Crunchyroll: segundo análise, animes exibidos em outras plataformas podem ter desempenho ruim

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O Anime News Network publicou um relatório onde realiza uma análise dos animes exibidos nas plataformas, com foco nos Estados Unidos, mas que pode funcionar a um modo global. O objetivo é apresentar como anda a audiência das animações japonesas e seu desempenho em serviços como Crunchyroll, Netflix, Amazon Prime Video, entre outros.

O ANN chegou a conclusão que animes possuem um grande potencial de serem apresentados a um maior número de pessoas ao serem transmitidos em plataformas maiores, porém, é no streaming laranja que eles podem se dar melhor. Isso ocorre pelo fato da Crunchyroll possuir um catálogo focado neste segmento, enquanto que as demais disputam atenção com suas produções originais em live-action.

Em 2025, mais de 250 títulos estrearam nos Estados Unidos nos serviços citados – além do Disney+, HBO Max, HiDIVE e Hulu. Pelo menos por lá, um título pode ter um desempenho ruim se estiver disponível exclusivamente fora da Crunchyroll, devido à competição por recursos como orçamentos de marketing e à diversidade de interesses dos consumidores. As projeções de popularidade, que foram medidas através de conversas em redes sociais e Google Trends, indicam que a transmissão exclusiva em plataformas como Amazon Prime Video ou Disney+ atrapalha mais do que ajuda.

No artigo, o ranking de popularidade foi determinado calculando-se uma pontuação média com base em fontes de dados publicamente disponíveis, como a busca do Google: global, Japão e Estados Unidos, bem como discussões online em todo o mundo – sejam em plataformas de mídia social ou fóruns. Os títulos no conjunto de dados incluem aqueles cujas temporadas começaram no outono japonês de 2024 e foram exibidas até 2025.

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Os dados sugerem que um título que seja popular no Japão, talvez não consiga alcançar a mesma notoriedade nos Estados Unidos devido às diferenças no alcance local e nas estratégias de marketing das plataformas no Japão em comparação com os EUA. Embora os custos de licenciamento para um anime possam variar de US$ 250.000 a US$ 400.000 por episódio, conforme relatado pelo próprio Anime News Network em 2021 (esses custos aumentaram ligeiramente desde então), este valor é significativamente menor do que os estimados US$ 10 milhões por episódio nas séries originais em live-action.

Portanto, as plataformas geralmente têm maiores incentivos para comercializar e promover suas produções com atores e que possuem um maior orçamento, do que uma animação japonesa.

Ainda assim, a Netflix segue sendo uma das escolhas preferidas do público na hora de assistir animes. A plataforma confirma isso ao divulgar que ‘mais da metade de seus assinantes assistem animes’, mesmo não oferecendo um número exato. No entanto, consegue ser maior que os 32% do Disney+ e 29% da Amazon Prime Video, de acordo com um relatório da Dentsu.

Diante disso, sim, a exclusividade de veiculação será melhor em alguns serviços do que em outros. A TUDUM possui uma forte presença no Japão e ela é quase onipresente no mercado estadunidense, de acordo com os dados da Parrot Analytics. Ainda assim, seu catálogo de animações japonesas é minúsculo se comparado à Crunchyroll, no passado ela conquistou apenas 9 títulos com exclusividade.

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Entre os 150 títulos mais assistidos no ano passado, a Crunchyroll detinha os direitos exclusivos de mais de 100 animes, oito vezes mais que seu concorrente mais próximo – Netflix. E isso inclui a 2ª temporada de DanDaDan; Witch Watch e a 3ª temporada de One Punch Man, que estão disponíveis em múltiplas plataformas.

Dentro deste conjunto de dados, os títulos exclusivos da Amazon Prime Video como SANDA; New PANTY & STOCKING with GARTERBELT; Mobile Suit Gundam GQuuuuuuX, entre outros. tiveram um desempenho significativamente inferior em comparação com as séries da Crunchyroll, Netflix e Hulu. Todos estes, sem surpresas, registraram um número de busca maiores no Japão em comparação com os Estados Unidos, indicando que a base de fãs não se estendeu para outros países.

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Vincent Imaoka, ex-produtor de animes originais da Netflix e ex-desenvolvedor de negócios da Viz Media, compartilhou sua perspectiva. Ele comentou que os direitos exclusivos de streaming raramente existem no Japão, já que os comitês de produção buscam maximizar o público de seus animes.

A exclusividade costumava existir quando os serviços de streaming investiam em animes para comprar os direitos totais na fase de pré-produção e transformá-los em animes originais, mas esse modelo está desaparecendo, especialmente porque o licenciamento para múltiplos serviços de streaming permite um alcance de público mais amplo“.

Ele recomendou pensar nisso como “sindicação digital“, semelhante à forma como os programas de televisão eram distribuídos para outras emissoras: “A emissora fecha um acordo para o Japão e, em seguida, o agente externo que detém os direitos globais de vídeo doméstico fecha um acordo separado para o resto do mundo“.

Ele ainda explica que os acordos de exclusividade ocorrem mediante o maior lance oferecido pelas plataformas e que podem variar de três a cinco anos. No entanto, os licenciadores também podem optar por não querer um serviço exclusivo e achar melhor garantir uma maior popularidade com a veiculação em diversos streamings, como é o caso de DanDaDan.

Dependendo da popularidade projetada, as plataformas tentarão superar umas às outras. A estratégia atual da Crunchyroll envolve o pagamento dos custos iniciais de produção para garantir a exclusividade. A Netflix usava um método semelhante; no entanto, raramente participava do comitê de produção. 

A Crunchyroll está investindo em sua participação no comitê de produção. O risco é reduzido para essas empresas japonesas quando a Crunchyroll investe muito dinheiro antecipadamente. A Netflix também fazia isso, e é por isso que você via ‘Anime Original Netflix’ nos títulos“.

Quando perguntado qual plataforma ele escolheria para lançar um anime de forma exclusiva, sua resposta foi a Crunchyroll.

Se eu quisesse um título exclusivo para atrair mais fãs de anime nos Estados Unidos, eu o lançaria na Crunchyroll. Lá, os assinantes já são fãs de anime, ao contrário da Netflix e da Amazon. Através da Crunchyroll, você alcança um público de anime“.

A Crunchyroll representa um risco baixo se comparado aos demais serviços pois, mesmo um catálogo recheado, é mais fácil competir com outros animes do que produções diversas.