ANMTV Entrevista: David Rayel, da legendagem ao Museu de Games

Studio Deen / TMS Entertainment / Divulgação

Um legado de família também se faz por meio da profissão. Ter sido uma criança que brincava com as ferramentas para conserto de equipamentos eletrônicos despertou em David Rayel algo que poucos fazem e que todos admiram: o processo de legendagem e o colecionismo gamer. Mas como tudo começou? O que o inspirou? Vamos conhecer um pouco mais sobre este universo, suas paixões, inspirações e mais. Todos prontos?


ANMTV: Olá David, tudo bem? Por favor, se apresente aos nossos leitores.

David: Obrigado pela oportunidade. Sou o David, tenho a mesma idade do Atari (risos). Trabalho com eletrônica por influência dos meus pais e irmãos e gosto de vídeo game e animes. Quem não gosta, né?!

ANMTV: Você foi muito bem sucedido legendando mídias em uma época que só sabiam quem era você por meio de seu pseudônimo. As legendas para mídias se tornaram seu trabalho no passado?

David: Na verdade legendar anime foi apenas um hobby. Nunca cheguei a ter algum retorno financeiro. Por ser um hobby, a gente sempre acaba gastando um bom trocado. Muitas vezes um hobby acaba virando profissão, mas não foi esse o caso.

Telecom Animation Film / Divulgação

ANMTV: É sabido que essa função nem sempre foi intuitiva como hoje, utilizando softwares técnicos e pouco atrativos. Mas ainda é possível utilizar os mesmos recursos, para a mesma finalidade. Se pudesse fazer um tutorial, o que você ensinaria para quem quer seguir nesse ramo de atividades?

David: Apesar de ser possível alguém legendar um vídeo apenas com as ferramentas disponíveis na internet, a legendagem em sim tem seus aspectos muito complexos que envolvem principalmente um domínio pleno no idioma que você dispõe a legendar. Então se você quer trabalhar profissionalmente com legendagem de anime, sim, você precisa ser fluente em japonês com certificado de proficiência reconhecido.

ANMTV: Depois de inserir a legenda, é hora de partir para o próximo passo da diversão. Quais foram os títulos que legendou para assistirmos novamente e com outro olhar?

David: Dois dos meus melhores trabalhos de legendagem (que incluiu processo de edição de vídeo bem complexo) são: Maison Ikkoku e a Rosa de Versalhes.

ANMTV: Se fosse possível, ou mesmo rentável, você legendaria old games, como aqueles clássicos cartuchos de jogos dos anos 90 em americanos ou japoneses?

David: Já tive interesse no mundo da tradução de games, mas no caso dos games, isso é chamado de localização. O processo de localização de um game inclui não só a tradução, mas também o fato de adapta-lo o para o lugar onde será lançado. Incluindo modificações técnicas no próprio jogo. O que normalmente é feito pela empresa que criou o game, com as ferramentas originais de criação do jogo, que a gente não possuí acesso.

Escola Brasileira de Games / Divulgação

ANMTV: Nossa vida nos reserva tantas surpresas e em meio a elas poder trabalhar com o que gosta é padecer no paraíso. Como se deu essa transição da função como tradutor para de colecionador de games?

David: Foi bem por acaso no começo, mas depois que eu percebi que seria possível conciliar os jogos com uma renda extra, eu me dediquei mais em aprender como o mundo dos colecionadores de games funciona para poder me “enturmar” mais e assim criar novas oportunidades.

ANMTV: “Vou fazer uma caçada gamer”. Essa é uma fala bem presente no vocabulário dos colecionadores de jogos e acessórios gamers. Pode traduzir, legendar essa experiência para nós?

David: É sem dúvida a parte mais emocionante da “brincadeira”. Você literalmente nunca sabe o que pode aparecer pra gente. Um cartucho que de um bom jogo ou um console que não se vê por ai para venda pode ser encontrado onde menos se espera. Por isso eu sempre estou buscando conhecimento sobre a história dos games para que, quando um game desconhecido aparecer nas calçadas, já se tenha uma noção do que se está adquirindo.

Acervo pessoal

ANMTV: Uma das peças mais importantes de seu acervo é um Atari e você tem um todo especial, por ser capaz de refletir nossa imagem como um espelho. Quais seriam as peças mais importantes da sua coleção de vídeo games e quantos vídeo games (consoles) você tem hoje no seu acervo?

David: Na história de quase 50 anos dos vídeo games no mundo, não se sabe ao certo quantos consoles foram lançados. Esse numero é bem relativo, mas eu acredito que existam cerca de 2500 a 3000 vídeo games diferentes no mundo entre consoles caseiros e portáteis. Na minha coleção uma peça em especial é sem dúvida o primeiro video game dom mundo chamado Magnavox Odissei. Além dele também tenho muito carinho pelo Sega Saturn e pelo Splice Vision (console brasileiro raro). Hoje tenho cerca de quase 200 consoles de vídeo games diferentes.

Acervo pessoal

ANMTV: “Museu do Game Itinerante” e “Meu Primeiro Vídeo Game” trata-se de um sonho realizado a partir de Mongaguá, São Paulo. Você pretende viajar pelo Brasil para mostra-la a mais pessoas?

David: Quando se coleciona algo, seja tampinhas de garrafas, figurinhas, vídeo games, CDs de música ou qualquer outra coisa, o que mais da prazer para o colecionador é sem dúvida mostrar para as outras pessoas aquilo que você trabalhou muito pra ter. A melhor forma de fazer isso é levando sua coleção em forma de exposição. Porem fazer uma exposição de uma coleção é um trabalho muito complexo e que envolve conhecimento profissional técnico, de logística, cuidado de conservação, além de ser caro. Trabalhar no museu do vídeo game do Cleydson Lima como técnico me traz um know how muito específico que eu não conseguiria em nenhuma faculdade. Por fim, toda essa habilidade pode ser aproveitada no futuro na minha exposição chamada “meu primeiro vídeo game” que um dia pretendo levar a todo o Brasil.

Acervo pessoal

ANMTV: Esse é um universo realmente fascinante, trabalhar levando a sério algo que mantenha o encanto da diversão dos gamers e espectadores. Qual o aprendizado que fica diante da experiência de estar tão ligado aos videogames?

David: Habilidade em trabalhar em uma área da eletrônica (voltada aos video games), colecionar video games (estudando sobre a sua concepção e história) e trabalhar com o público através das exposições. Essa experiencia é sem dúvida bem desafiadora e eu vou ter muita história pra contar pros netos (risos)

ANMTV: Quem te conhece, sabe o quão grato é ser filho da Dona Roseli Bovolin, com quem divide tanto em comum em meio à eletrônica e informática. Para descontrair responda: Vai chegar para ela e dizer: Mãe, tô no ANMTV?

David: Mãe, tô no ANMTV!!!!!! (risos)

Agradecemos imensamente pela entrevista concedida por David Rayel. Para quem quiser viver a nostalgia, pode encontrar mais detalhes em seu perfil pessoal ou através do e-mail ([email protected]), para conversar e saber mais sobre o que está por vir em eventos gamers.

2 respostas para “ANMTV Entrevista: David Rayel, da legendagem ao Museu de Games”

  1. Jhonatan, O estudante disse:

    Adorei a entrevista, não conhecia o trabalho do David.

    • Lindemberg Pereira dos Santos disse:

      Ele e tantos outros profissionais da legendagem, tão importantes quanto os dubladores, estão por aí, firmes e fortes na função.
      O mesmo para localizadores colecionadores de games…

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