Análise – Goodbye, Eri: uma carta de amor ao cinema e suas emoções

Reprodução.

Após um tempo da publicação de “Look Back”, Tatsuki Fujimoto publicou um novo one-shot que impressiona tanto quantos todos seus trabalhos anteriores: Goodbye, Eri.

Com cerca de 200 páginas, a história em volume único foi publicado no último domingo (10) gratuitamente no Manga PLUS e traz uma história tocante pela perspectiva de uma câmera. Uma obra que é uma carta de amor ao cinema e todas as suas emoções, e que nos faz refletir mais uma vez. Essa review não contém spoilers!

Shueisha / Divulgação

Comentar e analisar obras de Fujimoto é sempre uma tarefa árdua, sempre fico em dúvida se devo ou não falar sobre, pois são diversas as interpretações que suas histórias podem gerar, assim como os sentimentos que elas transpassam. Principalmente sem dar nenhum spoiler da trama, além, obviamente, do que está presente na sinopse.

Goodbye, Eri não foi diferente. O mangá acompanha Yuta, um jovem que recebe o pedido de gravar os últimos momentos de vida de sua mãe que pode falecer a qualquer momento devido a uma grave doença. Com isso, grava centenas de horas, mas não consegue filmar o leito de morte de sua mãe, como ela havia pedido. Carregando esse fardo, decide fazer um documentário com tudo que havia gravado para finalizar a culpa que sentia, mas, após todos terem zombado de seu filme, decide se jogar de um prédio. Isso, até conhecer Eri, uma menina que gostou de seu filme.

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Yuta é um personagem comum, um jovem qualquer, um amante de ficção que adora explosões, mas que está sofrendo. Eri chega para salvá-lo de um trágico destino, onde ele não poderia mais fazer nenhum filme. Juntos, eles trabalham para criar um longa que todos possam amar.

Um dos pontos mais interessantes que vemos logo de cara é o POV (ponto de vista) da câmera. Com alguns quadros tremidos e borrados, a intenção de nos fazer sentir estar assistindo uma gravação consegue ser muito bem passada, apesar de estarmos lendo um mangá. Além de páginas sem falas, onde vemos lentamente a mudança de expressão dos personagens, assim como “nos filmes de Hollywood”.

E justamente messa majestosa técnica usada com maestria pelo Fujimoto, somos confundidos constantemente sobre o que é real e o que é ficção. Todo filme tem sua parte real, mas também um pouco de fantasia. Fujimoto usa disso para confundir o leitor sobre o que realmente aconteceu e o que foi editado e criado por Yuta. Não sabemos se estamos assistindo um filme dentro de um filme, se tudo é real ou se tudo não passa de uma mentira, ou melhor, uma ficção.

Uma sensação de confusão que nos faz refletir bastante sobre o que estamos vendo, imersos e concentrados na trama.

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Goodbye, Eri também traz críticas e mais reflexões sobre quem somos, quem fingimos ser e como seremos lembrados após nossa morte. Como pessoas “podres” que se fazem de boazinhas na frente das câmeras serão lembradas por nós?

Os personagens são reais, tem sentimentos, segredos, vontades e desejos, além de não serem nada perfeitos. Mas, no fundo, toda essa trama e história pode ser uma forma de expressão de Fujimoto pelo seu amor ao cinema, e todas as sensações que é capaz de transmitir ao espectador.

E como não podia faltar, um final magnífico, tocante, chocante, ambíguo, com uma esplendorosa explosão que faz os olhos de todos saltarem.

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Goodbye, Eri é uma leitura rápida, emocionante e, de certa forma, um pouco “pesada”. Uma obra totalmente necessária para qualquer pessoa, que já está disponível gratuitamente na plataforma digital Manga PLUS em inglês e espanhol. 

Eu estarei aguardando ansiosamente por seu próximo projeto, pois Tatsuki Fujimoto nunca erra.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*

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