ANMTV Especial: Dia do Quadrinho Nacional

Reprodução

De acordo com dados de uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro em setembro de 2020, o Brasil conta com uma população de 52% de pessoas habituadas com a leitura (algo em torno de 100,1 milhões de indivíduos) e teve uma redução de 4,6 milhões de leitores em um intervalo de 4 anos. Entretanto, apesar desse desanimador e desafiador cenário, existe um mercado artístico composto por criadores dedicados ao que já se conhece por a “nona arte” no Brasil, que segue se esforçando para trazer conteúdos interessantes e relevantes de modo a despertar ou resgatar o interesse de todo esse contingente populacional pelo prazer que a leitura proporciona.

E hoje, a fim de homenagear esses artistas e profissionais, o ANMTV traz no Dia do Quadrinho Nacional um pouco sobre a contribuição de certas HQs para o cenário brasileiro de quadrinhos e para nossa própria formação como leitores e escritores, assim como trazer àqueles que nos acompanham indicações de boas HQs nacionais que permitam a todos que estiverem tirando alguns minutos de seu tempo lendo este artigo para descobrirem que quadrinhos nacionais são um universo muito além dos tradicionais nomes que vêm à mente como Turma da Mônica, de Maurício de Sousa ou o Menino Maluquinho, de Ziraldo. Não deixamos obviamente de ressaltar a importância das produções mencionadas, uma vez que elas só se tornaram tão conhecidas mesmo entre quem já deixou de ter contato com a mídia graças a seu impacto cultural significativo, mas entendemos que é preciso ir além do óbvio para demonstrar a capacidade única de brasileiros em criarem boas histórias e do quanto elas merecem mais reconhecimento do que já conquistaram.


Edmar Filho

MUITO ALÉM DOS CLÁSSICOS DE MAURÍCIO

MSP Produções / Panini Comics / Divulgação

Depois de ter contato com algumas histórias do personagem Astronauta de Maurício de Sousa, percebia e imaginava que ele seria o mais próximo de um super herói nacional entre a extensa galeria de personagens do famoso quadrinista, um “Buzz Lightyear tupiniquim” por assim dizer. E por indicação de um amigo, adquiri aquela que se propunha a ser uma releitura mais séria do personagem, sem sequer saber que a mesma era a primeira de uma coleção de novas versões dos demais personagens de Maurício assim como de uma posterior sequência de 5 histórias do explorador do universo (seguida por Singularidade, Assimetria, Entropia, Parallax e uma com título a ser definido), cuja última será lançada neste ano de 2022. Pra minha sorte, a surpresa não poderia ter sido mais grata.

Roteirizada por Danilo Beyruth e contando com arte de Cris Peter, Astronauta – Magnetar traz o aventureiro espacial durante uma de suas missões para estudar e presenciar de perto um magnetar, uma estrela de neutrôns com um forte campo magnético. Por conta de um erro cometido durante sua atividade, Astronauta acaba ficando com sua nave presa próximo ao local, de forma que tendo apenas que sobreviver enquanto aguarda o socorro, acaba tendo uma experiência parecida com a de um náufrago, tendo que lidar com seus próprios demônios internos após inúmeros dias à deriva e perdendo as esperanças de ser resgatado.

Astronauta – Magnetar é uma história de ficção científica sobre solidão, e consequências de escolhas de vida que explora bem o background do personagem Astronauta Pereira (sim, Astronauta é o nome do próprio herói) ao escolher como meio de vida aventurar-se pelo espaço infinito abrindo mão de sua vida na Terra e da proximidade entre seus familiares, amigos e a mulher que amava e se relacionava. Mesmo ao trazer uma leitura carregada de angústia e autoquestionamento, foi a primeira produção a mostrar que é possível “fazer mais” com a galeria de personagens criados por Maurício, e que vão além do que tivemos contato em nossas infâncias, proporcionando histórias como Turma da Mônica – Laços e Lições que posteriormente enriqueceram também o cinema nacional, merecendo portanto um lugar especial nessa lista de indicações.

