
Sabe a lembrança daquela sensação gostosa de infância, de depois de uma semana cansativa de escola, chegar o sabadão de manhã e você poder ter o direito de ir até uma das locadoras de jogos da sua cidade e poder alugar uma daquelas fitas de Super Nintendo para só precisar devolver na segunda-feira por um troquinho?
E melhor ainda, conseguir ter acesso a uma daquelas fitas com 7 ou 8 jogos em 1, que você poderia escolher qual jogar acessando um menuzinho em uma tela azul ou até mesmo a cada pressionada no botão reset do seu console?
Então, acima de tudo isso que falei diria que talvez só quando “do nada” você descobria em meio àquela “vasta” lista de opções algum game aparentemente genérico, mas que após se jogar um pouco, quando você se dá por si lá se foi todo o seu tempo de jogatina na frente da TV, porque o jogo cumpriu bem seu papel e te ganhou puramente por sua…simplicidade.
Foi assim que descobri pérolas como Congo’s Caper, Super Pang, Choplifter 3 e o primeiro jogo da série Top Racer (conhecido aqui na época como Top Gear) e tenho certeza que não fui só eu a viver esse fenômeno, especialmente em relação a este último, que até hoje é lembrado com carinho pelo público brasileiro, tanto que inspirou inclusive jogos modernos, como a série Horizon Chase, produzida por um estúdio nacional.
E porque fiz toda essa “volta no tempo”? Porque parece ter sido essa a intenção que Shadow of the Orient desejava transmitir a quem resolvesse dar uma oportunidade de seu tempo a ele, mas será que o jogo realmente consegue? Siga adiante para descobrir.
UMA AVENTURA AO ESTILO RETRÔ

No enredo, que é bastante direto ao ponto, diga-se de passagem, uma antiga ameaça retorna ao mundo após 2 séculos adormecida, e o único indivíduo capaz de derrotá-la é o jovem guerreiro Xiaolang, portador do poder do elemento fogo, que precisará usar sua força e habilidades de luta para restaurar a paz enquanto no meio do caminho resgata um grupo de crianças capturadas pelo clã de vilões a serviço do principal inimigo.
O game é dividido em 15 níveis e segue o estilo plataforma em 2D com gráficos pixelados, emulando a estética dos jogos da quarta geração de consoles, também conhecida como “geração 16 bits”, das quais os representantes mais famosos são os videogames Mega Drive e Super Nintendo, não sendo por um acaso a tal comparação ao hábito de alugar jogos em videolocadoras no começo desta review. No entanto, aproveita-se da tecnologia dos atuais consoles para trazer alguma fluidez e uma diversidade maior de movimentos realizados pelos elementos presentes em tela, deixando o aspecto visual agradável.
Na jogabilidade, é possível encontrar ítens no cenário que servem como armas de curto ou longo alcance, sendo as primeiras pra gerar mais impacto nos adversários presentes, como uma espada em detrimento à habilidade inicial de dar socos de Xiaolang, ou que permitem com que você despare projéteis como adagas ou bolas de fogo.

É possível também escalar paredes, saltar, agachar-se e deslocar-se por cada nível por rotas alternativas que ocasionalmente podem levar o jogador a encontrar crianças perdidas pela fase e objetos coletáveis que recuperam energia ou que ao contabilizarem uma certa quantidade concedem vidas extras ao personagem que você controla.
Por conta da história central aparentemente inspirada em filmes de Kung-Fu como os de Bruce Lee, a maioria dos chefes de fase e inimigos remetem a figuras ou criaturas típicas da mitologia ou folclore de países asiáticos como onis, armaduras samurais, youkais ou mesmo animais típicos de biomas montanhosos ou cavernas como lobos, águias, morcegos e aranhas, sendo no gerais pouco variados e sem padrões de ataque muito complexos.
Apesar disso, mesmo aqueles com experiência considerável com outros jogos do tipo poderão presenciar algum nível de dificuldade ao longo da experiência, especialmente ao entrar na água nas fases iniciais ou ter que lidar com obstáculos como rochas que se movem para esmagá-lo ou espinhos na parte baixa de algumas superfícies, não a tornando tão punitiva, mas também nada tão fácil que até uma criança de 4 a 6 anos sem experiência com videogames conseguiria fazer. Quem quiser um pouco mais de desafio pode inclusive testar suas habilidades em alguns dos 5 níveis que tem foco em tempo.

Na parte de trilha sonora, apesar de competente em contribuir para a ambientação do jogo, não diria que ela chega a ser marcante como várias das trilhas de grandes nomes do gênero plataforma de mascote como Mario, Sonic ou Mega Man, nem também muito variada, o que pode não ajudar o jogo a ficar tão fixado em sua memória após terminada a jogatina, já que é relativamente comum que muitos games do tipo tragam consigo músicas que por vezes ficamos cantarolando ou simplesmente ouvindo em nossas cabeças por horas junto a memórias agradáveis da experiência.
VEREDITO

Lembram o que falei sobre a intencionalidade na produção de Shadow of the Orient? Então, de acordo com as palavras do próprio criador do jogo e fundador da Spacelab Games, Leonardo Nanfara: “Meu objetivo […] era criar uma experiência de jogo divertida e envolvente que remetesse aos jogos retrô de 16 bits com os quais cresci… uma das melhores eras de jogos, na minha opinião.”.
E o que posso dizer quanto a isso? Que a meta de fato foi sim atingida, e inclusive sobre o quanto me alegra saber que com a ascensão dos chamados indie games mais fãs conseguem de alguma maneira tornarem-se desenvolvedores, ajudarem a indústria e principalmente conseguirem recriar experiências de diversão e entretenimento similares as que lhe foram preciosas em momentos da vida onde seus anseios eram talvez mais simples, como na infância, à toda uma nova geração de jogadores.
Um dos únicos possíveis defeitos que eu poderia comentar seriam sobre a baixa quantidade de fases e variedade de armas, algo que felizmente hoje é possível de corrigir com alguma atualização ou DLC, uma das dádivas dos games modernos quando certas produções não exploram todo o seu potencial já em um lançamento, mas que pode virar um verdadeiro abuso ao consumidor quando este paga preço cheio em venda ou pré-venda por um produto que mais parece inacabado (Né Cyberpunk 2077?).
De resto, Shadow of the Orient é um daqueles jogos super indicados para se jogar em uma tarde de sábado ou domingo despretensiosa, quando tudo que você quer é relembrar um pouco do encanto de jogos de sua infância e relembrar o quanto jogos de produção mais simples nos cativavam, especialmente quanto você talvez esteja com preguiça de mudar de plataforma para ir atrás dos seus jogos de conforto em algum emulador.
*Análise feita por cópia enviada pela Spacelab Games para PlayStation 4.
Shadow of the Orient está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S/X, PC (via Steam) e para dispositivos móveis (Android e iOS).
*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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