ANMTV Entrevista: André Rinaldi, o dublador de Viktor em Arcane

Por Lindemberg Santos em

Reprodução.

Se o assunto é dublagem, sempre haverá comentários contra e a favor de alguma atuação, escalação ou até mesmo “sério que vão dublar isso?“. Lidar com este tipo de público não é nada fácil, e por muita das vezes, não damos o devido valor, atenção ou reconhecimento aos profissionais que povoam nosso imaginário.

Novamente, o ANMTV é espaço para uma grande personalidade do ramo, André Rinaldi, com vasta experiência no universo da dublagem seja em animações, filmes, séries e mais. Sem mais delongas, vamos a isso!


ANMTV: André, se apresente aos nossos leitores e vamos começar a nossa entrevista.

André: Meu nome é André Rinaldi, sou ator fiz teatro amador e profissionalmente mesmo desde 2005, dublador desde 2007, professor de dublagem desde 2015, diretor de dublagem desde 2019. Então são aí 14 anos nessa área da dublagem específico, que é o foco aqui da nossa conversa, mas é isso aí.

ANMTV: Quando assistimos alguma mídia dublada e que chegamos a acreditar que algum personagem é real e fala nossa língua, o mérito é todo do dublador?

André: Olha! Falar que o mérito é todo do dublador…isso…não é verdade, tá? Não é verdade. O dublador, claro, é aquela pessoa que tá ali na frente do microfone, tá colocando a voz dele para aquele personagem, mas o mérito não é somente dele.

Pra começar tem um dos trabalhos, uma das funções do diretor é explicar o que é aquele personagem, o que tá acontecendo na cena, pra que o dublador possa chegar na melhor intenção daquela cena, daquele personagem pro ator, pro dublador. Então o dublador não tá fazendo isso sozinho, já vem com esse auxílio do diretor, que tem a visão macro da coisa, dos outros personagens, do produto de uma forma geral e é claro, também do técnico de som. Temos o técnico de captação que tá dentro do estúdio, que vai ver se tá tudo certo, se não embolou alguma palavra, que as vezes a gente tá falando e embola alguma coisa e não percebe. Ele tá muito atento a isso, já vai ver ali o sincronismo mais próximo, se tá certo ou não, se tá no lugar ou não. E depois disso ainda vai pra uma pré-mixagem em si, que vai ajustar minuciosamente, se ficou certinho, se ficou curtinho, se precisa regravar. Tem toda essa equipe.
Então, por isso eu falei, não é só do dublador não. Ele tá lá, mas tem muita gente com ele.

ANMTV: Tem muita gente que, ao conhecer o mundo da dublagem, se vê capaz de exercer essa profissão, mas esquece que antes precisa subir em palcos ou por a cara na TV interpretando personagens. Como foi sua trajetória até ser o André Rinaldi dublador?

André: A minha trajetória começou bem antes da dublagem, na verdade. Eu sempre fui uma pessoa muito tímida, na escola.. na vida (risos), ainda sou e aí veio aquele papo de:

– Ah, porque você não vai fazer teatro? Aí você vai deixar de ser tímido…

Então eu comecei a fazer teatro por causa disso, pra ver se eu conseguia me desinibir, ser mais espontâneo etc. E aí a gente descobre que não é bem assim que a coisa funciona. Na verdade, o teatro ajuda sim e muito, mas é porque ele te dá ferramentas pra você conseguir contornar algumas situações. Você não deixa de ser tímido. Eu continuo sendo uma pessoa tímida. Só que na época da escola eu travava se tivesse que apresentar um trabalho diante da turma, eu não conseguia falar. Hoje em dia, se eu subir num palco, falar, me apresentar, ler um texto, fazer uma palestra, alguma coisa assim, eu consigo fazer sem problema nenhum.

Foi nessa época do teatro que conheci Cavaleiros do Zodíaco, Yuyu Hakusho, os animes que eram sucesso na TV Manchete, e foi quando passei a me interessar em animes e foi quando eu me toquei: puts, dublagem! O que é isso! Alguém dá voz para esses personagens em português! Eles não falam português sozinho! Alguém tem que colocar aquilo ali… E foi aí que eu comecei a ir atrás e pesquisar o que precisava fazer. Foi quando começou meu processo com a dublagem em si.

Reprodução.

