Análise | Mulher-Gato: A Caçada | Produção é o anime da DC que pedimos?

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Com The Batman já batendo na porta e é claro que aproveitando todo o frisson da semana de estreia do longa nos cinemas, vamos falar hoje de uma das produções que, basicamente, serve como um abre alas – ainda que numa quarta-feira de cinzas- para o universo do maior detetive de Gotham.

Após ter seu anúncio realizado no ano passado e seu trailer divulgado na segunda edição do DC Fandome, o aguardado filme em estilo anime da gata mais famosa de Gotham City, Mulher-Gato: A Caçada (Hunted), chegou este mês às plataformas digitais e levantou a questão: a aposta da DC conseguiu cair de pé nas graças do público ou perdeu todas as suas sete vidas?

Este texto não contém spoilers!

Em uma sinopse onde a anti-heroína, na tentativa de roubar uma joia de valor inestimável, acaba na mira de uma impiedosa organização de vilões, seguida pela Interpol e tendo a Batwoman na sua cola a todo momento, a sorrateira Mulher-Gato precisa botar todos no bolso e ainda sair lucrando no final da história, como de costume.

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Não é surpresa para ninguém minimamente atento que, se você espera consumir um filme que tenha como protagonista Selina Kyle, uma das primeiras propostas a se esperar é que o mesmo apresente, em algum momento ou por completo, uma vibe de espionagem. Em relação a isso, a nova produção da Warner Bros. Animation segue o esperado e ainda tenta equilibrar vários pratos no processo. Mas vamos por partes.

Embora aborde a proposta logo de cara, outra coisa fica óbvia ao público: a extrema inferioridade de sua animação. É possível perceber que o filme não possui uma fluidez no ato de apresentar a mais pequena das movimentações em múltiplas cenas. E apesar dos efeitos em CGI meia boca serem aplicados com uma certa parcimônia – provavelmente por serem de fato meia boca – é visível que, no que diz respeito a animação 2D, a qualidade DC foi pelo ralo e tudo o que encontramos são cenas aonde até o filme mais antigo de Pokémon é menos duro.

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Outro ponto negativo no longa seria a falta de tato na hora de dosar o time de comédia em seus diálogos. Geralmente, é sempre muito divertido ver a protagonista soltar seus famosos trocadilhos de felinos durante uma cena ou outra, apenas para ter o que falar ou irritar um companheiro de cena. No entanto, até o mais paciente espectador, uma hora se cansa de ouvir inúmeras brincadeiras ditas pela anti-heroina e compartilha da irritação de Batwoman em escutar tantas referências a gatos a todo momento. Mas não por serem apenas referências cafonas, como argumenta a pupila de Bruce, mas sim por serem aplicadas em momentos completamente inoportunos e quebrarem o clímax de uma cena interessante ao espectador.

Já no que diz respeito aos vilões, sua antagonista principal também não passa despercebida das críticas, e ao revelar-se em sua forma total durante a batalha final contra a ladra de Gotham, mostra-se como uma escolha – ainda que justificável pela identidade felina que muito está presente na trama – sem criatividade por parte da equipe de produção, visto que, não há muito tempo vimos a mesma personagem sendo usada da mesma forma em outra produção da casa e em uma narrativa bem mais condizente com sua presença. Escolha essa que fica bem mais fraca se considerarmos o vasto catálogo de oponentes de estética felina criados pela DC e que poderiam estar ocupando o papel de “Chefão” do filme (ainda que saibamos depois da existência de uma autoridade maior por trás dos criminosos, que sequer aparecem no longa).

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Das poucas pérolas possíveis de serem encontradas no caminho, a trilha sonora é o que mais faz a animação valer apena de ser assistida. A dublagem brasileira está muito bem escalada e tanto Sheila Dorfman quanto Sylvia Salustti encaixam-se adequadamente em suas personagens, entregando em suas cenas conjuntas uma ótima química, que para quem já acompanha dublagem a um certo tempo, não é novidade alguma ver a dupla de veteranas juntas e entregando uma boa interação. Algo que pode ser visto em obras como Xena: A Princesa Guerreira. O tema de encerramento, Thief in the night, é outro acerto da produção; e basta apenas escutar duas vezes para que a voz das interpretes Yutaka Yumada e R!N reverbere em sua cabeça por horas.

Apesar de respeitar a natureza de sua personagem principal e ainda trazer algumas alusões a animações japonesas, Mulher-Gato: A Caçada aparenta ser uma produção que pouco recebera atenção por parte do estúdio, que acabou acontecendo apenas para preencher espaço no calendário de lançamentos da Warner Bros. Prova disso são suas colocações nos mais diversos sites de avaliação,como Rotten tomatoes ou Metacritc, onde o filme mal consegue passar de uma pontuação mediana. Uma verdadeira lástima para uma personagem que possui muito a entregar, mas nenhuma novidade para os mais atentos que sabem o quão mal aproveitadas são as personagens femininas no mundo dos heróis, seja em animação ou live-action.

Por sorte, Selina consegue nos enfeitiçar com seu charme e carisma, deixando o processo de ver sua história mal aproveitada se tornar algo mais assistível, ainda que no final surja o sentimento de “opa, alguém roubou meu tempo!”.

Mulher-Gato: A Caçada está disponível nas plataformas digitais Apple TV, Google Play e YouTube para compra e aluguel.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV.*

3 respostas para “Análise | Mulher-Gato: A Caçada | Produção é o anime da DC que pedimos?”

  1. Pedro Amorim disse:

    A cena da banheira me deixou com T.

  2. Carlos santos disse:

    Filme bem meia boca,poderia ter sido bem melhor

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