Especial Halloween: Nightmare Ned – O terror animado esquecido da Disney

Por Edmar Filho em

Reprodução.

Durante esse ano, a Disney resolveu desenterrar alguns de seus desenhos clássicos há muito tempo escondidos em seus porões, mas jamais esquecidos por quem os assistiu, com resgate que veio através do Disney+, a fim de tornar sua incursão nos streamings mais atraente aos espectadores, em um segmento que tem se mostrado cada vez mais concorrido. Entretanto, a casa do Mickey Mouse não esconde o fato que deseja esquecer algumas de suas próprias produções, mesmo sem motivos plausíveis que justifiquem isso, e Nightmare Ned (Os Pesadelos de Ned no Brasil) é uma dessas produções aparentemente injustiçadas.

Produzido no ano de 1997 e baseado em um jogo de PC para a época produzido pela própria Disney Interactive, a animação é dividida em 24 episódios de 11 minutos de duração e um especial musical. A história acompanha o jovem Ned Needlemayer, um tímido menino de 10 anos que a cada episódio precisa lidar com um problema diferente tipicamente relacionado a experiências da idade. Apresentado o dilema inicial, Ned dorme sem saber como encará-lo, e em seus pesadelos, as situações ganham proporções mais assustadoras e repletas de humor negro ou mesmo típico de produções dos anos 90, muitas vezes indicando ao personagem como processar a situação para resolvê-la ao final da história.

Disney / Divulgação

Exibido no Brasil em 1999 e tornando-se a produção mais sombria a ser exibida pelo antigo programa Disney Club/Cruj do SBT, o desenho animado jamais foi reexibido em canais fechados do grupo Disney ou mesmo disponibilizado em relançamentos em VHS ou DVD nos Estados Unidos, criando-se inclusive uma lenda urbana de que “a animação seria muito perturbadora para as crianças”, como se a Disney desejasse esquecê-la completamente e dando-lhe certo status de “cult”. O jogo que a inspirou jamais foi relançado em plataformas modernas, e episódios só podem ser revistos em idioma original, através de gravações em VHS da época em que a produção originalmente foi ao ar. A dublagem brasileira se tornou um achado ainda mais raro, isso se não tiver se perdido.

As informações mais sólidas que se tem a respeito do cancelamento de Nightmare Ned dizem respeito a “diferenças criativas” entre o produtor executivo Donovan Cook (Dois Cachorros Bobos) e o diretor da animação Walt Dohrn na época, além da ultrapassagem do orçamento fornecido pela Disney, que teria sido utilizado tanto no jogo quanto no desenho, tornando assim a continuidade do programa inviável.

Disney / Divulgação

No entanto, isso nunca foi uma justificativa para que a animação jamais retornasse, uma vez que animações com proposta de mesclar pitadas de terror com outros gêneros de história mais populares entre o público infantil foram muito bem sucedidas alguns anos depois como Coragem, O Cão Covarde, no Cartoon Network, ou mesmo longas como Coraline nos anos 2000.

Um período como o Halloween, celebração originalmente americana que tem se popularizado mundialmente, poderia ser o momento perfeito para a Disney trazer de volta Nightmare Ned, ou mesmo anunciar um reboot da série fazendo uso de todas as possibilidades que o streaming oferece, uma vez que a temática de terror sempre fica em alta nessa época do ano, impulsionando o consumo de filmes, séries e animações com propostas de enredo mais obscuras.

Porém enquanto a Disney não tem essa ideia, resta relembrar um pouco da série que trazia através da linguagem dos desenhos animados aquilo que muitos profissionais de saúde mental explicam ao se falar sobre pesadelos: experiências relacionadas a maneira como processamos eventos estressantes ou potencialmente traumáticos ocorridos durante o dia, que muitas vezes não abstraímos completamente no momento em que estão acontecendo. A sorte por hora, é saber que a animação ao menos não foi um grande pesadelo coletivo em forma de desenho animado que afligiu crianças desavisadas que sintonizaram a TV no fim dos anos 90, e agora pode ser rememorada com a máxima de que “recordar é viver”.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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