E então depois disso eu fui procurar cursos livres de teatro, profissionalizantes de dublagem, que na época não existiam, isso surgiu depois, na DuBrasil em 2006. Mas muita coisa rolou nesse meio tempo. Eu deixei o teatro de lado e fui fazer Faculdade de Rádio e Televisão, então a vida aconteceu (risos) e entrei na dublagem quando eu tinha 25 anos, com registro profissional. Demorou um tempo pra eu ir pra dublagem mesmo.

E aí é quando começa. Trabalho de formiguinha mesmo e eu gosto de falar isso até nas aulas: “A dublagem é viciante. Você começa a brincar daquilo de colocar a voz e se ouvir em um personagem completamente diferente de você, e aquilo é tão gostoso de fazer… e aí vai, né?” O trabalho de formiguinha de se apresentar nos estúdios para um novo diretor.

– Olha, eu tô aqui, precisando…

– Olha, minha voz (assim, assado)

Tudo de uma forma profissional. Querendo apresentar seu trabalho ora querer conseguir cada vez mais espaço e tal. E aí esse é um trabalho que continua o tempo todo, não para. Sempre tem um estúdio que você nunca trabalhou e que de repente vão te chamar

ANMTV: Um universo maravilhoso é sem dúvida os bastidores de qualquer produção. Um ambiente que transforma salas e corredores em verdadeiros laboratórios de criação que colabora com cada áudio captado para dublagem, mas também é uma prática que requer inúmeros cuidados com seu instrumento de trabalho, a voz. Como você cuida da sua?

André: Olha! Vou te falar que eu devia cuidar mais (risos)!

Uma coisa que é sempre importante, que a gente sempre faz e fala nas nossas aulas e eu procuro tomar esse cuidado antes de ir para um trabalho, é o aquecimento vocal. Então a gente nunca sabe o que vai fazer, quem vai dublar, um personagem que fala baixo ou um que fica gritando. Quando você chega para um trabalho, você não sabe o que é, tem que ter se preparado pra isso. O aquecimento vocal antes de ir para um trabalho é muito importante.

E aí vem o básico do básico que são aqueles exercícios que a gente aprende em aulinha de teatro, mas já ajuda bastante em fazer o aquecimento, mas uma grande ajuda sim é essa que na verdade eu tô em dívida comigo mesmo, que é o de ter o acompanhamento de uma Fonoaudióloga que ajuda a trabalhar, não cansar o nosso instrumento de trabalho. Ter esse acompanhamento mais profissional dentro do trabalho.

Algo muito importante, uma coisa que poucas pessoas falam, é o desaquecimento vocal. Porque depois você fica, sei lá, numa escala de 3 horas falando, gritando ou sabe-se lá mais o quê, quando você termina essa escala você precisa fazer a sua voz voltar ao normal. Então tem alguns exercícios para que isso aconteça, pra você relaxar as pregas vocais, seu sistema todo, pra voltar a falar normalmente, tirar aquela tensão toda depois de 3 horas de trabalho ou mais (às vezes). Mas esse é o cuidado que eu tenho, que passo para os alunos também no nosso curso, o acompanhamento de uma Fonoaudióloga então eles “já começam um passo a frente aí da gente” (sussurro)

ANMTV: Recentemente, o Ministério da Educação, por meio da proposta Re-saber, vem oferecendo condições aos cidadãos para apresentar o conhecimento prévio em todas as áreas profissionais, comprovações em experiências práticas, o que de formação acadêmica proporciona. Você vê condições semelhantes para talentos espalhados por aí para tirar o Registro Profissional de Artista?

André: A Delegacia Regional do Trabalho que associamos de chamar de d.r.t. emite o Registro Profissional de Artista e de Técnicos em espetáculo, na função de ator ou atriz e é isso que a gente tem para trabalhar com dublagem.

Aí você falou de governo, né? O que obriga o registro profissional de artista, ator/atriz para trabalhar com dublagem é o setor da dublagem. É o acordo coletivo firmado entre o SATED (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões) e as empresas que trabalham com dublagem. Não é uma questão governamental, é uma questão do mercado de dublagem.

É uma coisa que já vem acontecendo há algum tempo com algumas profissões como a de músico, jornalistas, que é a não obrigatoriedade desse registro profissional. No caso, o que eu vejo pra dublagem, a médio longo prazo, que não dá pra prever quanto tempo isso levaria, se isso deve chegar no artista também. É uma coisa que vem acontecendo, acredito que não aconteceu ainda pro artista, pro ator e pra atriz, além de outras áreas por questões de lobby, de pessoas famosas dentro do governo ou influenciando de alguma forma esse tipo de decisão, mas eu acredito que isso deva acontecer por ser uma tendência quem vem desde outras profissões.

