Redo Of Healer impacta, mas não se sustenta

Por Williams Gomes em

TNK / Divulgação

Leitura não aconselhada para menores de 16 anos.

Quem não adora uma boa história que envolva vingança? Kill Bill, Bela Vingança, Cruella, Mortal Kombat, são apenas algumas das mais populares obras feitas nos últimos anos, aonde seus protagonistas ressurgem das cinzas em busca de sangue, poder, justiça ou tudo isso junto, para, enfim, saciar o ódio causado em algum momento de suas vidas. No que diz respeito a animes, Redo Of Healer (Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi) surgiu neste ano de 2021 para preencher essa categoria e com uma pitada de sensualidade. Mas será que a obra de fato sacia a sede de seu público e entrega uma experiência satisfatória?

Para quem não está familiarizado com a sinopse da trama, a história que mistura cenas picantes e fantasia, gira em torno de Keyarga, um curandeiro que é usado e jogado de um lado para outro por seus companheiros aventureiros e que, acreditando que os curandeiros não podem lutar por conta própria, se vê como alguém inferior a seus colegas. No entanto, ao atingir a magia de regeneração suprema e “curar” o próprio mundo, Keyaru retrocede quatro anos para refazer sua vida e se vingar de todos que o humilharam.

Kadokawa / Divulgação

Após o seu anuncio em 2019 e de um trailer somado a uma imagem promocional, divulgados no fim de 2020, a produção do estúdio TNK chegou, no início do ano de 2021, chocando muitos espectadores que (com exceção dos consumidores da novel original adaptada) não esperavam encontrar cenas tão pesadas no anime. Principalmente, se estes espectadores mais inocentes tiverem tido como referência, apenas sua vaga sinopse divulgada no primeiro anuncio. Aonde, mesmo seu conteúdo caliente, poderia facilmente passar despercebido.

Redo Of Healer passa longe de ser uma produção inovadora e que dita tendências após seu lançamento. Para ser mais preciso, a obra cujo a direção ficou a cargo de Takuya Asaoka apresenta um resultado que pode ser definido por muitos fãs do gênero como um anime quente mediano, mesmo que em sua produção estejam nomes de peso como o Kazuyuki Fudeyasu (Girls’ Last Tour; That Time I Got Reincarnated as a Slime; Sailor Moon Eternal Movie 1 e 2; e Bleach) assinando o roteiro da animação e Masaki Tsuchiya como diretor de som.

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Logo em seu primeiro episódio, somos apresentados a uma história que, sem muitas voltas, já nos leva ao seu evento principal, aonde a maioria dos personagens são revelados e logo conhecemos a motivação de nosso protagonista e para onde a narrativa central será encaminhada. Não que seja um problema a adoção desse tipo de técnica narrativa, mas espera-se que seu uso deve ser feito com muito cuidado, uma vez que todas as cartas estarão na mesa e a história possa correr o risco de tornar-se algo previsível e maçante. Armadilhas estas que Redo of healer cai como um patinho. Isso porque, a partir do momento em que sabemos para onde a história caminhará, tudo o que vemos são brutais planos de vingança que se desenvolvem sem a menor complicação, caracterizando assim, problemáticas simples de se lidar (tendo em vista o perfil de seu protagonista) e que geram consequências em sua história que poderiam ser evitadas facilmente. Com isso, em pouco tempo temos uma história morna, aonde as adversidades apresentadas ao longo da jornada de Keyaru já nem parecem tão terríveis assim. Sem mencionar ainda, alguns acontecimentos em sua narrativa, como pactos mágicos, que não são muito bem explicados e que acabam se tornando conveniências do roteiro para fazer com que seu protagonista obtenha determinada vantagem.

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E por falar no protagonista da história, Keyaru é praticamente o único personagem que recebe um desenvolvimento mais aprofundado durante o anime. Desde o início mergulhamos em seu passado e nas razões pelas quais dão ao jovem a sua diabólica sede de vingança contra seus antigos “companheiros” de batalha e que fazem dele um protagonista sádico e egocêntrico, mas que ainda assim pode ser capaz de criar laços com outras pessoas. Um privilegio narrativo que outros personagens não ganham ou, quando recebem, são privados de aproveitar por uma morte ou alguma magia do protagonista, para dar lugar a uma serva apaixonada e desinteressante. Uma decepção, visto que, dentre tantos personagens naturalmente maléficos (e principalmente uma apresentada como estrategista), o grande potencial para fazer frente as maldades de keyaru e prender o público em sua história, é simplesmente desprezado.

Quanto ao visual, Junji Goto (High School DxD) entrega em seu design de personagens, o que seria esperado de uma obra do gênero, mas que também rende curiosidade em relação ao universo fantástico aonde a história se passa e seus seres de natureza mágica. Masatoshi Kai, responsável pela direção de artes, também surge com um trabalho final coerente, entregando frames bem trabalhados e que, em seu resultado final, mesclam muito bem com seus efeitos 3d modestos. Um trabalho regular, bem como o restante das outras áreas de produção, que estão sob os cuidados do estúdio TNK, experiente neste tipo de gênero de animes.

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A trilha sonora empolga em sua abertura, na voz de Minami Kuribayashi, e com seu elenco de dubladores que conseguem transmitir bastante veracidade em suas falas. Mas certamente, faz toda a diferença em suas cenas mais pesadas, com efeitos sonoros precisos, que introduzem o público em seus contextos mais carnais e violentos.

De forma geral, Redo of healer surge como uma produção bastante eficaz na hora entregar cenas que abusam de tortura, violência e intimidades. No entanto, caso o espectador queira buscar por profundidade em seu elenco e uma história com altos e baixos, que cative do início ao fim, o anime será para seu público uma baita decepção de se acompanhar.

Redo Of Healer (Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi) possui duas versões (censurada e sem censura) de 12 episódios e até o fechamento deste artigo, encontra-se indisponível nos serviços de streaming brasileiros.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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