Reflexões, animes e ciência: da universidade ao sistema celular

Por Williams Gomes em

Reprodução.

Não sei quanto a você, querido leitor, mas com tantos dias de distanciamento social e restrições, eu já estou no nível de sentir saudades de coisas que nem gostava tanto assim. Uma dessas coisas, acredite, foi a atmosfera careta da universidade. Aaaah a universidade… aquele lugar singular aonde, além de aprender novos assuntos a respeito de algo que te chame atenção profissionalmente, proporciona também uma significativa mudança pessoal em você. Isso tudo ao longo dos semestres que parecem correr num espaço-tempo totalmente diferente do resto do mundo. E por falar em mundo, desde o início do apocalíptico ano de 2020, os olhos de todo o mundo nunca estiveram tão voltados para o mundo acadêmico e as áreas da ciência e medicina quanto agora. E mais do que isso, as pessoas nunca se autoavaliaram tanto quanto nestes últimos meses.

Conhecer o ambiente ao redor assim como o próprio corpo e os sinais de alerta que ele emite em momentos críticos, tornou-se um conteúdo essencial e que muitas pessoas buscaram, para poder reverter qualquer possível quadro negativo de saúde e suas complicações futuras. E o que esses temas tem a ver com esse artículo? Bastante coisa, se você reparar bem. Pois com a valorização do universo científico, muitas obras com esse teor acabaram embarcando nessa onda de popularidade. E com os animes não poderia ser diferente. Então caso você esteja entrando nessa vibe ou apenas queira consumir algo que fuja do seu gosto convencional, que tal dar uma olhada nestas duas (dentre tantas) opções a serem analisadas a seguir?

Moyasimon

Começando então com um anime lá de 2007, Moyasimon: Tales of Agriculture (ou em japonês, Moyashimon), nos leva ao desconhecido – ou nem tão desconhecido assim, pra quem já é da área – universo agrônomo e suas peculiaridades, bem como alguns dilemas, que em contrapartida, estão presentes na vida de qualquer aluno universitário. Aqui conhecemos Tadayasu Sawaki, um garoto aparentemente normal à primeira vista, mas que na verdade, possui a peculiar habilidade de enxergar microrganismos a olho nu. E não sendo o suficiente poder ver tais formas de vida, estas, ainda aparecem com um visual extremamente fofo, bastante diferente da forma como conhecemos. Na história de Sawaki e seu amigo Kei Yuuki, acompanhamos logo de cara, um pouco da rotina presente numa universidade, mais especificamente no curso de agricultura, e a adaptação dos personagens principais em seus primeiros dias dentro da instituição e, em seguida, num grupo de pesquisa científica.

Um ponto interessante em Moyashimon, é que, apesar de não se tratar de um objetivo principal do anime, a obra em questão, se dá ao trabalho de mostrar alguns pequenos dilemas acadêmicos que muitos/alguns universitários vivem constantemente ou experienciaram ao menos uma vez, seja uma visita em alguma moradia estudantil, um trote, algo mais grotesco como enfiar seu braço no orifício de uma vaca (sim leitor, isso acontece para alguns e é hilário), ou algo mais complexo e pessoal, como uma tentativa de descobrir sua verdadeira identidade ao se desprender de uma imagem sua construída há muito tempo. Isso tudo intercalando com a narrativa principal que nos apresenta, de uma forma um tanto quanto cômica, diversos processos naturais de fermentação e uma infinidade de bactérias fofas que nos mostram, por exemplo, como se dá a produção de saquês ou algum alimento em conserva. Meio louco, não é? mas até que é legal.

Cells at work

Ainda nesse universo microscópico, mas agora saindo do meio ambiente e indo direto para o corpo humano, temos o recente e queridinho por muitos, Cells at work (Hataraku Saibou) de 2020. E se no anime anterior, falamos sobre vários assuntos abordados de forma adjacente, aqui o foco é apenas um: apresentar o funcionamento do corpo humano a nível celular de maneira didática. Como? Antropomorfizando as células e transformando o corpo humano numa verdadeira instalação.

Não há muito o que dizer sobre Cells at Work senão que é uma ótima forma de conhecer alguns dos elementos mais básicos do nosso corpo, com um visual contextualizado, bem como suas funcionalidades e importâncias. Muito provavelmente tenha sido esse detalhe em fazer os glóbulos parecem pessoas, que tenha me lembrado o quão potente pode ser um trabalho em equipe aonde todos exercem seus papeis. Não à toa o anime levou o Prêmio de Melhor Narrativa na categoria de animação do Festival Magnolia Awards, festival de televisão de Xangai.

Seja qual for sua escolha, caro leitor, é interessante saber que tanto Moyasimon quanto Cells at work, são ótimas em mostrar como assuntos tão complexos podem ser explicados de forma tão ilustrativa, simples -tarefa essa, que por muitas vezes pode ser um desafio para muitos- e sempre com uma pontinha de humor. Sem mencionar que ambas são bem curtas de se maratonar (Moyasimon com duas temporadas e Cells at work também conta com duas e um spin-off. ambas estão disponíveis no Brasil através da Crunchyroll e Funimation.

Então fica a dica, caso o atual contexto social já tenha cansado você ao nível máximo, que tal dar uma fugida deste mundo e dar uma volta em universos microscópicos e de brinde conhecer processos tão presentes no nosso dia a dia? Nunca se sabe quando você verá algo que outrora era tão banal mas que gora se converte em um tema tão interessante.

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