Análise: Dragon Quest VII Reimagined – Um clássico reconstruído com charme e profundidade

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Dragon Quest VII é, sem dúvidas, um dos capítulos mais emblemáticos de toda a franquia. Justamente por isso, o título passa agora por seu segundo relançamento, e quem sabe o definitivo. O original chegou ao Japão no ano 2000, ainda no primeiro PlayStation, e mais tarde recebeu uma versão aprimorada para o Nintendo 3DS em 2016, intitulada Fragments of the Forgotten Past. Agora, em Dragon Quest VII Reimagined, não estamos falando apenas de um remaster, mas de um verdadeiro remake, com mudanças significativas tanto no visual quanto na forma como a história é apresentada, buscando modernizar a experiência sem perder a essência que consagrou o jogo.

A narrativa tem início na misteriosa Ilha de Estard, um território isolado que parece existir à margem do próprio mundo. É nesse cenário que acompanhamos um jovem protagonista criado em uma tranquila vila de pescadores, cuja curiosidade sobre a origem do mundo o leva a embarcar em uma grande jornada. Ao seu lado está Kiefer, príncipe de Estard e amigo de longa data, que decide abandonar o conforto do castelo para explorar o desconhecido. A aventura ganha forma quando os dois descobrem um antigo santuário em uma região proibida, local que se torna o ponto de partida para viagens que atravessam eras e realidades distintas.

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Ao longo da campanha, o jogador reúne fragmentos de antigas tábuas de pedra espalhadas por diferentes regiões. Esses pedaços, quando encaixados corretamente em um pedestal sagrado, ativam portais que levam a ilhas esquecidas pelo tempo, lugares que sequer existem no presente. Cada nova área representa uma história própria, com conflitos, personagens e desfechos únicos, criando a sensação constante de descoberta. Diferente do jogo original, o remake tenta ser mais direto no desenvolvimento da narrativa, reduzindo o excesso de introduções longas, embora ainda seja uma experiência extensa.

Mesmo com seu visual mais “fofinho” e personagens carismáticos, a trama vai aos poucos assumindo tons mais sombrios e maduros, tornando-se bastante interessante também para o público adulto. O ritmo intrigante e o mistério por trás do surgimento de novas ilhas mantêm o jogador engajado, já que cada visita representa um mundo desconhecido, com começo, meio e fim bem definidos dentro da própria ilha.

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Visualmente, Dragon Quest VII Reimagined causa impacto logo de cara. Confesso que o novo estilo artístico surpreende no primeiro contato, mas rapidamente ele conquista. Os personagens possuem identidade própria e um design muito mais expressivo, desde o protagonista até figuras marcantes como Maribel e Kiefer. O mundo do jogo adota uma abordagem que lembra dioramas detalhadíssimos, com cenários ricos em elementos, iluminação caprichada e efeitos que valorizam cada ambiente. A água, os campos, as vilas e as ruínas exibem um nível de cuidado impressionante. Além disso, o desempenho técnico é impecável: o jogo roda de forma extremamente fluida, sem quedas perceptíveis ou problemas de performance.

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No combate, o remake mantém o tradicional sistema de batalhas por turnos, algo esperado e bem-vindo para os fãs da série. Os inimigos aparecem diretamente no cenário, permitindo que o jogador escolha se deseja ou não iniciar uma luta, uma decisão estratégica importante, especialmente quando o grupo está com pouco HP. Ao iniciar o confronto, ainda é possível sair na vantagem, atacando o inimigo antes mesmo da batalha começar. A progressão de níveis restaura automaticamente HP e MP, o que ajuda a manter um bom ritmo de jogo. Durante os combates, o jogador consegue identificar fraquezas dos inimigos, evitando o desperdício de MP com habilidades ineficazes.

Visualmente, as batalhas também são um espetáculo à parte. A disposição da party e o design criativo dos monstros fazem com que, em vários momentos, seja difícil não parar apenas para admirar a cena. O jogo ainda apresenta puzzles simples, mas engenhosos, que quebram bem o ritmo da exploração. Um destaque positivo é o sistema de viagem rápida, o famoso Zoom, que permite retornar instantaneamente a qualquer local já visitado no mapa. Já as batalhas contra chefes, apesar de bem construídas, poderiam oferecer um pouco mais de desafio, especialmente para jogadores mais experientes no gênero.

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No quesito localização, infelizmente, Dragon Quest VII Reimagined deixa a desejar para o público brasileiro, uma vez que não conta com tradução para o português, e isso pesa bastante, já que a experiência é extremamente focada em diálogos. Em muitos momentos, o inglês utilizado é mais rebuscado, exigindo um bom domínio do idioma para compreender nuances importantes da história. Para quem tem pouco contato com a língua inglesa, isso pode comprometer seriamente o entendimento da narrativa e diminuir o envolvimento.

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No conjunto da obra, Dragon Quest VII Reimagined se mostra uma releitura muito respeitosa e, ao mesmo tempo, corajosa de um clássico. Ele moderniza sistemas, aprimora o visual e torna a narrativa mais dinâmica, sem perder a profundidade que sempre foi uma marca da franquia. Mesmo com a ausência de localização em português e com alguns momentos que poderiam ser mais desafiadores, o jogo entrega uma aventura rica, emocional e memorável, que reforça por que Dragon Quest VII continua sendo tão especial mesmo décadas após seu lançamento original.

Nota: 9,0/10

Dragon Quest VII Reimagined será lançado em 5 de fevereiro para Nintendo Switch e Switch 2, Xbox Series X/S, PlayStation 5 e PC.

Agradecemos a Square Enix pelo envio do material. A análise foi feita na versão para PlayStation 5.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*