The Legend of Vox Machina e a ascensão das animações aos mais velhos

Prime Video / Divulgação

É bastante seguro dizer que estamos na era das animações aos mais velhos. Se antes tínhamos um núcleo bastante restrito, formado por Os Simpsons, South Park e as séries de Seth MacFarlane (Uma Família da Pesada, Family Guy e The Cleveland Show), hoje é até difícil até escolher o que assistir.

Para se ter uma ideia, segundo artigo publicado pelo Toon Boom, entre 2020 e 2021, o número de séries animadas voltadas para este público mais do que dobrou, saltando de 50 para 103 produções. As explicações para isso podem ser inúmeras, como o custo reduzido de produção (quando comparado ao live-action) e a liberdade criativa dada à equipe.

Nesse contexto de mercado, é claro que o serviço de streaming da Amazon, o Prime Video, não ficaria para traz. Em 2021, a plataforma alcançou sucesso absoluto com Invencível e teve certo reconhecimento da crítica com Undone. E apesar de ter lançado a esquecida no churrasco Fairfax, anunciou para março a estreia de The Boys Presents: Diabolical, o aguardado spin-off animado de uma de suas séries mais relevantes. A mais nova incursão do Prime Video no mundo das animações é The Legend of Vox Machina, cujo você confere a seguir nossas primeiras impressões.

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A Origem

The Legend of Vox Machina nasceu a partir de uma campanha de RPG de mesa realizada por um grupo de amigos – o Critical Role. Com o sucesso alcançado pelas lives de RPG, o universo das histórias começou a ser expandido, chegando a diversas mídias, como livros, eventos em teatros e até quadrinhos (além, é claro, de muitos produtos de merchandising). Ao perceberem o alcance e o sucesso de Vox Machina, o grupo decidiu dar o próximo passo: uma animação.

Inicialmente planejada como um especial animado, o Critical Role decidiu realizar uma campanha de financiamento coletivo a fim de viabilizar a animação. O que ninguém esperava, era que seria um sucesso absoluto: a campanha do Kickstarter teve o apoio de quase 90 mil pessoas e arrecadou mais de US$11 milhões de dólares. Até o momento, essa foi a 7ª maior campanha da plataforma.

O valor arrecadado teria sido suficiente para um especial de 10 episódios, mas quando a Amazon adquiriu os direitos, adicionou mais 14 episódios. Com muito dinheiro no bolso, um lore bem definido e com a produção do Amazon Studios, The Legend of Vox Machina se tornou uma série completa.

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A história

Resumir a trama sem spoilers é um pouco complicado. A maioria dos produtos derivados de Dungeons & Dragons tendem a ser parecidos em sua essência. Veja a sinopse: em The Legend of Vox Machina, seguimos um clássico bando de desajustados que, para conseguirem pagar sua interminável conta de bar, se envolvem em uma aventura para salvar o reino de Exandria das forças da magia sombria.

Meio básico, certo? Mas não se preocupe, porque essa premissa é só a superfície da história. E, sendo honesto, resume apenas o início da jornada.

Se tivesse que resumir o tom da história, poderia dizer que temos uma mistura de A Caverna do Dragão (com as criaturas, a magia e a história de grupo) e The Boys (com a violência, o gore e o humor escrachado). E isso não é demérito. As interações entre os protagonistas são muito orgânicas, muito parecido com o que o primeiro Guardiões da Galáxia fez.

Ainda que tenha pontos altos, esses primeiros episódios escancaram alguns problemas. O primeiro, é a previsibilidade do roteiro. Todos os episódios têm alguma reviravolta ou revelação, mas nenhuma delas foi realmente uma surpresa.

O segundo, é a forma como a animação lida com os antagonistas. De modo geral, as ameaças são interessantes, imponentes e desafiadoras para os protagonistas, mas a série acaba usando um Deus Ex Machina para solucionar todos os grandes obstáculos. Funciona na primeira vez, mas nas outras fica bem decepcionante.