UMA BOA IDEIA NÃO TÃO BEM SUCEDIDA

Cristal Editora / ESA / Divulgação

O Pequeno Ninja – Mangá foi uma publicação que tive acesso aos dois primeiros exemplares em um período onde assim como muitos estava deixando de lado os gibis da Turma da Mônica e tendo meus primeiros contatos com os quadrinhos japoneses. Anos depois tive acesso a todas as edições por vias digitais e pude concluir a história que li na pré-adolescência e ainda tinha alguma boa lembrança. Foi nesse momento em que descobri que o gibi em estilo mangá o qual tive acesso nada mais era do que uma releitura “ultimate” de um personagem antigo. Nada revolucionário ou marcante, mas não menos divertido para ao menos passar o tempo.

Idealizado por Tony Fernandes (roteiro) e Wanderley Felipe (desenhos), O Pequeno Ninja foi um herói criado no auge da “ninjamania” do fim dos anos 80 e início dos anos 90, e trazia ao público da época as histórias de um garoto chamado Eugênio, filho do líder de um poderoso clã ninja que atuava secretamente em aventuras com a identidade de “Pequeno Ninja”, usando um uniforme azul e todo tipo de aparatos ninja para combater vilões com a ajuda de seu cão ninja Shaken.

Por conta do pouco sucesso frente a outros gibis concorrentes da época e de brigas envolvendo os direitos autorais do personagem, o shinobi brazuca ficou por anos na obscuridade até ter uma segunda chance no início dos anos 2000, quando recebeu uma nova versão. Com produção dessa vez pela Cristal Editora e pela Escola Studio de Artes (ESA) contendo um arco único fechado em 6 edições, a versão “mangá” de O Pequeno Ninja trazia traços que emulavam o estilo de Akira Toriyama e uma narrativa com elementos mais sérios e típicos de mangás shonen pegando carona no sucesso de Dragon Ball, que no período era sinônimo de “anime de pancadaria e ação de sucesso”. Não se sabe se a proposta teve o êxito esperado, apenas que o personagem retornou novamente ao anonimato e só viu de novo a luz do dia ao ser ressuscitado pela Editora Online com o resgate de suas características clássicas em 2008, mas de novo sem tornar-se um fenômeno entre crianças ou mesmo entre o público que outrora cativou, ganhando mais um hiato algum tempo depois.

É possível talvez que o herói tivesse mais sorte em outras mídias que vem ganhando mais força que os quadrinhos entre produtores no Brasil, como jogos eletrônicos ou animações, tendo sua mídia de origem como um elemento multimídia secundário que possa expandir sua proposta, além também de acréscimos que o dessem mais personalidade, transformando-o em um herói mais único e menos em um rascunho de outros já existentes ou do que o imaginário popular entende como ninja.

No entanto, há de se ressaltar a boa percepção que os envolvidos no projeto tiveram ao perceber a migração de leitores brasileiros de nomes consolidados do quadrinho nacional para um novo nicho editorial em ascensão, e tentarem readaptar uma antiga produção a esse então novo formato anos antes de isso ser percebido pela própria MSP Produções, culminando na criação de Turma da Mônica – Jovem muitos anos depois. Todavia, uma obra contemporânea dessa adaptação ao estilo dos mangás conseguiu ser mais bem sucedida cativando o público e sendo mais lembrada ao se falar de “mangás nacionais” como será visto a seguir.

A GRANDE AVENTURA À MODA JAPONESA

Jambô Editora / Divulgação

No início dos anos 2000, os mangás começavam a se consolidar em território brasileiro graças à Editora Conrad, que viveu seu período de maior auge ao apostar nas versões quadrinizadas de animes de peso da época como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco. Porém, entre algumas tentativas do mercado editorial nacional de surfar na nova onda, poucos compreendiam o que em parte fazia os mangás serem o sucesso que eram entre o público, acreditando que para uma obra ser enquadrada na categoria bastava um traço ao “estilo japonês” e uma aposta em sequências de ação inventivas com direito a violência e super poderes. E foi ao enxergar peculiaridades não óbvias do formato que Holy Avenger se destacou entre os fãs de animes e mangás brasileiros.

Embora ouvisse falar bastante da série de antigas revistas especializadas, levei anos para ler em formato integral e descobrir porque a série escrita por Marcelo Cassaro e desenhada pela artista Érica Awano era tão aclamada e lembrada por quem a viu nascer e tomar forma nas páginas da antiga revista sobre RPGs Dragão Brasil, assim como sua importância ao se discutir sobre quadrinhos nacionais.

