Análise | Redo Of Healer | Anime impacta, mas não se sustenta

TNK / Divulgação

Leitura não aconselhada para menores de 16 anos.

Quem não adora uma boa história que envolva vingança? Kill Bill, Bela Vingança, Cruella, Mortal Kombat, são apenas algumas das mais populares obras feitas nos últimos anos, aonde seus protagonistas ressurgem das cinzas em busca de sangue, poder, justiça ou tudo isso junto, para, enfim, saciar o ódio causado em algum momento de suas vidas. No que diz respeito a animes, Redo Of Healer (Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi) surgiu neste ano de 2021 para preencher essa categoria e com uma pitada de sensualidade. Mas será que a obra de fato sacia a sede de seu público e entrega uma experiência satisfatória?

Para quem não está familiarizado com a sinopse da trama, a história que mistura cenas picantes e fantasia, gira em torno de Keyarga, um curandeiro que é usado e jogado de um lado para outro por seus companheiros aventureiros e que, acreditando que os curandeiros não podem lutar por conta própria, se vê como alguém inferior a seus colegas. No entanto, ao atingir a magia de regeneração suprema e “curar” o próprio mundo, Keyaru retrocede quatro anos para refazer sua vida e se vingar de todos que o humilharam.

Kadokawa / Divulgação

Após o seu anuncio em 2019 e de um trailer somado a uma imagem promocional, divulgados no fim de 2020, a produção do estúdio TNK chegou, no início do ano de 2021, chocando muitos espectadores que (com exceção dos consumidores da novel original adaptada) não esperavam encontrar cenas tão pesadas no anime. Principalmente, se estes espectadores mais inocentes tiverem tido como referência, apenas sua vaga sinopse divulgada no primeiro anuncio. Aonde, mesmo seu conteúdo caliente, poderia facilmente passar despercebido.

Redo Of Healer passa longe de ser uma produção inovadora e que dita tendências após seu lançamento. Para ser mais preciso, a obra cujo a direção ficou a cargo de Takuya Asaoka apresenta um resultado que pode ser definido por muitos fãs do gênero como um anime quente mediano, mesmo que em sua produção estejam nomes de peso como o Kazuyuki Fudeyasu (Girls’ Last Tour; That Time I Got Reincarnated as a Slime; Sailor Moon Eternal Movie 1 e 2; e Bleach) assinando o roteiro da animação e Masaki Tsuchiya como diretor de som.

Reprodução

Logo em seu primeiro episódio, somos apresentados a uma história que, sem muitas voltas, já nos leva ao seu evento principal, aonde a maioria dos personagens são revelados e logo conhecemos a motivação de nosso protagonista e para onde a narrativa central será encaminhada. Não que seja um problema a adoção desse tipo de técnica narrativa, mas espera-se que seu uso deve ser feito com muito cuidado, uma vez que todas as cartas estarão na mesa e a história possa correr o risco de tornar-se algo previsível e maçante. Armadilhas estas que Redo of healer cai como um patinho. Isso porque, a partir do momento em que sabemos para onde a história caminhará, tudo o que vemos são brutais planos de vingança que se desenvolvem sem a menor complicação, caracterizando assim, problemáticas simples de se lidar (tendo em vista o perfil de seu protagonista) e que geram consequências em sua história que poderiam ser evitadas facilmente. Com isso, em pouco tempo temos uma história morna, aonde as adversidades apresentadas ao longo da jornada de Keyaru já nem parecem tão terríveis assim. Sem mencionar ainda, alguns acontecimentos em sua narrativa, como pactos mágicos, que não são muito bem explicados e que acabam se tornando conveniências do roteiro para fazer com que seu protagonista obtenha determinada vantagem.

Reprodução

E por falar no protagonista da história, Keyaru é praticamente o único personagem que recebe um desenvolvimento mais aprofundado durante o anime. Desde o início mergulhamos em seu passado e nas razões pelas quais dão ao jovem a sua diabólica sede de vingança contra seus antigos “companheiros” de batalha e que fazem dele um protagonista sádico e egocêntrico, mas que ainda assim pode ser capaz de criar laços com outras pessoas. Um privilegio narrativo que outros personagens não ganham ou, quando recebem, são privados de aproveitar por uma morte ou alguma magia do protagonista, para dar lugar a uma serva apaixonada e desinteressante. Uma decepção, visto que, dentre tantos personagens naturalmente maléficos (e principalmente uma apresentada como estrategista), o grande potencial para fazer frente as maldades de keyaru e prender o público em sua história, é simplesmente desprezado.

Quanto ao visual, Junji Goto (High School DxD) entrega em seu design de personagens, o que seria esperado de uma obra do gênero, mas que também rende curiosidade em relação ao universo fantástico aonde a história se passa e seus seres de natureza mágica. Masatoshi Kai, responsável pela direção de artes, também surge com um trabalho final coerente, entregando frames bem trabalhados e que, em seu resultado final, mesclam muito bem com seus efeitos 3d modestos. Um trabalho regular, bem como o restante das outras áreas de produção, que estão sob os cuidados do estúdio TNK, experiente neste tipo de gênero de animes.

Reprodução

A trilha sonora empolga em sua abertura, na voz de Minami Kuribayashi, e com seu elenco de dubladores que conseguem transmitir bastante veracidade em suas falas. Mas certamente, faz toda a diferença em suas cenas mais pesadas, com efeitos sonoros precisos, que introduzem o público em seus contextos mais carnais e violentos.

