Análise: Injustice: Gods Among Us é uma injustiça à história original

Reprodução.

Disponível desde ontem (21) oficialmente nas plataformas de compra digitais, o aguardado longa animado de Injustice: Gods Among Us (Injustiça: Deuses Entre Nós) chegou ao público brasileiro.

Com a ousada proposta de ser uma adaptação do famosíssimo jogo da desenvolvedora NetherRealm em parceria com a Warner Bros. Games em 2013 e das HQs, os fãs ficaram extremamente apreensivos se esta seria uma produção digna da incrível, emocionante e muito bem desenvolvida história original. Infelizmente, não foi esse o caso.

Com uma adaptação porca que não carrega (quase) nada da essência de Injustice, o filme falha miseravelmente em recontar a consagrada história aos fãs e também em apresentá-la a um novo público.

Esse texto não contém spoilers!

Antes de tudo, uma rápida sinopse: Coringa viaja até Metrópoles para poder brincar com o Superman, já que está cansado de sempre perder para o Batman em Gotham. Ao chegar na cidade, sequestra Louis Lane (que carrega um filho de Clark Kent), utiliza do gás do Espantalho para induzir Superman a matá-la com as próprias mãos e destroi Metrópoles. Movido pelo ódio, Superman assassina Coringa e tenta dar início a um estado de paz total no mundo, sem se importar com os meios.

Como um fã de longa data dos jogos (não tanto das HQs por não ter lido muito) de Injustice desde a época do Xbox 360, admito que estava com muitas expectativas em cima dessa animação. Além de, obviamente, promover a franquia, o filme tinha a oportunidade de apresentar a vasta e emocionante história para aqueles que nunca tiveram contato.

Infelizmente, Injustice prometeu mais do que era capaz de cumprir. A proposta de adaptar o jogo original e as HQs em apenas 1h20m era uma tarefa impossível. Para terem uma noção, o jogo possui quase duas horas de cutscenes. Logo, já estava claro que adaptar tudo em um filme único seria inviável. O ideal seria uma animação em duas partes. Mas como não foi o caso, mudanças foram feitas. E olha, não foram poucas.

Warner Bros. / Divulgação

Em seus primeiros 20 minutos, o longa adapta até que fielmente todos os acontecimentos até a fatídica morte do Coringa (mostrados apenas na HQ prequel do game). Em seu tempo restante, adaptam a HQ subsequente na cronologia da franquia: Injustice: Year One. No fim, nenhum acontecimento do jogo foi adaptado.

Isso não é necessariamente um problema, caso o material presente fosse desenvolvido de forma aceitável. Como já deve presumir, não foi o que aconteceu. Pegando apenas a base da história e alguns acontecimentos principais, o longa animado distorce a essência da obra.

Injustice: Gods Among Us possui uma história incrível e sensacional, onde cada personagem presente era muito bem desenvolvido. Contudo, além de desenvolver o enredo porcamente, o longa foca apenas em certos personagens, ignora uns, adiciona outros, não os desenvolve e tira acontecimentos do meio do nada. Uma bagunça completa.

Warner Bros. / Divulgação

O pior e mais decepcionante, com toda certeza, é o final totalmente original (um dos acontecimentos tirados do nada) que, além de ignorar a existência da história subsequente (que seria a do jogo), possui uma luta deprimente que distoa completamente da finalização original, principalmente na personalidade de Superman.

Com esse final original, é excluido a possibilidade de uma sequência adaptando os eventos principais da história (o game, nesse caso). Os fãs não poderam ver o enredo sobre multiversos, o grande império do Superman e seu icônico símbolo, além de diversas lutas como: Lanterna Verde vs. Lanterna Amarelo, Coringa vs. Arlequina e (o épico) Superman vs. Superman (não a cópia barata do filme), sem antes um remake.

Entrando em quesitos técnicos, não achei a animação, que muitos estavam criticando, tão ruim assim. Ficou até muito bacana. Não posso falar pelo original, mas a dublagem em português também estava ótima. Meus parabéns ao estúdio CineVideo, ao diretor e a todo o elenco.

Se você era fã e queria service, veio ao lugar errado.

Warner Bros. / Divulgação

Caso nunca tenha tido contato com a franquia anteriormente, recomendo ir atrás das HQs ou dos próprios jogos, mas, caso não seja possível, o filme pode até te “entreter”. Se já teve contato, peço que passe longe ou assista (quem sou eu pra te impedir) por sua conta e risco.

Injustice: Gods Among Us está disponível para compra nas principais plataformas digitais pelo preço de R$39,90 e também estará disponível para aluguel a partir de 4 de novembro e no HBO Max em 2022.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*

21 respostas para “Análise: Injustice: Gods Among Us é uma injustiça à história original”

  1. ChrysMonkeyQuest disse:

    “Se você era fã e queria service, veio ao lugar errado.”