A questão da obrigatoriedade do registro é uma coisa do mercado“. Então aí, além da questão governamental de quebrar o registro, o mercado vai ter que aceitar isso, algo somente através de acordos coletivos e assembleias e eleições. Então é um pouquinho mais chatinho aí, acredito eu.

Eu fui dar uma pesquisa rápida aqui nisso que você colocou do Re-saber, eu já tinha visto essa propaganda da abelhinha fazendo mel (risos) mas eu não tinha me ligado nesse conteúdo. Eu acredito que a questão artística pode sim entrar até nessa questão do Re-saber. Aí é uma questão governamental desse projeto, mas o artista talvez possa entrar sim pois tem muita gente como eu mesmo comecei em teatro amador e depois fui me profissionalizar. Mas acredito que possa ser que em algum momento o profissional artista entre, se é que não está no projeto dessa lei aí.

A lei 6533 que é a lei do artista prevê isso também. Se você já tem um trabalho, mesmo que de forma amadora, você junta seus trabalhos, leva até o sindicato e pode ser que tire o registro profissional.

Ministério da Educação / Divulgação

ANMTV: Agora gostaríamos que você resgatasse aquela memória de quando encerra seus trabalhos em um dia qualquer, talvez da dublagem de Arcane ou talvez alguma atuação na TV. Você por exemplo passa na padaria, encontra um amigo e começa a conversar. Já aconteceu de alguém te interromper dizendo que te conhece da TV ou algo parecido?

André: Olha, isso é coisa que nunca aconteceu não (risos), ia ser interessante. Mas nunca aconteceu de alguém parar porque percebeu a voz ser de algum personagem. Aconteceu de depois de saber que eu era dublador a pessoa falar:

– Ái, que legal! Puts! Eu acho que já ouvi sua voz em algum lugar!
Mas aí eu também já nem sei se a pessoa só tá sendo, querendo ser, tentando ser educada, mas isso nunca aconteceu.

O que já aconteceu, essa foi bem interessante, mas aí não tem nada a ver com dublagem. Foi por causa de uma propaganda que eu fiz pra Zap Imóveis. É uma propaganda que só eu apareço, dirigindo um carro, que passou bastante em horário nobre na TV Globo, no intervalo da Fórmula 1, então eu fiquei bem exposto nesse sentido. E aí eu estava entrando em uma loja no shopping, essas lojinhas de bugiganga, eu estava dando uma olhada e a pessoa que estava no caixa ali, ficava olhando e olhava pra tela e de repente ela veio assim:

– Dá licença! É você aqui nessa propaganda?

Aí eu fui olhar na tela e eles estavam assistindo a propaganda. Tinham aberto o You Tube pra colocar a propaganda pra assistir (risos) e lá estava a minha cara na tela:

– É, sou eu sim, sou eu sim…

E aí eu fiquei vermelho pra caramba, como eu falei que a gente não deixa de ser tímido e eu não estava preparado pra isso. Foi uma história bem interessante, mas voltando por causa da voz, ainda não aconteceu não. Quem sabe!

Acervo Pessoal

ANMTV: Vemos que gradativamente as animações são exibidas de variadas formas e algumas ainda são realizadas por base de outras mídias como livros, quadrinhos e até mesmo games como o caso de Arcane. O quanto Viktor tem do brasileiro André Rinaldi em colaboração com a animação mundialmente conhecida?

André: Ele tem a voz! (risos) Não, eu tô brincando.
É lógico, ele tem a voz mas, cara, cada personagem tem um pouco da gente, né? Como eu já falei aqui respondendo outras questões:

Eu sou uma pessoa tímida“, sempre fui. E essa questão introspectiva no Viktor, pra mim foi muito natural. Então entender as questões dele, a forma como ele trata, como ele foi tratado. Tem a frase que fala: Eu sempre fui… (me fugiu o texto agora), mas é aquela cena que ele tá conversando com o Jayce, né? Ele sempre foi um excluído. Não me lembro se era esse o termo… assim, por que ele sempre foi excluído desde que pisou em Piltover.

Eu passei por muita coisa assim pelo meu jeito introspectivo e que tem um lado bom, eu pude levar isso para o personagem com muito mais naturalidade, então isso foi muito legal. O nosso trabalho é fazer, o que o original já fez. É ir buscar aquela intenção, aquela forma, só que em português, mas não tem como: a gente sempre leva um pouco da gente, sempre muda alguma coisa, sempre modifica. Não tem como não modificar a partir do momento que a gente tá fazendo uma versão brasileira. Então todo personagem tem um pouco da gente.