De forma geral, Redo of healer surge como uma produção bastante eficaz na hora entregar cenas que abusam de tortura, violência e intimidades. No entanto, caso o espectador queira buscar por profundidade em seu elenco e uma história com altos e baixos, que cative do início ao fim, o anime será para seu público uma baita decepção de se acompanhar.

Redo Of Healer (Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi) possui duas versões (censurada e sem censura) de 12 episódios e até o fechamento deste artigo, encontra-se indisponível nos serviços de streaming brasileiros.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*

14 respostas para “Análise | Redo Of Healer | Anime impacta, mas não se sustenta”

  1. Squall disse:

    Não fui atrás pra ler o mangá, mas, e digo isso só com base no anime, acho que essa é uma obra que tinha um grande potencial, mas que o Autor preferiu deixar de lado pra fazer algo mais fácil de se escrever, bem no estilo fanfic de fundo de quintal.
    O protagonista busca vingança o tempo todo, mas ele claramente chega ao ponto de começar a procurar motivo em qualquer coisinha pra justificar a vingança dele, e isso é uma coisa que poderia ser muito explorada pra enriquecer a obra, trabalhando com a questão da corrupção do poder, já que ele sofreu na vida passada nas mãos de quem tinha poder e na nova oportunidade que teve ele prefere fazer igual ou pior, mesmo tendo várias oportunidade de melhorar tudo e acabar com aquele ciclo de exploração que é mostrado.
    Pra mim o protagonista dessa obra poderia ter um arco de ascensão e queda no mesmo nível do Light Yagami do Death Note (sei que é meio exagerado, mas se parar pra pensar vai ver que seria bem possível se o Autor se esforçasse um pouco).
    Mas, pelo visto o Autor preferiu só focar na parte da vingança (e do s€xo) e deixar por isso mesmo, sem desenvolver mais nada nos personagens, já que isso deve ser mais fácil e vender mais rápido. Se era pra fazer isso, seria mais fácil se ele tivesse feito um h-mangá de uma vez.

  2. Allan Martins disse:

    Em outras palavras pra resumir esse textao, não vai rolar segunda temporada né?

    • fundashi666 disse:

      Vai rolar sim, o anime foi um sucesso no Japão e na china

    • matheus bom de bolo disse:

      Vai sim amigo, o público ocidental ainda e um extra no mercado de animes o que importa msm e o japonês e o chines onde o anime emplacou então as chances são altas pra segunda temporada

      • Allan Martins disse:

        Como mano? Primeiro que os japoneses tão cagando pro público fora do Japão, segundo que Redo of a Healer não está disponível em nenhuma plataforma de streaming, o que resultou no consumo da mídia pirata, que apesar de divulgar bastante, não gera lucro pris caras, então meio que a gente assistir ou não tanto faz como tanto fez.

  3. fundashi666 disse:

    O que importa é que o anime foi um sucesso no Japão e na china

  4. Coragem disse:

    Assisti o anime e gostei ele não fica presa em padrões estabelecidos em animes parecidos a primeira vista, que nem One Punch foge dos cliches de shonen de vários episódios de treinamento
    O Saitama já é [email protected] e pronto derruta tudo com 1 soco, dava pros episódios terem só 5min, ainda assim com todo esse poder os episódios tem desenvolvimento

    Redo, soma pontos em originalidade e as pessoas tem que entender que nem todos animes são pra eles, em vez de reclamar é só não assistir como o [email protected]#chi em Fire Force
    Ou Meliodas e Elizabeth em Nanatsu

  5. Edenilson Pontes disse:

    Assisti só pra ficar por dentro da polêmica, me pareceu mais um [email protected]#ai do que um anime com vingança. Não é o tipo de anime que eu gosto, achei fraco, mas talvez eu continue só pra ver até onde isso vai kkkk

  6. Lisa Su ✪ disse:

    Gostei do anime esperando a segunda temp.

  7. Aratakyun disse:

    Olha, concordo que a história no anime não foi muito bem explorada, na novel não só é mais pesado como a história também é 10 vezes melhor. Não só se aprofunda nas histórias passadas da princesa como também da candidata à Lorde Demônio e se aprofunda muito bem.

    Então vocês que estão jogando toda a culpa no Autor, saibam que estão mirando na pessoa errada. O Diretor provavelmente não levou muito a sério o projeto e como recebeu uma boa grana, optou por levar o anime ao sucesso usando os desejos carnais dos espectadores como base, o que deu certo.

    E tem mais, a história na novel só melhora em questão de desenvolvimento e nem todos os alvos de vingança são fáceis de se derrotar como você disse. A vingança contra um certo alguém que Keyaru mais odeia literalmente resultou em uma GUERRA NACIONAL e as estratégias são realmente bem elaboradas.

    Quanto ao que disse em relação as conveniências do enredo ao protagonista, novamente direciono essa culpa ao Diretor. Na Light Novel, Keyaru explica bem em detalhes como a [Cura] dele pode matar as pessoas e explica também as vantagens e desvantagens de suas magias convenientes.

    Eu, pessoalmente, gostei da obra e como sou uma pessoa bem vingativa também não desgostei do anime, mas se comparado com a Novel, poderia ser muito melhor e gerar mais fãs através de uma história séria e não por pré-pornografia.

    Lembrem-se, o Autor não é o Diretor do anime. Eles são pessoas diferentes.

  8. Joe de Lima disse:

    Um lixo que só agrada quem tem tesão em ver mulheres sendo torturadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.