Como socializar segundo Bottom-tier Character Tomozaki

Por Williams Gomes em

Project No.9/ Divulgação

Existem alguns animes que possuem o papel de fazer uma enorme diferença na vida de algumas pessoas, desde inspirar em um momento difícil, como uma crise de identidade, até algo mais considerável, como a escolha de uma futura profissão. Talvez hoje, para um público mais maduro (incluindo este que vos escreve), Bottom-tier Character Tomozaki (Jaku-Chara Tomozaki-kun), ainda que muito interessante, não possua esse alcance sentimental citado no começo do texto. Mas não se engane. Se hoje, para um adulto, a obra do estúdio Project No.9 pode servir apenas como uma boa opção de entretenimento, em 10 ou 15 anos antes, nas mãos de um adolescente tímido ou antissocial, ela poderia ser vista como uma salvação da vida.

Diferentemente das tentativas de outros animes deste ano em mostrar garotos travados sendo “ajudados” por companheiras de escola a serem melhores versões de si mesmos, Bottom-tier Character Tomozaki apresenta o mesmo contexto com a diferença de que nesta obra, a ideia dá certo.

De forma resumida e sem spoilers, na obra conhecemos Fumiya Tomozaki, um adolescente do ensino médio que, apesar de ser um dos maiores gamers do Japão no jogo “Attack Families”, sua relação com as pessoas na vida real é desastrosa, visto que para ele a vida não passa de um jogo horrível. Diante disso, o jovem, ao conhecer um de seus maiores adversários, descobre que o oponente é na verdade sua companheira de classe Aoi Hinami. Assim, desapontada por seu nemesis ser um completo desmotivado pela vida, Hinami desafia Tomozaki a aperfeiçoar suas habilidades de convívio social na vida offline, enquanto ela treina para derrota-lo em seu ambiente virtual.

Mas vale a pena assistir?

Apresentando o convívio social e os seus constantes desafios a serem administrados como tema principal, Bottom-tier Character Tomozaki é quase uma mini terapia disfarçada de anime. Isso porque são vários os argumentos usados e rebatidos dentro do próprio anime que podem despertar no seu público uma reflexão aqui ou ali a respeito do seu modo de enxergar a vida ou as pessoas.

Project No.9/ Divulgação

Apesar de soar um tanto quanto dramático, a ideia de um garoto que encara a vida como o pior jogo já inventado e deixa de desenvolver suas habilidades de convívio social, como conversação, senso de estilo e expressão corporal, é na verdade, um perfil que (salvo algumas mudanças) se repete recorrentemente no meio jovem e as vezes na vida adulta. E não atoa o protagonista está no ensino médio, pois qual lugar mais propício para visões como essas surgirem?

– E falando por experiência própria – É interessante acompanhar a saga de Tomozaki pois seus argumentos a partir de uma visão vitimista sobre popularidade, autoestima e de como lidar com uma vida decadente podem se alinhar a pensamentos que realmente aparecem em algum momento na vida de qualquer pessoa e que se não remediados, podem fazer um bom estrago alongo prazo. E precisamente neste momento o anime começa a mostrar seu potencial apresentando uma visão oposta à do jovem e tão inteligente quanto, através da jovem Hinami.

Nesta altura da história (e estamos só no primeiro episódio ainda) podemos encontrar duas perspectivas que, mesmo sendo muito extremas em um dado momento (e isso fica evidente nos últimos episódios), nos proporcionam a ideia de absorver o que há de melhor das duas partes e montar um raciocínio próprio de como lidar com o famigerado convívio social.

E com tanto a ser ajustado, é mais do que esperado que o anime trabalhe bem no desenvolvimento de seu protagonista. Tarefa essa, cuja realização é feita ao longo da serie de forma muito consistente e coesa. Mudando desde o visual e postura até a modesta progressão em conversações com personagens secundários ao longo dos seus 12 episódios.

E por falar em personagens secundários, mesmo os coadjuvantes do anime possuem seu desenvolvimento aprofundado. Com destaque especial para Mimimi (ou Minami Nanami) com um episódio focado em sua jornada.

Project No.9/ Divulgação

Considerações

De fato, Bottom-tier Character Tomozaki se mostra uma boa opção de anime neste ano de 2021, reunindo em sua composição uma temática social sempre muito relevante, que consegue associar-se com o universo gamer através de expressões técnicas e jargões para fácil compreensão das ideias transmitidas. Sem mencionar os ótimos diálogos, capazes de estimular  no público uma análise comportamental própria ou alheia, apresentações e desenvolvimentos de personagens consistentes  e uma serie de dicas que para quem é um pouco mais tímido ou bastante retraído, podem ajudar (e muito) a dar um pequeno passo rumo à sua metamorfose social.

Project No.9/ Divulgação

Então, caso você queira dar um upgrade no seu “personagem” do jogo da vida real, adquirir novos pontos de experiencia e enfim subir de nível, Bottom-tier Character Tomozaki pode ser uma boa indicação. O anime está em sua primeira temporada e encontra-se disponível na Crunchyroll.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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