Dodgeball Academia: o jogo brasileiro que precisávamos

Por Charles Minoru em

Pocket Trap / Divulgação

Desde o anuncio de Dodgeball Academia na E3 deste ano, o titulo entrou no meu radar. Não só pelo fato de ser um jogo de um estúdio brasileiro, mas pela proposta, digamos, inusitada de misturar o esporte que é conhecido no Brasil como queimada com elementos de RPG. Sei que criar um RPG esportivo não é algo totalmente novo e revolucionário, mas vindo de um estúdio brasileiro, acredito que seja um primeiro titulo com essa proposta.

Sem muita requisição no mercado externo, um dos poucos oferecidos pela EA trouxe um jogo de Dodgeball para foi Knockout City, que apesar de se tratar de um jogo do mesmo esporte não tem nenhuma similaridade com o titulo da Pocket Trap.

Os trailers de divulgação me passavam a impressão de estar vendo um jogo com fortes influencias de JRPGS. De primeiro momento lembrei de Pokémon, mas logo me lembrei de outros jogos da era dos 16 e 32 bits e não sei se pelo estilo colorido e arte em SD (Superdeformed ou personagens cabeçudos), me pareceu uma adaptação de anime;  inclusive a nível de curiosidade, o estúdio Pocket Trap tem um outro jogo chamado Ninjin, que foi adaptado para como animação pelo Cartoon Network e HBO Max.

Cartoon Network / Birdo Studio / Pocket Trap / Divulgação

Dodgeball Academia conta a historia do jovem Otto em sua jornada na Academia de Dodgeball em um mundo onde tudo gira em torno da queimada, todas as referencias a outras coisas além da academia envolvem de certa forma o esporte, alguns Npc’s inclusive fazem trocadilhos com coisas reais mas sempre com relação ao esporte.

Pocket Trap / Divulgação

Como já citado anteriormente, Dodgeball Academia é bem colorido e tem um estilo de arte cartoonesco com personagens cabeçudos e nada realistas, tendo personagens não humanos (ou se são humanos são bem estranhos). A mistura de personagens em 2D com cenários em 3D torna a experiência visual bem interessante, com uma jogabilidade bem intuitiva depois que você se acostuma com as mecânicas que são bem simples.

Depois de duas ou três batalhas já dá pra pegar a prática, pelo menos com o personagem principal Otto, uma vez que os outros personagens possuem pequenas variações de movimentos — e por falar em personagens, uma coisa que chama a atenção é exatamente a gama de personagens que são muito carismáticos, desde os professores da academia aos demais alunos, que em sua maioria você acabará enfrentando em algum momento do game, com a possibilidade de algum deles entrarem para o seu time. Um outro ponto a se destacar são os diálogos: por se tratar de um jogo brasileiro se utiliza algumas gírias típicas, como um personagem em sotaque genuinamente nordestino.

Pocket Trap / Divulgação

Dividido em 8 capítulos, o título garante umas boas horas de entretenimento, algo em torno de 8 a 12 horas, além das missões principais, existem as missões secundarias, sendo tarefas simples como ir até uma loja e comprar um item para algum Npc. Por falar em itens, todos são bem humorados e interessantes, como os de cura, como um famoso brigadeiro característico de nossas terras. Algo que me incomodou foram apenas os dois espaços para equipar o seu personagem, visto que existem variações que abrangem capacetes a meias.

Pocket Trap / Divulgação

Durante o jogo temos uma dose muito boa de piadas e para mim ficou muito nítida a inspiração nos animes em alguns trejeitos dos personagens e até mesmo em algumas poses, inclusive um dos diálogos é citado que poderia ser uma historia digna de uma mangá de esportes. A trilha sonora é muito bem produzida e os timbres de guitarra em alguns momentos me fizeram dar pausa no jogo só pra poder focar toda a atenção na parte musical.

O nível de dificuldade é bem interessante, pois mesmo que você pegue as manhas do sistema de batalhas, um pequeno vacilo pode lhe custar a batalha (ou seria partida?), nada que o torne um souls-like, mas também não é aquele mamão com açúcar onde você tem que ficar só apertando os botões de forma aleatória e desesperada para vencer. Uma outra nítida inspiração em animes são os golpes especiais ou “bolenciais” como são chamados no jogo, o protagonista por exemplo solta um Hadouken ou Kame Hame Ha, se você preferir. Esses bolencias são capazes de virar uma partida se aplicados no momento certo.

Me diverti bastante durante as horas de jogatina de Dodgeball Academia pois me trouxeram uma sensação nostálgica de um RPG das antigas e a ótima sensação de estar “jogando um anime”. Eu torço muito para que a aventura de Otto acabe ganhando uma versão animada igual seu irmão mais velho Ninjin. Yeah!

Dodge Ball Academia foi lançado em 5 de agosto para PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC (via Steam).

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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