Análise: Yakuza 0 Director’s Cut – O ponto de partida ideal da franquia

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Eu sempre quis entrar na saga Yakuza, muito por saber que seria uma experiência especial, diferente, intensa.. mas nunca tive a oportunidade, e principalmente o tempo, para mergulhar de vez em uma franquia com mais de 15 jogos, incluindo spin-offs. Yakuza 0 Director’s Cut surge exatamente como esse ponto de partida inicial e ideal, funcionando não apenas como uma porta de entrada, mas como uma apresentação envolvente desse universo. Foram mais de 50 horas apreciando um mundo muito bem construído, com narrativa poderosa e muita porradaria no melhor estilo beat ‘em up, e é com essa bagagem que começo esta análise, esperando que ela também sirva de convite para quem, assim como eu, sempre teve curiosidade em conhecer essa saga.

Yakuza 0 Director’s Cut é a versão definitiva do aclamado prelúdio da série, ambientado no Japão dos anos 80, acompanhando o início da jornada de Kazuma Kiryu, em Tóquio, e de Goro Majima, em Osaka. A trama se desenvolve a partir de duas histórias paralelas que se entrelaçam de forma orgânica, abordando temas como poder, lealdade, ambição e traição, tudo embalado em um drama criminal denso e cheio de personalidade. Nesta versão, a experiência é expandida com cenas inéditas e a adição de um modo cooperativo online, aprofundando ainda mais o conteúdo do jogo original.

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Kiryu é um jovem yakuza que acaba incriminado por um assassinato envolvendo um terreno baldio altamente disputado pelo clã Dojima. Para proteger seu mentor, ele é forçado a abandonar sua família e se vê envolvido em uma conspiração muito maior, tentando limpar seu nome enquanto busca proteger a verdadeira dona do terreno, Makoto Makimura. Já Majima, afastado à força da Yakuza, gerencia o Grand Cabaret em Sotenbori sob constante vigilância, até receber uma missão sombria que pode lhe garantir o retorno à organização, colocando à prova seus limites e os sacrifícios que está disposto a fazer.

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A narrativa é, sem exageros, espetacular. Tudo é muito bem detalhado e conduzido ao longo de toda a campanha, com um mundo coeso e personagens que não estão ali apenas para preencher espaço: todos têm sua importância dentro da trama. Um dos pontos que mais agradam é a quantidade de reviravoltas, sempre bem explicadas e conectadas, enriquecendo a história e mantendo o jogador constantemente envolvido e surpreso. Yakuza 0 deixa claro desde cedo que não é apenas um jogo de pancadaria; a história é o grande motor da experiência, e ela entrega momentos fortes, emocionais e memoráveis.

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Falando em pancadaria, o combate é extremamente divertido e satisfatório. Cada protagonista conta com três estilos de luta diferentes, que podem ser alternados livremente durante a gameplay, permitindo ao jogador se adaptar a cada situação ou simplesmente escolher o estilo com o qual se sente mais confortável. Kiryu possui os estilos Briguento, Ímpeto e Fera, enquanto Majima conta com Arruaceiro, Batedor e B-Boy. Apesar dos nomes distintos, a lógica é semelhante para ambos: um estilo mais balanceado, um focado em ataques pesados e outro voltado para golpes rápidos e ágeis. O sistema de progressão é baseado em dinheiro, algo bastante condizente com a temática do jogo. Você ganha grana derrotando inimigos, concluindo atividades secundárias, vendendo itens e administrando negócios, e esse dinheiro é usado para desbloquear habilidades, aumentar a vida dos personagens e liberar novos golpes.

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O mundo do jogo é extremamente imersivo, e muito disso se deve à quantidade e variedade de atividades secundárias. Kiryu atua em Kamurocho, enquanto Majima explora Sotenbori, duas cidades vibrantes, cheias de vida e personalidade. As atividades surgem de forma natural conforme você anda pelas ruas, incentivando a exploração sem parecer forçado. Há uma grande variedade de minigames clássicos, como karaokê, boliche, beisebol, jogos de azar, cassino e mahjong, além de atividades exclusivas de cada cidade, o que evita redundância e mantém a experiência sempre fresca.

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Soma-se a isso a administração de negócios, com o Cabaret Club Sunshine para Majima e a Imobiliária Tachibana para Kiryu, sistemas bem elaborados que funcionam quase como jogos à parte, ideais para quem gosta de gestão e também uma ótima forma de arrecadar dinheiro para investir em habilidades e upgrades.

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O Director’s Cut também adiciona o modo online Red Light Raid, que funciona de maneira simples e direta: um modo para um ou mais jogadores em que se escolhe um personagem e se enfrenta hordas de inimigos. A proposta é clara e objetiva, servindo como um complemento ao conteúdo principal.

Um ponto que merece destaque, ainda que com ressalvas, é a localização em português do Brasil. A existência da localização é algo a ser comemorado, especialmente em um jogo tão narrativo, mas infelizmente ela chega acompanhada de diversos erros gramaticais, problemas de concordância, falhas de ortografia e até erros nos menus, incluindo nomes de estilos de combate localizados de forma incorreta. No geral, a localização cumpre seu papel, mas fica claro que faltou um controle de qualidade mais rigoroso para revisar o resultado final. Considerando a importância da narrativa para a experiência, esses ajustes seriam fundamentais e, quem sabe, possam ser corrigidos em futuras atualizações.

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Mesmo sendo minha primeira experiência com a franquia, já era conhecido um detalhe clássico do jogo original lançado em 2015: a necessidade de se deslocar até cabines telefônicas para salvar o progresso. Felizmente, isso foi alterado nesta nova versão. Agora é possível salvar a qualquer momento pelo menu de pausa, além da presença de auto save, uma mudança muito bem-vinda que torna a experiência mais fluida e moderna.

Yakuza 0 Director’s Cut é um jogo completo, envolvente e marcante, funcionando perfeitamente como porta de entrada para a franquia e também como uma versão definitiva de um dos títulos mais importantes da série. Com uma narrativa forte, personagens memoráveis, combate divertido e um mundo rico em atividades, o jogo entrega uma experiência que justifica plenamente sua fama.

Nota: 9/10.

Yakuza 0 Director’s Cut está disponível para Nintendo Switch 2, Xbox Series X/S, PlayStation 5 e PC via Steam.

Agradecemos a SEGA pelo envio do material. A análise foi feita na versão para PlayStation 5.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*