    Acho que não tinha coisa pior a se ouvir depois de criar tanta expectativa pra ver Injustice. Eu amo de coração a franquia e estou bem ansioso por um jogo 3.

  2. fundashi666 disse:

    As animações da DC estão ficando cada vez piores, o retorno do Superman deve ter sido o último bom

  3. Ramon Dom disse:

    Honestamente, um jogo bem legal e tal. Mas injustiça é dizer que ele tem essa história complexa toda.

    Basicamente o filme limpou boa parte dos diálogos periféricos, o que sinceramente não desagrada se você não se importar tanto com uma história completamente paralela.

    A mulher-maravilha teve até mais destaque que no jogo. A Arlequina como sempre teve mais tempo do que merecia e pelo menos mostraram mais do Damian.
    Eu admito que aquele final foi viajado, mas até que faz sentido ele ter sido usado pelo ra’s al ghul (bom, a parte do Android continua sendo a pior parte).

    Mas o ponto central do erro do jogo se mantém no filme, e eles até tiveram coragem de escancarar isso (não denunciando, é claro).
    A ideologia do Batman é retardada e pronto. O coringa deveria ter sido eliminado há tempos. Claro, eles teriam que fazer o roteiro chegar a um ponto que só por o Superman ter dado cabo do Joker, ele viraria um lunático sem nem ao menos. Isso acontece em ambas as mídias.
    Tudo tentativa de confirmar a ideologia do Batman, mesmo que tenha que criar uma situação absurda pra isso.

    • Alberto Junior disse:

      nao sabe da um comentario critica sem da spoiler?

      • Ramon Dom disse:

        Começou a usar a internet agora?
        Se não quer spoiler é só ir lá assistir o mais rápido possível antes que alguém te fale.
        Achou o quê? Que ninguém em uma seção inteira de comentários ia falar nada a respeito da trama?

    • Mateus paixao disse:

      Tu não entendeu entendeu o motivo é não [email protected] o coringa, por isso chata de lunática.
      É a mesma ideia permitir k devido processo legal aos criminosos na nossa realidade.

      • Ramon Dom disse:

        Não tô discutindo devido processo legal aqui. Sim atitudes individuais de personagens fictícios, e repito, ele deveria sim ter sido eliminado há mais tempo se não fosse o papai batman

    • Daniel Coelho disse:

      Concordo. Os princípios dogmáticos do Batman se mantém apenas pelo ego e arrogância dele, pois na prática, se provaram ineficientes e mais maléficos às pessoas. Tema semelhante foi abordado na série O Legado de Júpiter, cancelada pela Netflix.

  4. Mauliciu ^^ disse:

    Estou meio suspeito ao que senti em relação à adaptação. Talvez, por ser uma história tão batida não dê animo revê-la com este tipo animação. Entretanto, ainda acho, que funcionaria melhor como uma série semanal, visto que a história do Injustice é tão extensa.

    (se tem uma coisa q eu adoro é essa mulher maravilha musculosa e machuda kkkk)

  5. Juarez Joestar disse:

    Tipo Neverland, mudaram tudo.

  6. Jardel disse:

    Uma pena, até a DC têm os seus vacilos com as animações, embora sejam raras.

  7. Guilherme Gomes disse:

    Eu achei o filme no máximo Ok, os primeiros minutos são realmente os melhores, mas o filme começa a se perder no meio, adaptando eventos de diferentes anos e arcos das HQs, e ainda coloca o Amazo(acho que nem nas HQs ele estava…) Do nada no final do filme. Ou seja: é um filme meio perdido, mas não o considero péssimo.
    Algumas coisas funcionaram, como a morte de Lois, Superman tentando impor paz no mundo, os primeiros acontecimentos do Ano um funcionam, além da relação do Dick e Damian até que foi bem trabalhada. (A morte do Asa continua ridícula…)
    Mas, como eu disse, eles se perdem já na essência da coisa, como por exemplo o Superman se aliando ao avô do Daminan, o que é BEM estranho cronologicamente falando, já que ele nas HQs se alia a vilões muito tempo depois. Na verdade, existem alguns furos de roteiro( ou falta de lógica) preocupantes, pois o filme tenta mesclar algo que levou ANOS para ser feito. Por isso o resultado é tão estranho. Isso sem falar no final que, sinceramente, é o pior possível. Seria melhor até se o Superman fosse com a Lois de outro planeta pro planeta dela( já que lá não há um Superman) que seria melhor.
    Enfim, é um filme que pra quem não conhece nada desse Universo pode até ser bom, mas pra quem já o conhece pode não ser uma experiência muito agradável, apesar de ter seus bons momentos. Abs

  8. Myke Nascimento disse:

    Assisti de forma tão despretensiosa que até acabei curtindo ver “essa versão de injustice”, no mais só achei um pouco travada a animação e o leve incômodo com os designers, nada muito grave.

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