Análise – Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é um bom remake do nostálgico Final Fantasy?

Reprodução.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin se trata de um remake do primeiro Final Fantasy, originalmente lançado em 1987. Será que esse remake foi capaz de ser um bom jogo ou só uma forma da Square Enix lucrar em cima da nostalgia alheia? Confira isso em nossa análise e decida se vale ou não a pena investir seu tempo e dinheiro nesse aguardado jogo.

História

A história começa da maneira mais simples e direta ao ponto: vemos Jack, nosso protagonista, no maior estilo personagem badass norte-americano, encontrando dois personagens: Led e Ash. Se inicia um diálogo onde os três revelam possuir uma gema negra e decidem destruir o Caos. Pronto, é isso.

O que dizer dessa história sem entrar no campo do spoiler?! Bem, acontece que o começo é logo direto ao ponto, negando qualquer tipo de desenvolvimento possível de personagens. O jeito como tudo é às pressas, o trio de protagonistas se tornam amigos instantâneos e é isso. Você é guiado por essa narrativa até 70% do jogo onde a história começa a se desenrolar e ela não é ruim! Pelo contrário, se houvesse essa mesma construção no começo, seria perfeito. Ok, talvez “entregar” o plot twist no começo não seria nada bom mas poderiam ter desenvolvido melhor, preparando o terreno.

Não sei se foi proposital ou não, mas a história tem um lado bem canastrão. Jack é um personagem durão, sem papas na língua, sempre interrompe diálogos de inimigos no soco. Sim, no SOCO! Espada pra que quando se é possível cristalizar seus inimigos com SOCOS?! Mas não é algo ruim, tanto que é o traço de personalidade que o Jack tem porque nem isso seus companheiros possuem.

No decorrer da jornada você irá se deparar com mais alguns NPCS que farão parte da sua party e não espere personagens complexos. Na verdade, são até um estereótipo de personagens de JRPGs que vemos por aí.

Como se trata de uma releitura do primeiro FF, algumas coisas vão ser claramente identificadas, desde inimigos ou aliados, mas o jogo tem sua licença poética em implementar novos conceitos e até mesmo uma quinta guerreira da luz, o que no título original eram apenas quatro.

Talvez de cara a trama não chame sua atenção, mas verá que para o final do jogo as coisas melhoram consideravelmente. A dica que eu do é focar na ótima jogabilidade, inclusive, iremos abordar isso logo abaixo.

Gameplay

Ok, aqui que, particularmente, o jogo brilha. Final Fantasy Origin é produzido nada mais nada menos que pela Team Ninja, estúdio responsável por Nioh e Ninja Gaiden. Uma jogabilidade ótima seria obrigação e eles entregam muito bem. Por partes, é bom informar o seguinte: Team Ninja é conhecida por fazer jogos difíceis e seus últimos títulos como Nioh 1 e 2 são Souls Like e será que FF segue o mesmo caminho?!

Pode ficar tranquilo, para quem não é acostumado com esse tipo de jogo, o mesmo traz três níveis de dificuldade, sendo a quarta liberada após zerar o game. Posso dizer que ele flerta com o estilo Souls Like pois, por mais que existam pontos de descanso como as conhecidas fogueiras e seu alto nível de punição ao errar uma esquiva e defender, ainda assim você não perde XP ao morrer, por exemplo.

O que inegavelmente se destaca é a quantidade absurda de classes. Para cada classe diferente, é como se fosse um jogo novo, com armas, combos e magias novas. Dentre as classes temos Ronin, Samurai, mago branco, mago negro, Dragon, Ladrão, Berserker e para todas as classes temos inúmeras armas como espadas, katanas, lanças, espada e escudo, machados e etc. Não só isso mas temos também diversos equipamentos como capacetes, armaduras, manoplas, botas e afins e o mais bacana que todos de sua party possuem equipamentos únicos e classes únicas. Uma arma, por exemplo, pode ter seu ataque especial apertando o R2 no Playstation, por exemplo. A partir desse comando, temos como customizar combos, combos esses comprados na arvore de habilidade de cada classe.

Nas fases você sempre será acompanhado por mais dois NPCs que inclusive podem receber comandos do jogador, mas não espere muita coisa, apenas um bust na hora de enfrentar o chefão. Ainda sobre o assunto souls like: disse que ele flerta com esse estilo pois primeiro não há XP. Você vai ficando forte com o equipamento e arma que vai coletando ao decorrer da jornada, fora que tem a possibilidade de escolher a dificuldade e suas poções são restauradas assim que descansa na “fogueira”, que é representada por um cubo. Lá também possível fazer upgrades durante a fase.

Gráficos e alguns probleminhas

Começando pelos gráficos: existem momentos que eles são de medianos para bom porque, olha, existem serrilhados e não é pouca coisa! Vi de tudo um pouco: fundo de fase sumindo, modelos 3D mal modelados, alguns bugs, mas nenhum que comprometa a experiência. O título tem uma fase que intercala a noite com o dia, o que é uma proposta boa, mas o filtro quando está de dia é tão saturado que atrapalha a visualização. Sério, dói os olhos. E não adianta mexer nas configurações do game que não vai adiantar.

Stranger Paradise traz várias homenagens a estágios de outros FF, como o primeiro nível, onde você rejoga a Chaos Shrine do FF 1, mas remodelado. O problema é que como dito antes, o jogo é tão escuro que é difícil notar essas referências, mas no geral para quem é conhecedor da franquia vai ser possível identificar vários cenários, inclusive do FF 15 e do FF 7 remake.

Ainda sobre os gráficos, remete muito os jogos de final de geração do PS3/XBOX 360. Pra quem também já jogou Nioh, é notável que o Jack é basicamente o Willian de cabelo curto. Talvez tenha rolado um reaproveitamento do modelo, o que não vejo problema, mas as personalidades dos protagonistas são tão iguais que parece que o Willian foi fazer uma pontinha em Final Fantasy. Agora o elefante branco na sala: FF não traz legendas em português e as legendas em inglês estão entrando atrasadas na cena fazendo com que fiquem pouco tempo, então simplesmente desisti de tentar acompanhar os diálogos o que é pena porque os personagens conversam bastante durante a gameplay e nas cutscenes. Tá, tudo bem que não são diálogos que mudarão vidas, mas é chato não poder ler o que se passa em tela.

Tem muito lot no jogo e a cada baú que você abre cai vários equipamentos, algo bastante chato, isso porque além de lotar seus slots você a todo momento tem que ficar conferindo se o equipamento que ganhou a dois minutos atrás é melhor que o que acabou de pegar. Parece coisa boba, mas se você fizer três missões seguidas sem limpar primeiro o seu baú, na terceira fase estará com ele cheio e não poderá pegar novos equipamentos. Lembrando que só é possível mandar os itens para o armazém quando está fora da missão, caso esteja dentro, só poderá descartar o equipamento, não tendo ele novamente.

E é isso. Final Fantasy Origin não é um jogo ruim, longe disso, mas é um jogo que poderia ter uma melhoria absurda em seu gráfico e ritmo da história, mas ganha um dez em jogabilidade. Já existem planos para pelo menos duas DLCs, que talvez sejam lançadas ainda ao decorrer de 2022.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin está disponível para Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X/S e PC.

Autoria: Henrique Zanardi.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*.

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