Trazendo uma aventura que se passava no universo de fantasia medieval da franquia de RPG brasileira Tormenta, em Holy Avenger o público é apresentado a Lisandra, uma garota criada ao lado de animais em uma ilha isolada que começa a ter sonhos com um estranho guerreiro conhecido como “Paladino”, que havia sido derrotado no passado por forças maléficas, só podendo ser ressuscitado com seu poder total através da reunião dos 20 rubis da virtude espalhados pelo mundo de Arton, para livrá-lo de uma terrível ameaça ao destino de todas as raças e seres vivos. Durante a jornada, a jovem druida da floresta contará com a ajuda de importantes aliados como a bela elfa Niele, o atrapalhado aspirante a ladino Sandro Galtran e o réptil anão guerreiro Tork, em uma aventura que se estendeu por 40 edições em sua primeira publicação e que atualmente pode ser relida em 4 edições luxuosas pela Editora Jambô.

Embora críticas apontem o excesso de fanservice e alguns problemas de roteiro, a série teve o mérito de receber reconhecimento pelo Ministério da Cultura do Japão como um legítimo “mangá estrangeiro”, contrariando uma parcela dos fãs que defende a ideia de que tal nomenclatura só pode ser dada a quadrinhos produzidos em território nipônico, e graças à conquista abriu possibilidades para que outros produtores de quadrinhos do Brasil pudessem sonhar com a possibilidade de criar séries ao estilo japonês, obtendo similar reconhecimento não só de fãs no Brasil como no exterior. O mangá nacional Tools Challenge, de Max Andrade, provou-se como uma dessas produções que há alguns anos se destacou como um dos mais bem sucedidos projetos posteriores a cair no gosto daqueles que tinham certo interesse por mais “mangás nacionais”, apesar de seus próprios percalços editoriais.

SUPER HERÓIS COM BRASILIDADE

Editora Draco / Divulgação

Ainda que com representantes pouco conhecidos entre o grande público, a premissa de super heróis brasileiros data da década de 60, onde personagens como o JudocaRaio Negro Capitão 7 fizeram suas primeiras aparições, muito antes de gigantes dos quadrinhos como Marvel e DC identificarem uma aparente demanda de nosso povo por representação que ocasionaria na criação de personagens como Mancha Solar, Magma, Fogo Verde e mais recentemente de uma versão alternativa da própria Mulher-Maravilha.

Porém, não é a falta de super heróis com décadas de consolidação que suprimiu o potencial de quadrinistas nacionais de empregarem esforços para criar histórias com proposta a altura de grandes clássicos das majors norte-americanas ou novos personagens que representassem algo comum da realidade brasileira junto a boas histórias. Enquanto anti-heróis como o Doutrinador surgiram da angústia de cidadãos com a corrupção que assola a política nacional e outras como Mayara & Annabelle foram concebidas da idéia de histórias misturando temas sobrenaturais e ação protagonizadas por funcionárias públicas concursadas, Quem Matou João Ninguém? é uma narrativa que traz uma história de super herói para um ambiente onde provavelmente poucos arautos da justiça de outros países conseguiriam trazer às pessoas alento ou esperança: uma favela brasileira.

Com roteiros assinados por Zé Wellington e Wagner Nogueira e traços creditados a uma equipe formada por Rob Lean, Wagner de Sousa, Cloves Rodrigues, Alex Lei e Ed Silva, o encadernado tem início com um aspirante a quadrinista chamado João, que ao ser morto por o que a princípio parece ser uma bala perdida tem pela própria Morte uma oportunidade de retornar à vida com a identidade secreta de um herói nomeado de “Sujeito Homem”, para desvendar a causa de seu próprio assassinato. Contada através de forma não linear, a narrativa alterna cenas de flash back mostrando a relação do protagonista com seus amigos de infância Sandro, Nina e Roberto na favela de Santa Edvirges, com eventos no presente, que mostram os rumos que cada um deles seguiram ao tornarem-se adultos feitos vivendo no mesmo ambiente periférico onde cresceram em uma trama misturando criminalidade, amizade, vingança e traição, que seria uma mescla de elementos de filmes como Cidade de Deus, Efeito Borboleta e Kick-Ass – Quebrando Tudo.

