mesmo sendo uma temporada bem fraca, um dos lançamentos se destacou em relação aos demais já em seu primeiro episódio: The Detective is Already Dead.

Com produção do estúdio ENGI, o anime é a adaptação da light novel escrita por Nigojū e ilustrada por Umibōzu. Na história acompanhamos Kimihiko Kimizuka, um jovem super azarado que sempre se envolve em cenas de crime, e Siesta, a infame detetive lendária. Ambos acabam se conhecendo em um vôo de avião e Kimi se torna parceiro da detetive. Passando por diversas aventuras durante incríveis três anos, Kimi continua como um dedicado parceiro, mas a detetive já está morta.

Como disse anteriormente, o primeiro episódio se destacou em relação aos diversos lançamentos dessa temporada. Tendo duração estendida (cerca de 50 minutos), uma animação totalmente acima da média com uma história interessante e intrigante, porém, a boa qualidade tanto na história quanto na animação não durou muito e passamos a ter um anime “aceitável”.

Venha entender o motivo pelo qual acho que The Detective is Already Dead se perdeu ao longo dos episódios e passou a ser algo comum, junto da minha opinião final da obra que acompanhei semanalmente. Este texto contém spoilers.

Bem, a Temporada de Verão finalmente acabou. Não vou mentir que não achei muita coisa extraordinária, mas me interessei e acompanhei alguns animes semanalmente. Entre as obras que acompanhei, acabei me interessando bastante por The Detetive is Already Dead.

Assistindo o primeiro episódio sem saber nada da trama e sem nenhuma pretensão, não é exagero dizer que ao terminar achei que havia encontrado uma pérola no meio de diversas bijouterias. A animação estava simplesmente impecável, contornos vívidos, uma trilha sonora bacana e, principalmente, uma boa história.

Talvez realmente eu tenha me precipitado? Sim, mas adorei aquele primeiro episódio e não via a hora de poder assistir o próximo. Uma semana se passou e fui, super animado, assistir o novo episódio. Ao apertar o fatídico botão “play” acabei percebendo que cai no maior bait.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

O 1° episódio foi uma grande enganação. Foi igualzinho aos anúncios de lanchonete: fazem a propaganda de algo saboroso, encorpado e bonito, mas na verdade estão vendendo algo mixuruca que só “dá pro gosto”. É assim que eu descreveria minha sensação assistindo o restante dos episódios de The Detective is Already Dead.

Como já era de se esperar pelo título, a Siesta iria morrer. Isso não foi grande surpresa. A surpresa foi como a história decaiu sem a presença dela. Primeiro fomos a mercer de um prólogo explicando como nosso protagonista, Kimi, se encontrava na situação que seria mostrada no anime, mas a história ficou meio sem graça a partir dali.

Sem a Siesta, nossa detetive lendária, Kimi voltou a sua vida cotidiana. Na escola conhece Nagisa Natsunagi, uma jovem estudante, que deseja a ajuda da detetive lendária que já está morta (obviamente). Depois de muito pesar, Kimihiko aceita ajudar Natsunagi em seu caso, não como um detetive, mas como um simples “parceiro”.

Isso é até um pouco louvável. Não querer assumir a posição de detetive como uma forma de respeito a sua falecida amiga é algo respeitoso e bastante entendível. O problema vem logo em seguida: Nagisa descobre que o coração transplantado nela pertencia a Siesta e que era seu dever assumir o manto de detetive.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

Certo, isso me incomodou de formas absurdas. Kimi se recusa a assumir o manto de detetive, mas aceita que Nagisa (uma pessoa comum com zero de experiência na função) assumisse o manto de detetive lendária. Isso não conseguiu entrar na minha cabeça. Mesmo que tivesse aquilo dos sentimentos do antigo dono do coração serem passados aos seus novos portadores, não consegui conceber como ele aceitou isso.

Foi nesse momento que a história se perdeu, exatamente em seu 2° episódio. Depois daí, juntos resolveram um caso envolvendo um roubo de uma grande e famosa idol. Não vou mentir que me diverti um pouco nessa parte, mas podia ser muito melhor.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

Após isso a história, felizmente, volta no tempo e explora o último caso de Siesta e Kimizuka. A trama começa a melhorar um pouco, mas era a vez da boa animação ir pro ralo e desaparecer de vez do mapa.