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Os personagens

Os membros do Critical Role, que também são dubladores (voice actors), repetem seus papéis na versão animada de Vox Machina. O grupo de protagonistas é formado pelos seguintes componentes:

  • Vex’ahlia (Laura Bailey) é uma meio-elfo e a líder dos Vox Machina;
  • Vax’ildan (Liam O’Brien) é irmão sarcástico de Vex’ahlia, sendo também um meio-elfo;
  • Grog (Travis Willingham) é o típico personagem forte, mas idiota. As similaridades com o Drax (da Marvel) não estão restritas ao design do personagem;
  • Keyleth (Marisha Ray) é outra meio-elfo e druida, ansiosa e socialmente deslocada;
  • Percy (Taliesin Jaffe) é o único humano do grupo e possui um passado sombrio;
  • Pike Trickfoot (Ashley Johnson) é uma gnomo clérigo que luta usando uma magia baseada na fé;
  • E Scanlan Shorthalt (Sam Riegel) é um gnomo bardo que está sempre buscando “prazeres”.

O maior mérito da animação está em seus personagens. Ainda que tenhamos vários tropos muito comuns, como o “cara forte e burro” ou a “personagem feminina com um grande poder oculto”, cada um possui suas singularidades e personalidades únicas.

As interações entre eles são muito interessantes. Não apenas são muito bem-humoradas, mas também ajudam a contar as histórias e dramas de cada um. A única falha aqui é que quando encontramos esses personagens, eles já são um grupo estabelecido. Mas ao longo dos episódios, demonstram não saber nada uns sobre os outros. Seria uma falha de roteiro ou apenas não foi explicado que eles se conhece há pouco tempo? Veremos quando o Prime Video liberar os demais episódios.

Há um único elemento que me parece deslocado na história, que são os números musicais. Não que sejam ruins, mas não parecem adequados à estética e ao clima da animação. Eles foram os pontos baixos dos episódios.

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 A animação

Um mal das séries animadas feitas para streaming – com algumas exceções, como a impressionante Arcane – é a baixa qualidade de suas animações. A velocidade com que são produzidas e os baixos orçamentos acarretam animações truncadas e pouco apreço estético (isso acontece, por exemplo, em Marvel’s Hit Monkey).

Porém, The Legend of Vox Machina não se encaixa nessa categoria. Diferentemente de Invencível, que economizava todo seu orçamento para as cenas de ação, Vox Machina é bastante consistente em seu estilo artístico. Majoritariamente animada em 2D, a série acrescenta elementos em CGI em algumas cenas, mas sem descaracterizar a arte e trazendo efeitos de encher os olhos para as cenas de ação.

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E quando junta tudo?

Vox Machina é muito competente quando discute os traumas e os dramas de cada personagem. As histórias são interessantes e, em certo nível, relacionáveis. A série também marca pontos positivos na construção de personagens, explora a diversidade de forma orgânica entre protagonistas e personagens de apoio. A ação, que é muito frequente, não decepciona e lembra bastante a estética de animes.

Contudo, a série perde força quando usa comédia de forma exacerbada. Parece haver uma dissociação de identidade, uma vez que ela não consegue decidir se vai se levar a sério ou se será uma galhofa. Se você comparar cenas desses momentos distintos, nem mesmo parece a mesma série.

Ainda assim, Voz Machina é divertida e segue a cartilha de animações de comédia descompromissada – com o bônus de ter um mundo e história interessantes.

The Legend of Vox Machina já está disponível no Prime Video com dublagem e legendas em português. A série contará com duas temporadas de 12 episódios.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV.*

3 respostas para “The Legend of Vox Machina e a ascensão das animações aos mais velhos”

  1. Zoom disse:

    o mais daora dessa animação, que eles conseguiram passar toda a vibe dos RPGS de mesa, com certeza sera uns dos melhores do ano.

  2. Mr.L disse:

    Até agora não é um invencível da vida mas vou continuar acompanhando por enquanto,dei umas risadas e pago um [email protected] pau pra rpgs kkkkk
    Porém esperemos, material pra fazer uma boa história eles têm

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