Entre todas as obras mencionadas até agora, Quem Matou João Ninguém foi a primeira da qual pude adquirir um exemplar em mãos de um dos próprios envolvidos no projeto, e que é um de meus conterrâneos de estado. Por conta isso, guardo a edição adquirida com carinho em minha coleção. Mais do que uma HQ que trazia uma abordagem diferenciada para a temática super heróica, essa foi uma história importante para este que vos escreve ao demonstrar que a mídia HQ é tão democrática naquilo que se propõe, que para  novos artistas competentes serem descobertos no território de dimensões continentais deste país, muitos não são sequer obrigados a irem para o eixo Rio-São Paulo para conseguirem o mínimo de reconhecimento, e apesar de alguns problemas na forma como a história é contada e decisões estranhas de roteiro, Quem Matou João Ninguém é uma produção indicada para todos aqueles desejosos de saber como seria uma história de super heróis brasileira combinada com a seriedade do formato conhecido como graphic novel, que consagrou grandes quadrinhos não só de super heróis famosos como que funcionam como histórias independentes.


Lindemberg Santos

AFRICANIDADES NOS QUADRINHOS

Catarse / Divulgação

As histórias em quadrinhos nacionais também tem um espaço dedicado às africanidades. Esse espaço é maravilhosamente ocupado pela arte de Hugo Canuto e uma de suas obras que se destacaram foi Contos dos Orixás que desde 2019 cativa leitores do Brasil e do mundo.

A obra é um projeto que tem um carinho específico para professores e no meu caso, no ensino das Artes Visuais não é diferente, pois permitiu colaborar com a inserção desse conhecimento em sala de aula até mesmo de forma interdisciplinar com filosofia, sociologia e história por exemplo.

Essa HQ, finalista em 2020 do Prêmio Jabuti – Histórias em Quadrinhos, também é o resultado do sucesso de experimentos de releitura de heróis Marvel na forma desses Orixás que a protagonizam. Tanto que o próprio Xangô aparece em um pôster na parede de uma cena de Space Jam: Um Novo Legado.

E como tudo que dá certo tem continuidade, Contos dos Orixás 2 – O Rei do Fogo está com campanha aberta até o dia 25 de março sendo uma trilogia que remonta o passado contado na edição anterior, onde Exú, Ogum, Oxóssi, Oxum, Iansã e Xangô, bem como Yemanjá, Oxalá e tantos outros apresentarão os seus poderes.
Bem que poderia aparecer os Boiadeiros: guardiães e protetores da Lei Maior não é Hugo?


Williams Gomes

ASSUNTOS DA VIDA REAL

Editora Lagougoutte / Divulgação

É bem verdade que obra da carioca e radicada em Curitiba, Bianca Pinheiro pode estar longe de ser uma produção brasileira revolucionária na história nacional das HQ’s, mas como sua própria introdução já diz: “Alho-Poró é um quadrinho que se lê frio”, e neste caso, acredite quando digo que a sutileza da autora em apresentar sua trama e estabelecer um clima tenso, ainda que delicado, é tão eficaz e preciso quanto uma bala disparada.

A história das três amigas que, a princípio, se reúnem para a produção de uma quiche é repleta de quadros de diálogos simples e outros sem nenhum qualquer, mas que ainda assim me fizeram precisar reler a obra para notar detalhes importantes para a história. Seu plot apesar de ser ligeiramente previsível, consegue ser potencializado com o decorrer dos diálogos que surgem nas páginas finais, envolvendo assim os leitores – e principalmente aqueles que já lidaram com experiencias de perda e frustração, semelhante à das protagonistas. Alho-Poró é um quadrinho que, em sua essência, aborda assuntos que vão além dos limites brasileiros e seus habitantes, é realista, impactante e vale cada página lida.


MENÇÃO HONROSA

Editora Louvor / Editora Vida / Divulgação

Oriundo de uma tentativa de fazer um gibi voltada para crianças cristãs evangélicas brasileiras em 1992 sob a autoria do pastor Eduardo Samuel da Silva (roteiro) e Jairo Alves da Silva (arte), Dudão (ou “Turma do Dudão”) foi uma HQ que em 2020 alcançou um singular e inesperado sucesso na internet graças a pessoas que redescobriram as histórias do personagem e enxergaram em sua narrativa e estética bizarras e humor “politicamente incorreto” para os atuais padrões, uma fonte inesgotável de memes que viralizaram na internet e nas redes sociais, recebendo inclusive dublagens de suas histórias, reforçando a ideia de que “dublagens são capazes e eficientes muitas vezes para difundir produtos a todo um novo público”.

