Psycho-Pass 1ª temporada: Um Reflexo do Passado no Futuro

Production I.G / Divulgação

Fala pessoal tudo certo? Eu sou o Éder e eu não morri. Depois de um longo tempo eis que volto para aqueles artigos semanais que vocês tanto gostam e pedem. Vamos voltar com tudo a partir de agora (na medida do possível é claro). Quando falamos de futuro, existe inúmeras obras que retratam dessa temática e parece ser um segredo para o sucesso, basicamente. Sucessos como Akira, Ghost in the Shell e Animatrix são exemplos natos de obras que retratam o futuro e suas nuances de maneira criativa e interessante, que te prende do inicio ao fim. Eis que temos uma obra, que talvez não tenha o mesmo peso que as obras que citei acima, contudo possui uma história interessante e que retrata muito bem a questão de perspectiva em torno daquele mundo. Eu estou falando de Psycho Pass, uma ótima pedida para quem gosta dessa temática futurista.

Mas o que faz essa obra ser tão interessante ao mesmo tempo não cair numa mesmice e dropar? É isso que veremos agora aqui nesse especial que vai ter duas partes, pois ambas as temporadas se diferem entre si no quesito enredo, e para não confundir a cabeça de vocês caros leitores, resolvi dividir desta forma para uma maior análise e ser mais detalhista em pontos cruciais da obra, beleza? Então vamos lá.

Psycho-Pass é uma obra original, ou seja, um anime criado sem ter como base um mangá, uma light novel e adjacência. Somente posteriormente a obra animada, veio a adaptação para os mangás. Basicamente, o enredo de Psycho Pass retrata de um futuro do século 22, onde as leis e a justiça são diferentes dos quais somos acostumados aqui no nosso mundo. O Japão cria um mecanismo para evitar e acabar com os crimes e esse mecanismo se chama Sistema Sibila, que tem por objetivo determinar o nível de ameaça de cada pessoa, vasculhando sua mente em busca de sinais de intenções criminosas. E isso é conhecido como Psycho-Pass. Os inspetores defendem a lei subjugando, freqüentemente com força letal, qualquer um que pense na menor intenção possível de cometer algum crime. E ao lado deles estão os Enforcers, que são inspetores cansados ​​de esconderem a latência criminal,que concedia relativa liberdade em troca de realizar o trabalho sujo dos inspetores.

Neste mundo, Akane Tsunemori, vemos uma jovem com um desejo sincero de defender a justiça. No entanto, enquanto trabalha ao lado da veterana enforcer Shinya Kougami, ela logo descobre que os julgamentos do Sistema Sibila não são tão perfeitos quanto seus colegas inspetores supõem. E a partir de então todo desenrolar da obra é feita. Psycho-Pass vai além de uma mera história futurista. É um grande reflexo de uma comunidade que anceia por justiça. E é, como vemos atualmente em nosso mundo moderno, a sociedade é essencialmente o ditador de toda lei e julgamento. Um sistema de justiça, na realidade, é meramente uma representação do que nós, como sociedade, acreditamos ser “certo” ou “errado”. As pessoas que saem dessa caixa são frequentemente penalizadas – no ponto mais extremo, nos referimos a essas pessoas como criminosos. A linha tênue entre ambas é uma gangorra onde o equilíbrio são as pessoas, que sempre enfrentam o dilema do correto e do incorreto.

Claro que o sistema de justiça atualmente tem suas falhas. Não é incomum ver homens e mulheres inocentes sendo enquadrados por crimes cometidos – nosso julgamento não é perfeito. Mas e se pudéssemos determinar instantaneamente, os criminosos do futuro, prevendo criminosos antes de cometerem o crime? Será que tal sistema seria considerado “perfeito”? Essa questão é algo que eu absolutamente me encontro quando posada por um anime – uma pergunta ou ideia que desafia os fundamentos da nossa própria sociedade, e desafia os espectadores a refletir sobre a questão que se coloca diante deles. E isso é interessantíssimo, do ponto de vista ética em nossa sociedade

O anime essencialmente, coloca essa questão em seus espectadores – isso os coloca com uma sociedade impossível – que possui julgamento instantâneo de criminosos antes de seu crime, e então explora as falhas desse sistema, pedindo ao espectador que pense por si mesmo o que é melhor para a sociedade em geral ou para ele mesmo . O sistema em si é chamado de Sistema Sibila, uma espécie de “organização” de julgamento capaz de determinar um número na criminalidade de um indivíduo ou como o anime o chama, seu “coeficiente de crime”, ou seja, quanto mais alto o número que o sistema lhe der, maior será suas chances de cometer um crime e consequentemente, será preso antes de qualquer coisa que você fizer.

