
Em 2025, observamos a chegada da temporada final de Stranger Things, um dos maiores sucessos da Netflix e uma das poucas séries que foi capaz de furar a bolha e unir diversas tribos. Para este momento solene, a trama foi dividida em três volumes que chegaram em novembro, no Natal e na noite de ano novo.
De uma forma geral, a última temporada concluiu de forma digna sua história. Deu um pouco de orgulho ver estes personagens crescerem e se tornarem os heróis de sua pequena comunidade. Mas, para melhor compreensão desta análise, irei separar os tópicos por volumes.

Volume 1:
Este início serviu como uma apresentação de Hawkins, agora como uma cidade em quarentena pelo exército e com sua população tentando seguir com a normalidade local. No entanto, sentimos aquele sentimento de urgência no ar, entende? As coisas caminham de um jeito quase angustiante e observamos essa frustração no grupo principal formado por Mike, Onze, Will, Lucas, Dustin e os demais.
Quem acaba brilhando nesta primeira parte é Holly, irmã caçula de Mike e Nancy. A menina torna-se o centro após Vecna decidir que a pequena será parte de seu objetivo final. Este fato nos traz aquela sensação da primeira temporada, com crianças em perigo e assumindo o comando da aventura.
Ainda assim, eu achei esse começo de temporada menos interessante que o começo da temporada 4 – onde vemos o surgimento do vilão, a tensão ocasionada pelas horas e a aparição de um grande relógio, sem falar da necessidade de uma música para evitarem a morte. Isso foi algo original e empolgante.
Mas o final deste primeiro volume foi uma grande surpresa, Will se destacando e mostrando sua importância para a trama como um todo foi deslumbrante de assistir. A série sempre o deixou no centro – mesmo com o heroísmo caindo no colo da Onze – e aquela cena me fez surtar na cadeira.
Por falar na Onze, a jovem paranormal ficou deveras apagada e sem brilho nestes capítulos. Senti falta de sua interação com os demais, mesmo com ela estando ativa e pronta para a luta.

Volume 2:
Onde é que vocês viram ritmo lento e pouca ação nestes três episódios do volume 2? Eu iniciei esta parte dias após sua estreia e algumas leituras de muitos comentários negativos nas redes sociais.
Diferente da opinião alheia, achei que esta segunda leva apresentou um ritmo dinâmico e mais atrativo que a primeira. Ela conseguiu finalmente explicar o que é o Mundo Invertido de um jeito prático e interessante, sem deixar que este conceito confundisse o público e dificultasse o entendimento nesta altura do campeonato. Algumas interações nesta parte também são essenciais para a construção do que vemos no final.
O episódio 7 ‘The Bridge’ ou ‘A Ponte’, também apresentou uma boa construção de cenários e – nem de longe – é o pior episódio, como alguns vem apontado em suas “críticas” no IMDb. A declaração do Will foi importante no desenvolvimento de suas habilidades e confiança em seu grupo, um jovem gay na década de 1980 ter aquela rede de apoio é algo formidável e que, infelizmente, não era comum. Não é comum em 2025, quem dirá em 1987. Diversidade existe, meus caros, e vocês precisam aprender a lidar com este fato. Não vai mudar.
É curioso também é que descobrimos o brilhante plano do Vecna. Simplesmente, ele quer fundir o planeta destes monstros com a Terra. Me pergunto se a inspiração foi o famoso planeta Nibiru: se não conhece, faça uma pesquisa no Google. O mesmo também foi plano de fundo para Scooby-Doo: Mistério S/A.

Episódio Final:
Então, isso aqui é claramente um filme, 2 horas de duração e dividido de uma forma bem interessante: começa com a urgência, tendo em vista que um mundo está prestes a colidir com a Terra, segue com mais revelações envolvendo o próprio Vecna.
Nesta parte, temos a certeza de que Henry é o mais fraco mentalmente dentre todos os ‘veículos’, por ter se deixado controlar tão facilmente, culminando na batalha derradeira – que muitos consideraram rápida, mas eu achei coerente. O retorno do Controlador de Mentes na forma de um monstro titânico e a luta de simples jovens humanos contra ele foi digna de alguma produção do Steven Spielberg.
Stranger Things, no fim das contas, é uma grande homenagem a estas grandes produções de ficção científica e filmes adolescentes dos anos 1980. Os Irmãos Duffer misturaram tudo no liquidificador e saiu esta obra maravilhosa. O capítulo final foi uma aventura completa, uma experiência quase cinematográfica e que ficará no coração dos fãs por muito tempo.

Outros Pontos:
Nem tudo é perfeito e começo falando logo que Linda Hamilton foi totalmente desperdiçada na história. Ela só aparecia para mandar fulano e ciclano “atrás da garota”, ela não teve nenhum grande destaque e os dois últimos volumes só provaram isso. Uma atriz de sua importância deveria ter tido cenas mais emblemáticas, alguma ação ou diálogo memorável. Fiquei decepcionado.
Também senti falta da Susie, mas a história deixa subentendido que ela e Dustin não são mais um casal. Aparentemente, após a morte do Eddie, o rapaz se fechou para tudo e todos e estava preocupado em deter o Vecna. Em nenhum momento ele cita a menina e, no episódio final, ele se vê deslumbrado pela garota que gostava no final da primeira temporada.
Sabemos que o protagonista de uma série é o primeiro nome que surge nos créditos, dito isso, achei maravilhoso que Joyce foi a responsável pelo golpe final no monstrão. Diante de tudo o que esta mulher passou por causa de seu filho, aquela cena foi digna de uma final girl e lavou a alma de todos aqueles que sofreram na mão do louco vermelhão.

Esta temporada passou uma sensação de ter sido escrita na correria, com o clima de urgência em finalizar a história diante da passagem dos anos e o crescimento de seus personagens principais. Todavia, isso não a tornou algo ruim e nem monótona, apenas deixou um clima diferente, um sentimento de finalização desde o primeiro segundo. Foi igual ao iniciar o 3º ano do ensino médio ou o último semestre da faculdade.
Como um grande fã de Stranger Things, eu sentirei saudades e já estou aqui imaginando como serão seus spin-offs. Para quem não sabe, projetos estão em desenvolvimento – sendo que o primeiro será a série animada Stranger Things: Histórias de ’85. É esperar para ver o que o futuro aguarda.
Nota: 9,5/10
Stranger Things está disponível na Netflix.
*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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