Baseado em histórias de infância do seu criador, a série virou uma espécie de “South Park Made In Brasil” com orçamento ainda mais baixo e hoje é parte dos homenageados do Dia do Quadrinho Nacional por de alguma maneira funcionar na função primordial de qualquer quadrinho, que é a de divertir e entreter, ainda que fora daquilo que inicialmente foi proposto.

*Edição sob responsabilidade de seus autores

*Supervisão geral Matheus Sousa

23 respostas para “ANMTV Especial: Dia do Quadrinho Nacional”

  1. King Strife disse:

    Nunca pensei que o site iria fazer menção a coisa religiosa como Dudão, e tampouco falar da dublagem do LuanKCT.

    • Blu3s disse:

      De todo modo, Dudão não deixa de ser um dos homenageados da data. Viralizar como um meme tosco e ficar novamente em evidência por isso não deixa de ser uma forma de sucesso, pois tem gente falando sobre, consumindo e produzindo novos conteúdos em cima disso, independente da qualidade ou da intenção.

  2. Anubis_Necromancer disse:

    Verdade seja dita.
    Quadrinho nacional é monopolizado pelo Maurício de Souza.
    Miitas editoras tentaram, mas nenhuma emplacou pq:
    A criançada prefere a Mônica do que uma Luluzinha e o brasileiro tem preconceito contra herois nacionais, preferindo os de fora.
    Enquanto houver esse pensamento e, pra não dizer outra, xenofobia quanto material nacional sério, nunca iremos ser um mercado como os EUA e muito menos um Japão.

    • King Strife disse:

      Os quadrinhos da Mônica já são tradição há décadas, pois eles nunca pararam, possuem marketing forte e até podem ser achadas em escolas, diferente de Luluzinha que está parada desde 1984 sem atualizações desde então. Única rival da Mônica ainda é a Disney (até pularam pra editora nova pra continuar o legado), embora sem a mesma força que tinham no século passado.

      • Blu3s disse:

        Se não me engano inclusive, os gibis do Zé Carioca que circulavam por aqui contavam com roteiristas nacionais que expandiram bastante o personagem além do estereótipo do malandro carioca instituído pela Disney quando criou o personagem. Quando era criança, lia algumas historinhas às vezes e até gostava bastante.

        • Anubis_Necromancer disse:

          Sim, mas ainda não é algo 100% brasileiro que possamos identificar. Continua sendo um material “estrangeiro” que não tem sua gênese na terrinha.
          Mesma forma é dizer que a Fogo da Liga seja brasileira e tenha histórias no Brasil.
          Ela foi feita e vendida pra lá?
          Idem quanto as revistas da Disney.

          • Blu3s disse:

            Bom, o Zé Carioca foi um personagem criado lá fora, baseado em uma visão estereotipada de brasileiros que ao ser adotado pelos roteiristas daqui ganhou características mais legítimas que fizeram o personagem cair de fato no gosto do público por algo além do que “ser um personagem brasileiro criado pelo próprio Walt Disney” o que na minha opinião é também algo positivo, e que contribui sim para a identidade dos quadrinhos nacionais.

            Já sobre a Fogo, acho que levando em conta os brasileiros que já passaram pela DC Comics e se destacaram, já passou da hora de roteiristas e desenhistas tentarem criar alguma história própria interessante usando a personagem, nem que seja para fazer ela se consolidar mais ao menos com o público daqui.

    • Blu3s disse:

      Eu não diria que o Maurício de Souza monopoliza os quadrinhos nacionais, ele é apenas a exceção à regra aqui no Brasil e o quadrinista mais bem sucedido de todos os tempos no país. Além de popularizar os próprios gibis em um lugar que, conforme a própria matéria diz, as pessoas não tem o hábito da leitura, o cara conseguiu um sucesso que foi além do êxito dos gibis e impulsionou animações, produtos derivados, um parque temático e recentemente até filmes em live action.

      E sobre o preconceito do próprio público brasileiro com heróis nacionais, o que eu diria é que o problema também de projetar esses personagens para disputar a atenção do público com o de empresas consolidadas como Marvel e DC, é que heróis como Superman, Batman, Homem Aranha e afins tem décadas de influência e presença no imaginário popular mundial além de produções que vão além dos quadrinhos onde também se originaram, de um jeito que até gente que nunca leu sequer um quadrinho deles os conhece. Não acho que os autores por aqui criam hoje novos heróis ou histórias buscando ofuscar o que personagens mais populares conquistaram e sim em trazerem abordagens diferentes daquilo que já é hegemônico, o que já é ao menos um primeiro passo, falta só mais divulgação e reconhecimento, assim como incentivo à cultura e à leitura para a população.