E poder brincar com o Viktor, chegar na energia dele, e aí a voz é diferente, mais pra baixo, mais solene. Foi muito divertido de fazer, foi muito gostoso, eu tive que brincar um pouco, assim como em outros personagens que podem ser o oposto. Então tem um personagem que eu fiz agora, recente no The Vampire Dies in No Time que é um vampiro louco, que grita, que fala besteira, sabe? É outra energia. O Ohkabe que eu fiz em Steins;Gate, que tem 2 momentos, 1ª e 2ª temporadas completamente diferentes, dois personagens completamente diferentes em cada temporada e poder brincar, chegar junto com eles e entregar da melhor forma possível. E finalizando essa questão, eu só posso dizer sim. Como eu disse:

Entregar da melhor forma” e eu espero estar alcançando isso, eu tô fazendo o melhor que eu posso e espero estar conseguindo passar isso. Que as pessoas assistam e reconheçam, voltando lá na outra pergunta, e não perceba que está dublado, simplesmente assistam. Porque a boa dublagem, é meio clichê essa frase, mas a boa dublagem é aquela que passa desapercebida, é aquela que as pessoas simplesmente assistem. Porque se elas repararam alguma coisa é porque não tá legal, alguma coisa chamou a atenção e tirou do produto, do filme, do desenho ou seja o que for.
Então se eu estiver conseguindo fazer isso eu fico muito, muito feliz.

Netflix / Divulgação

ANMTV: A pandemia afetou a vida de todos, interferindo principalmente em nossos afazeres para obedecer às regras sanitárias e de distanciamento. Em seu caso é possível definir como era trabalhar em estúdio antes e nesse momento que ainda estamos vivendo?

André: A pandemia trouxe uma evolução para o setor da dublagem. Nunca antes havia se pensado ou se havia, foi descartado a possibilidade da gravação remota. Sempre foi pensado, talvez até por uma questão de se manter o status quo de que a gravação poderia ocorrer dentro do estúdio de dublagem da empresa, para ser mais preciso.
Mas a pandemia e suas normas de segurança fizeram com que a gente precisasse repensar o nosso setor. Com isso veio a necessidade da gravação remota. Algumas pessoas do mercado já tinham home studio por fazer trabalho para outras áreas como locução, por exemplo, mas eram pouquíssimas.

Então, com a pandemia e a necessidade dos trabalhos acontecerem mas não tendo como, o home studio, o estúdio caseiro (risos) falando em português, o “estúdio em casa” e daí a gente foi atrás dessa nova forma de trabalhar. Com isso para a dublagem foi, eu vejo pelo menos, como um grande salto. Porque a gente se desvinculou um pouco da necessidade de ir até determinado estúdio. Se pensar aqui em São Paulo por exemplo, você tem um estúdio em um canto da cidade e um outro em canto, esse tempo de deslocamento, transito, combustível, tudo isso gera custos, estresse e tudo mais. Hoje em dia você pega uma escala na Dublavideo que está na Lapa e você pega, na sequência, coisa de 5 minutos na Tv Group do outro lado da cidade. É claro que com isso vem questões de qualidade de áudio também.

Teve gente que comprou cabine, outros que não tinham como comprar naquele momento, montando um estúdio improvisado, fazendo o possível pra ter um pequeno tratamento acústico pra gravação. Teve gente que montou um estúdio em um cômodo da casa com os tratamentos devidos. Realidades diferentes em cada um e equipamentos diferentes que aumentou o trabalho dos técnicos na hora de equalizar todos esses sons diferentes, que ele precisa ajeitar, pois quando estava tudo dentro do mesmo estúdio era mais tranquilo.

ANMTV: Aos poucos os eventos geeks estão retornando. Ambiente em que encontramos personagens conhecidos em forma de cosplayers, colegas de trabalho palestrando e tudo mais que esses eventos oferecem. Descreva para nós o que é ser parte do motivo das pessoas virem de todo canto do mundo para ser o que você e tantos outros profissionais são capazes de fazer:

André: Sobre os eventos, a primeira coisa que eu tenho a dizer é:

“Tô com saudade!” (Risos)
“Me chamem!!”

