Animes estão perdendo popularidade entre o público mais jovem no Japão

P.A Works / Divulgação

De acordo com informações obtidas por um relatório japonês publicado no último dia 2 de janeiro (via Third News), a indústria de animes pode estar diante de um de seus dilemas mais delicados de se lidar ao longo de 2026: a consolidação do público que cresceu tendo contato com tais produções durante as décadas de 90 e 2000, já adulto, e um aparente declínio de interesse pela parcela mais jovem, ao menos se tratando dos japoneses.

O estudo, é creditado ao analista de dados Keisuke Yotsudo da companhia SevenDayDreamers e ao produtor Yusuke Onuki, da empresa Bushiroad Move, e foi realizado através de uma pesquisa de informações sobre visualização de conteúdos audiovisuais em território nipônico durante o ano de 2025.

Segundo o documento, pode haver uma tendência de que nos próximos anos sejam feito mais remakes e reboots baseado no sucesso de animes como Yaiba: Samurai Legend e Cat’s Eye, que provocaram bastante engajamento entre os espectadores nipônicos em plataformas digitais.

A base para tal constatação, partiria de uma percepção de que pessoas com idade entre 30 e 40 anos possam representar uma força econômica importante para movimentar a indústria, tornando tal alternativa uma aposta segura para os produtores do segmento.

Porém, ainda com base no que foi investigado, Onuki aponta que embora os mais jovens não estejam abandonando completamente a preferência por animes, há uma clara disputa pela atenção do público que está sendo perdido pelo aparente entretenimento rápido e “instantâneo” oferecido pelas redes sociais, além de uma sensação de saturação da oferta de produções com fórmulas semelhantes uma às outras, como séries de “isekai” e battle shonen.

Contudo, mudanças nos padrões de consumo também foram observadas pegando por base o comportamento dos consumidores que assistiram animes como Takopi’s Original Sin, Mobile Suit Gundam GQuuuuuuX e Galaxy Express Milky Subway.

Enquanto os dois primeiros citados capturaram o interesse do público já a partir de seus primeiros episódios, o último obteve um crescimento gradual graças a estratégias que envolviam diretamente tanto o uso de plataformas de streaming quanto a divulgação boca a boca, o que indicou que o sucesso obtido já nas primeiras semanas de exibição não será necessariamente crucial para o bom êxito de uma produção.

Com base em tais observações, haveria alguma probabilidade de que profissionais da indústria possam inferir que narrativas que encorajam a capacidade de interpretação da audiência possam também estar propensas a se destacar com ainda mais intensidade, uma vez que alguns deles conseguem prosperar mesmo sem campanhas de marketing agressivas para promovê-las.

Tal linha de pensamento, “casaria” com as palavras do produtor Onuki sobre o assunto, que diz que: “Em um período onde estimulação é oferecida massivamente nas redes sociais, conteúdos de animes medianos não conseguirão vencer a disputa pela atenção.”