      • Anubis_Necromancer disse:

        Produtos derivados, ou seja, SÓ dele, no caso e os outros? Não existem, logo é monopólio.
        Como não temos uma regras aqui para impedir tal coisa, como ocorre nos EUA, ai sim o mercado poderia ser vantajoso a outros que queiram entrar no mercado.
        Mauricio sempre foi do tipo Stan Lee, no caso um showman que usa desenhistas assistentes e não dá apoio quando estes vão embora tentar enveredar na mesma area.
        Afinal, quem quer concorrência, né?

        Discordo sobre “anos de influencia”, pois tivemos heróis nacionais quando os “de fora” começaram a aparecer por aqui, como o Capitão 7 por exemplo.
        O caso é que como temos a sindrome de vira-lata, desprezamos o material nacional. Afinal as iniciativas como A Ordem, Força BR ou mesmo Alfas não deram muito certo.
        Ninguém quer ofuscar algo que não pode ser ofuscado. Afinal, vc cria uma historia de ninja que vive numa vila e faz missão, pode ser generico, mas sempre vão associar como “copia de naruto” (já indo pro mangá), ou mesmo uma cara que voa, é resistente e super-forte, vão dizer que é clone do Shazam ou o Super, né?

        • Fresh Prince of Namek disse:

          Existe o estúdio Armon, a editora Guará e a Indivisível que publicam mangás nacionais. Tem a Zinnes e a Fliptru que creio serem as maiores (e únicas?) plataformas online de quadrinhos nacionais. Mas como brasileiro não lê e acha que quadrinho é só turma da mônica, é só isso que fica popular.

        • Blu3s disse:

          Para produtos derivados de outras obras circularem, os originais tem que alcançar algum público primeiro, e o Maurício de Sousa não tem nada haver com a ausência de circulação de produções que não são da jurisdição dele. O máximo que ele e a empresa dele podem fazer e já fazem é dar oportunidade a novos talentos que queiram trabalhar para ele, MONOPÓLIO era se a MSP quisesse abocanhar todo o tipo de quadrinho produzido por aqui e quisesse ditar as regras do que poderia ou não ser produzido, coisa que eles não fazem com nada que não é propriedade deles. Os caras não tem obrigação nenhuma de ensinar o “caminho das pedras” a pessoas que hoje trabalham para eles e podem vir a ser concorrentes no futuro só para instituir um “mercado de quadrinho nacional”, mesmo porque por mais que as criações do Maurício de Sousa sejam um sucesso, acho que nem ele sabe exatamente explicar a consolidação que conseguiu no Brasil para dar uma fórmula pronta que se aplicada sempre vai render sucesso similar ao de Turma da Mônica a outros autores.

          E sobre a questão da síndrome de vira lata e do fracasso da proposta de heróis nacionais, eu diria que há uma série de fatores culturais e econômicos que não dá pra caber só em um mero comentário para justificar isso, mas o público por vezes consegue abraçar uma idéia que de algum modo pareça com algo existente desde que ao mesmo tempo tenha também uma identidade própria que faça aquilo único, de sua própria maneira. No texto por exemplo, o personagem DOUTRINADOR é mencionado brevemente na parte que fala sobre histórias de super heróis nacionais, e não comparar o personagem com o Justiceiro da Marvel ou o Rorschach da DC é impossível, mas não quer dizer que o personagem não tenha elementos próprios, e provavelmente é parte desses elementos próprios que fizeram ele ter algum sucesso entre o público com direito a filme e série de TV.

          • Anubis_Necromancer disse:

            Correto, mas se há uma “concorrência desleal” como os outros produtos podem ser lançados?
            Pega o caso da Luluzinha Jovem, ele teve o mesmo marketing da Mônica Jovem? Nem sequer teve programa de tv que noticiou ele, sendo restrito a internet e aos poucos sites de divulgação, mesmo sendo feito aqui no Brasil. MSP faz isso, simplesmente com suas novels, afinal ela dita as regras do mercado, e aqueles que não tem a mesma “qualidade narrativa” sofrem do fracasso.