Assim que puder, que voltar, me chamem! Cara, é muito maluco, porque eu também sou fã de anime, de dublagem. Eu comecei a entender de dublagem indo em eventos, na época no bairro da Liberdade e depois no prédio da Gazeta, eu sempre fui em eventos: AnimeCon, Anime Friends, CCXP, vários eventos que já fui como fã. E também já fui em eventos como…como…ahh qual é a palavra? Como atração! (risos)

Eu já viajei pra dar palestra em eventos falando de dublagem e é muito maluco as pessoas irem lá pra ver e ouvir você, inclusive fazer o bordão, um golpe de algum personagem e ao mesmo tempo é muito legal ver aquelas pessoas que estão ali curtindo o seu trabalho… isso é muito louco! E os cosplayers né? É muito legal ver as pessoas se dedicando a fazer, homenagear aquele personagem que eles gostam.

Reprodução.

ANMTV: Em qualquer lugar que se vá, sempre encontramos alguém que sonha ser dublador. Em nossa equipe encontramos também quem atende aos pré-requisitos. Qual a dica que você dá hoje para os futuros dubladores?

André: Para os futuros dubladores eu digo: Estudem! Se preparem! O mercado hoje é completamente diferente do que ele era há 2 anos. A gente ainda não sabe muita coisa do que vai acontecer com relação à pandemia. Os trabalhos presenciais já estão voltando, há algum tempo. A relação de dublador com o estúdio está diferente.

Hoje em dia, a grande maioria das escalas que eu faço, posso dizer que 90% são remotas. Tenho que ter o meu equipamento, meu cantinho, um estúdio, uma cabine. Essa é uma nova realidade que já estamos vivendo. No que eu falei na questão de “estudar”, na questão de se preparar no teatro, porque aquilo que eu falei sobre o “registro profissional, pode cair ou não, não sei quando ou se cair” (risos), mas é um trabalho de ator, que você tem que representar um personagem, uma pessoa que não é você necessariamente. Você tem que ter as ferramentas pra fazer isso, se conhecer e saber acessar determinadas emoções pra chegar pra chegar na emoção que o personagem passa na tela. Esse estudo é muito importante, por mais que você não tenha o registro, (aquela questão de novo do registro), mas o estudar teatro, você saber como funciona em você e isso para cada pessoa é diferente.
E depois disso, procurar um curso de dublagem, que não são obrigatórios para entrar no mercado de trabalho, mas eles são uma gigantesca porta de entrada. Porque você vai conhecer pessoas, ver como se faz, não vai chegar “cru” dentro de um estúdio quando te chamarem para um trabalho, vai saber como funciona, ter ideia das técnicas e tudo isso é lapidado com o tempo, né? Eu falo:

Ninguém aprende dirigindo na auto escola, você aprende a dirigir no trânsito“. A dublagem é a mesma coisa:

Você aprende as técnicas, mas você vai aprender mesmo a dublar, dublando, treinando, fazendo“. E isso também é legal porque daí você já chega mais preparado pro mercado de trabalho.

ANMTV: Agora aquela pergunta final para descontrair: Qual o seu personagem favorito?

André: O meu personagem preferido, hmm… por um lado é complicado porque eu já fiz muita coisa, desde pontinhas até personagens principais. Tem coisa pequena que eu gostei muito de fazer.

Arcane, hoje em dia é o que tá me dando muito retorno, vamos dizer assim. Muita gente me adicionando em redes sociais, vindo falar comigo pelas redes e dizer que gostou do trabalho. É lógico, o Viktor tem um lugar especial nessa questão, mais um que gostei de fazer, que eu pude brincar, é o Ohkabe, de Steins;Gate. Porque foi muito legal entrar na mesma energia que ele, que não é fácil. O trabalho do seiyū Mamoru Miyano, o “dublador”, a voz original do Ohkabe, ele brinca muito, tem momentos de agudo, de grave, risadas de cientista louco, buscar essa energia foi muito legal, aprendi muito fazendo esse personagem. Inclusive fazer ele me ajudou também no Viktor, porque o Ohkabe, da primeira para a segunda temporada, são personagens completamente diferentes. Ele é todo cientista louco primeiro e ele é todo mais… pode se dizer “depressivo”, contido logo depois. Então fazer ele na segunda temporada foi o que me levou a chegar até mais fácil na energia do Viktor, de Arcane.

Em todo trabalho a gente vai aprendendo alguma coisa também, isso vai levando e vai melhorando cada vez mais para os outros trabalhos que temos. Então o Ohkabe foi o que me deu altos e baixos e agradeço por esse trabalho.


Agradecemos imensamente a André Rinaldi, um exímio dublador, por nos conceder essa maravilhosa e enriquecedora entrevista.

Você encontra pode encontra-lo imediatamente em suas redes sociais pelo Facebook e Instagram.

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