A animação chega a decair tanto em um dos episódios que um Fusca (?) totalmente mal feito aparece ao fundo do cenário. Parece que eles pesquisaram no Google “Fusca imagem sem fundo“, pegaram a primeira coisa que apareceu e jogaram no anime. Foi algo que ficou tão grotesco e ridículo que quando vi os memes no Twitter achei que era algum tipo de montagem, mas não, o fusca estava lá… infelizmente.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a cidade onde eles estavam. Ela aparentava ser bem movimentada cheia de lojas e casas, mas não aparecia uma única alma viva na rua. Nenhuma. Isso me lembrou bastante os desenhos infantis como Patrulha Canina e PJ Masks, onde os únicos personagens que aparecem no episódio são os protagonistas. Os personagens de fundo só apareciam quando não tinham desculpa para ignorar sua presença completamente. Isso foi decepcionante.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

Tirando a questão da animação, a história consegue “melhorar” de certa forma durante esse flashback. Isso mostra que o autor só consegue manter uma boa história com a presença da Siesta, o que é um desastre iminente já que o foco do anime é a história após sua morte. Tirando ela e o Kimi, não achei nenhum dos outros personagens carismáticos e resultou na recaída da qualidade da história após o flashback.

Já que citei que as personagens não são carismáticas, gostaria de deixar a medalha de ouro nesse quesito para Charlotte Arisaka Anderson, a personagem mais chata dessa temporada (não apenas do anime). Ela mal aparece, mas quando surge só sabe reclamar. Totalmente insuportável. Fico triste sabendo que ela vai aparecer recorrentemente nesse próximo arco da história…

Só a idol que se salva no meio de tantos personagens antipáticos.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

The Detective is Already Dead começou bem, continuou mal e terminou até que… bem? Sim, achei que o final da temporada foi até interessante. O motivo? A Siesta voltou (só assim mesmo pra história se manter haha), momentaneamente, para salvar Kimi.

Nesse episódio, Siesta explicou o seu último desejo e que Nagisa, desde antes de sua morte, estava destinada a se tornar detetive. Isso me fez aceitar melhor o fato dela ser a detetive lendária, mas ainda não desceu o fato de Kimi aceitar sem saber desse crucial fato.

Também tivemos a conclusão sobre a origem de Natsunagi e como, de fato, o coração de Siesta foi transplantado nela. Assim que Nagisa aparece no segundo episódio, ela conta a triste história de sua vida. Desde criança sempre fora muito doente e vivia num quarto de hospital, mas essa história é totalmente contraditória com a que descobrirmos posteriormente.

Nagisa Natsunagi é, na verdade, uma nova personalidade que surgiu após Hel, a vilã principal, ter roubado o coração de Siesta e auto-transplantado em si mesma, mas como exatamente aquelas memórias que ouvimos inicialmente surgiram? Ela não pode ser nenhum resquício, já que não aconteceu em nenhum momento de sua antiga vida, mas também não explicam se são memórias adulteradas ou implantadas. Deixam os telespectadores “encucados” com essa questão no roteiro.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

A animação também melhorou bastante nesse último episódio. Talvez seja mais um bait pra fazer os fãs clamarem por uma nova temporada, mas não refuta o fato de que o episódio teve uma boa produção. A única coisa que tinha que melhorar eram as cenas de combates, foram meio fracas na minha opinião (diferentemente do episódio inicial).

Falando na questão de “combate”, os inimigos principais do anime não ficaram muito claros. A organização SPES desenvolve monstros mutantes através de cruéis experiências e assassinatos, mas quase não são desenvolvidos além de Hel não para manter o mistério em torno deles, parece que esqueceram totalmente de explicar mais sobre eles. Inclusive, tem alienígenas envolvidos na jogada, mas não sabemos direito já que são ignorados.

Kadokawa / ENGI / Divulgação

Como era de se esperar, no final abandonamos de vez a Siesta e a história seguirá em frente sem olhar para trás dessa vez. Como o próprio anime disse: “a história está apenas começando” e “a detetive já pode estar morta, mas seu desejo jamais morrerá”.

No geral, The Detective is Already Dead foi interessante. Admito que quase dropei, mas criei forças para seguir em frente e até me diverti. Ainda estou bem chateado pela grande falsa propaganda do que o anime seria através do primeiro episódio, mas estarei torcendo por uma 2ª temporada mesmo que, sem a Siesta, a história tenda a decair (ou não).

Foram 12 episódios no total, sendo dois deles bem interessantes e dez bem “normais” e pouco trabalhados. Os temas de abertura e encerramento não são lá essas coisas, mas deixo aqui a abertura pra você (que está lendo até aqui) escutar:

Todos os 12 episódios de The Detective is Already Dead já estão disponíveis no catálogo da Funimation, com opção de áudio original com legendas em português. Acho que vale a pena você dar conferida.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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