            O Doutrinador foi criado pqra ser o Justiceiro brasileiro, afinal tá “tudo ali”: motivação vingativa contra o crime organizado, a margem da Lei quando o sistema falha ou é a causa disso e até mesmo se tornar um simbolo midiático.
            O lance é que ele se tornou um simbolo erratico de um periodo que a população precisa mais de um Pacificador do que de um Batman da vida. Afinal ele beira o fascismo que hoje permeia parte de uma ideologia politica pervertida, no caso o [email protected]
            Por isso que ele saiu de onde estava e migrou pra esse nicho (com o criador sendo descarado bolsonarista e aceitando grana desse pessoal para criar mais arquetipos deste, como o Destro).
            Enquanto isso outros como Raio Negro ou Pulsar são jogados pro limbo

          • Blu3s disse:

            Olha, por mais que Turma da Mônica e quadrinhos como os apontados no texto sejam igualmente HQs nacionais, não dá exatamente para dizer que eles disputam o mesmo público e que há uma “concorrência desleal” dos gibis tradicionais do Maurício com eles. Turma da Mônica no geral é uma publicação voltada principalmente ao público infantil e só quem concorre com ela são outras voltadas a esse mesmo público como Menino Maluquinho, gibis da Disney ou outros que eu não faço idéia agora.

            Você comentou de Luluzinha Jovem, mas o que pesou pra Luluzinha Jovem não ter talvez tanta divulgação é que essa HQ surgiu na esteira da proposta de Turma da Mônica Jovem e tentando dar relevância novamente a uma personagem que já normalmente não era tão conhecida do público, ao menos em relação a revistinhas, quanto as mais famosas criações do Maurício de Sousa. Muita gente lembra mais da Luluzinha por um desenho animado antigo exibido na Globo à exaustão do que pelo gibi de onde a personagem veio.

            Entre os citados no texto, Holy Avenger e O Pequeno Ninja por exemplo são alternativas para quem gosta e se interessa por mangás, Quem Matou João Ninguém e Contos dos Orixás são publicações pra quem busca algo de interessante em quadrinhos com o tema super herói, e eu particularmente não acho que nenhuma dessas produções tenta disputar espaço com as outras obras mais famosas dos dois tipos, é ingenuidade dos autores acharem que o público vai trocar obras famosas por elas por algum tipo de apelo nacionalista. O que elas tentam a meu ver é trazer histórias que se aproximam daquilo que já atrai o público com abordagens que ao menos tentam ser únicas de alguma maneira mesmo sendo familiares, tanto que há até (às vezes excesso) referências em diálogos ou cenas a mangás ou histórias de heróis famosas.

            E sobre o Doutrinador, eu não quis entrar em detalhes sobre o que o personagem virou ou que postura ou ideologia política o seu criador adotou após algum tempo, e sim com a idéia inicial que impulsionou a criação do personagem, que surgiu sim de uma demanda popular que o criador resolveu canalizar.

          • Anubis_Necromancer disse:

            Não amigo, como falei Mônica só tem expoente pq ele monopolizou o mercado, não pq teve competição e quando havia o Mauricio mexia os pauzinhos para acabarem com ela. Afinal, quantas editoras publicaram a Turma da Mônica ao longo dos anos?
            Afinal, diferente de um Superman ser vendido para a Marvel, não existe competitividade em relação a citada.
            Mesmo quando lançaram Luluzinha aqui como um tipo de competição, não colou pq não era nacional.
            Já o da Luluzinha Jovem foi feito por aqui, não tendo similar lá fora logo a comparação é similar, mas como disse antes, o que tende a ser um sucesso é marketing. Vc viu alguma mochila ou caderno com a cara da Lulu? Agora pega a Mônica, tem uma porrada, né?
            Ou seja, quem tem mais influencia ganha a competição, ou seja monopolio.

            Ai que tá, eles continuam até hoje? Não, e sabe pq? pq o mercado é monopolizado pelo Mauricio. Quantas hqs de temáticas diferentes tivemos e só o que permanece é a Mônica?
            Até mesmo ele diversificou com outros temas, mas sempre suando a Mônica como carro-chefe.

            Doutrinador foi um produto de seu período, o período passou e agora eles tentam usar de ideologia para mantê-lo no alto. Até mesmo o filme mudou a direção da hq quando foi feito.
            Né?

  3. Tamatsuyada disse:

    Achei muito bizarro esse Goku ninja.

  4. Juarez Joestar disse:

    Eu sou amigo do cara q coloria o pequeno ninja.

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