Análise: Yakuza Kiwami 1 & 2 – De Kamurocho a Sotenbori, um legado reconstruído

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Minha experiência com a série Yakuza começou de forma relativamente recente: joguei apenas Yakuza 0 Director’s Cut (leia nossa análise aqui), escolhido justamente por ser o ponto de partida cronológico da saga. Funcionou perfeitamente como um prólogo, revelando eventos que antecedem Yakuza Kiwami 1 e 2, e foi ali que me apaixonei pela mistura única de narrativa intensa, personagens marcantes e caos desmedido típico da franquia. Com isso, parti animado para os remakes de jogos lançados originalmente em 2005 e 2006, e posso adiantar que não me arrependi. Há ressalvas aqui e ali, mas nada que estrague a força dessa dupla jogada.

Yakuza Kiwami 1 revisita a queda e o renascimento de Kazuma Kiryu, que passa dez anos preso após assumir a culpa pelo assassinato de seu chefe. Ao ser libertado, encontra uma Kamurocho irreconhecível, seus antigos aliados afastados e uma disputa sangrenta envolvendo uma quantia enorme desaparecida do clã Tojo. No centro desse caos, surge Haruka, uma garota que Kiryu tenta proteger enquanto se vê cercado por traições, conspirações e lealdades partidas.

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Já Kiwami 2 avança um ano e coloca Kiryu em rota de colisão com Ryuji Goda, o Dragão de Kansai, numa guerra que nasce de um acordo de paz fracassado e rapidamente se transforma em uma disputa territorial explosiva entre Tojo e Omi. Segredos enterrados há décadas vêm à tona e testam a determinação do protagonista de formas ainda mais pessoais e arriscadas, uma trama que amplia o peso político, emocional e físico dessa guerra entre dragões.

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No combate, as diferenças entre os dois títulos são claras. Kiwami 1 mantém o estilo clássico baseado em posturas, permitindo alternar entre Brawler, Rush, Beast e Dragon. Cada uma funciona melhor contra determinados inimigos e situações, criando um ritmo estratégico interessante que recompensa adaptação constante. O grande charme, porém, é o caótico e hilário Majima Everywhere, um sistema onde Majima aparece das maneiras mais absurdas para forçar Kiryu a evoluir.

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Em contrapartida, Kiwami 2 é um salto tecnológico evidente. A adoção da Dragon Engine entrega um combate muito mais fluido, unificado e físico. A sensação de impacto é brutal: brigas atravessam ruas, entram em lojas, derrubam prateleiras e destroem ambientes sem telas de carregamento, aproximando o jogo de um realismo impressionante e elevando a imersão a outro patamar.

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Ambos os títulos mantêm a alma da série com seus incontáveis minijogos e atividades. Kamurocho e Sotenbori transbordam vida, oferecendo karaokê, boliche, arcades, corridas de Pocket Circuit, cassinos, golfe, beisebol, gerenciamento de negócios, hostess clubs e dezenas de histórias secundárias que vão do absurdo ao profundamente emocional. Em Kiwami 1, o sistema de gerenciamento imobiliário acrescenta mais camadas à rotina de Kiryu.

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Em Kiwami 2, além do salto visual evidente, com modelos mais realistas, movimentação mais natural e ambientes mais destrutíveis, temos a expansão do conteúdo ligado a Majima, incluindo um modo próprio que explora lacunas entre os dois jogos. É esse tipo de riqueza de conteúdo que mostra porque Yakuza nunca foi apenas sobre pancadaria: é um universo vivo que celebra exagero, humor, drama e humanidade como poucos.

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Vale também destacar o carinho colocado nas localizações em português. Os originais não tinham esse suporte, e a chegada de legendas em PT-BR, mesmo que com alguns pequenos erros de ortografia, melhora significativamente o entendimento de uma narrativa densa, cheia de nuances culturais e diálogos marcantes. Somado ao desempenho estável em 4K a 60FPS, a experiência geral fica muito mais acessível, fluida e envolvente.

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No fim das contas, Yakuza Kiwami 1 & 2 formam um pacote coeso e emocionante, mostrando a evolução natural da saga tanto em narrativa quanto em mecânicas, entregando dois remakes que honram seus originais ao mesmo tempo em que abraçam o que a franquia viria a se tornar. Não são perfeitos, mas são profundamente marcantes e essenciais para qualquer fã que queira acompanhar a trajetória de Kiryu com respeito à sua cronologia.

Nota: 8,5/10.

Yakuza Kiwami 1 e 2 está disponível para Nintendo Switch 2, Xbox Series X/S, PlayStation 5 e PC (via Steam).

Agradecemos a SEGA pelo envio do material. A análise foi feita na versão para PlayStation 5.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*