As pessoas são punidas, não com base em seu crime ou seus motivos, mas sim no coeficiente de crime. Tal sistema é bastante eficiente, pois esse “julgamento” vem na forma de uma arma apropriadamente chamada de “Dominador”, e com base em seu coeficiente, um indivíduo pode ser instantaneamente eliminado, ou alternativamente, paralisado e tratado mais tarde. E isso torna tudo isso bastante reflexivo para os que assistem, para vermos que apesar de os tempos ser outros, a sociedade digamos que permanece na mesma, com seus mesmos questionamentos e dúvidas.

Este é o cenário para o anime – um Japão distópico no qual criminosos são instantaneamente julgados e processados, e daí vem a incrível história em que particularmente gostei. Eu absolutamente curto a ideia de um enredo não “fácil de se entender”,pois isso cria uma história mais interessante e permite que os espectadores sejam variados em sua posição em relação ao enredo. Em uma extensão bastante logíngua , Psycho-Pass realmente não tem protagonistas, muito menos tem antagonistas. Claro que isso é no sentido total que a obra nos passa, na minha opinião é claro. No anime é trabalhado a questão de “perspectivas”, visões diferentes sobre um tópico centralizado, com ambos os lados possuindo pontos de vista conflitantes (e isso é  o que vemos atualmente no mangá de Shingeki no Kyojin com os marlenianos e os eldianos). Como eu disse, isso é realmente o que faz a história brilhar, uma história que, na verdade, não cai na mesmice.

O incremento final para Psycho Pass se tornar o que se tornou, para mim foi a implementação da sociologia. Não é apenas uma situação em preto e branco mas sim retrata através de múltiplas cenas de batalha, ou elementos de enredo aleatórios que realmente fazem sentido. O anime vai além. Ele  instiga o espectador a se questionar, que eles podem não apenas aplicar para a própria obra em si, mas para suas próprias vidas e para nossa própria sociedade tão valorizada. Isso realmente desafia nossas crenças em nossa sociedade e, para mim, fortalece as idéias sobre as falhas em nosso atual sistema de justiça geral. Ironicamente, a implementação de Psycho-Pass é feita principalmente pelo que poderia ser visto como o antagonista, adicionando ainda mais a afirmação de que o Psycho-Pass não é preto no branco.

As referências à sociologia também reconhecem vários autores que escreveram sobre a sociedade, como por exemplo George Orwell e seu livro 1984, um romance que continha uma sociedade com muitos paralelos com a sociedade representada em Psycho-Pass, e que é referenciado algumas vezes, assim como as obras de Marcel, Proust, Phillip K Dick (criador do livro The Minority Report, e que serviu de grande inspiração para a obra), e Jonathan Swift e seu livro As Viagens de Gulliver, que ficou bem conhecido aqui no ocidente.

Quando um anime nos apresenta um enredo forte e emocional, complementado por personagens intrínsecos e complexos, apoiados por um estilo de arte e música que ressoa com simplicidade épica, mas ainda com uma profundidade invejável, nos encontramos com um anime de ótimo em sua primeira temporada que é Psycho-Pass. A história e os personagens revelam o que faz do homem um homem. Conformidade ou reforma, temas maduros difíceis de engolir. Com uma história que tem tantas coisas acontecendo, não podemos realmente ver a linha do bem e do mal. Isso é onde a beleza do Psycho-Pass está escondida. Este não é uma obra que diz o que é certo e errado, este é um anime que faz você decidir. Decida pela sua própria vida, não siga cegamente as coisas ou as pessoas sem razão. É um bom lembrete para não se perder no mundo de hoje com tantas visões conflitantes e normas aceitas.

Então galera é isso, deu um muito trabalho por analisar todos esses detalhes mais aprofundados e reassistir a obra foi um prazer e anotar cada ponto foi gratificante para ter essa análise completa. Faça chegar a mais de 100 curtidas nas redes sociais e mais de 50 comentários aqui no texto, para poder debatermos, saber se vocês concordam ou discordam, quais as suas opiniões acerca da obra. Deixem nos comentários. Até semana que vem com a segunda temporada de Psycho Pass, que foi no mínimo, polêmica. Grande abraço pessoal.