Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Mugen Train é surpreendente?

Por João Gabriel em

Shueisha / Ufotable / Divulgação

O ANMTV recebeu acesso antecipado pela Funimation ao já conhecido Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Mugen Train, que chega com exclusividade ao catálogo do serviço de streaming nesta semana.

Exibido em território nacional em diversas redes de cinemas durante a pandemia, o longa foi um enorme sucesso de público e crítica por todo o mundo. Mas, o que temos a dizer sobre esta adaptação de um dos maiores sucessos no mercado mundial de mangás da atualidade?

HISTÓRIA

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Mugen Train é a continuação direta da primeira temporada da animação Demon Slayer: Kimetsu no Yaibae adapta o arco do Mugen Train (Trem Infinito) do mangá original, escrito e ilustrado por Koyoharu Gotouge.

Tanjiro Kamado, Zenitsu Agatsuma e Inosuke Hashibira são convocados para se juntarem ao Hashira do Fogo, Kyōjurō Rengoku, no Mugen Train devido a estranhos desaparecimentos dos passageiros e ataque de Onis.

Ao embarcarem, um estranho acontecimento ocorre: todos acabam adormecendo devido a maldição de um demônio. Presos dentro de sonhos, perfeitamente criados levando em consideração suas emoções e verdadeiros desejos, começamos, assim, a história do arco. Já começando a comentar sobre um ponto interessante e muito intrigante, o psicológico de cada um dos personagens (mesmo que não seja de forma profunda).

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Tanjiro está em constante sofrimento devido ao assassinato de sua família, além de um grande sentimento de culpa por não ter feito nada. Por esse motivo, o sonho deste puro garoto foi o mais singelo de todos: o bem estar de sua família. Preso em um sonho onde toda a sua família estava viva e feliz, ele chegou a imaginar que toda sua jornada como um membro do esquadrão de extermínio não passou de um pesadelo.

Enquanto isso, Zenitsu, Inosuke e Rengoku também estavam em seus próprios sonhos. Zenitsu sonhava com uma vida alegre ao lado de Nezuko, Rengoku também sonhava com sua família, enquanto Inosuke sonhava em exterminar o “monstro trem da caverna” (o mais brabo rs).

Depois disso, o filme começa a desenrolar. Sem muita explicação de como, Tanjiro descobre que tudo não passava de um mero sonho e também descobre como sair dali rapidamente. Ao acordar, ele percebe que há um Oni muito forte dentro do trem e decide enfrentá-lo, enquanto Nezuko fica responsável de acordar seus amigos.

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A partir desta parte, muitos podem se decepcionar. A história começa a ser focada meramente no combate frenético e ignoram explicações que são essenciais para o desenvolvimento. Muitos, inclusive, criticaram esse quesito no longa, mas esquecem que Demon Slayer não passa de mais um shounen da Jump que foi criado para ser clichê e padrão. Nada mais.

Enmu, a 1ª Lua Inferior, era o responsável por toda a confusão relacionada ao trem. Usando seu gekkijutsu, ele foi capaz de colocar todos os passageiros em um sono profundo para devorá-los e se satisfazer. Tanjiro, facilmente, o derrota cortando seu pescoço. Infelizmente para ele, ainda faltava uma hora de filme.

Se fundindo ao trem, Enmu decidiu matar todos os passageiros de uma só vez. Nesse momento, os colegas de Tanjiro acordam (meio que magicamente) com o intuito de “descer a porrada” no vilão. A experiência ficaria bem chata e monótona caso não estivesse assistindo dublado. Inclusive, estarei comentando mais sobre ela ao longo do texto.

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Para resumir (já que nada de muito importante aconteceu), depois de algumas sequências de combate e uma animação bem feita, o vilão é derrotado e os passageiros do trem são todos salvos sem muitos ferimentos. Infelizmente para nossos personagens, ainda faltava trinta minutos de filme. Simplesmente sem nenhuma explicação, um novo inimigo (mais forte ainda) aparece, pois, aparentemente, a história não teve “porrada” o suficiente para entreter seus telespectadores.

Akaza, a 3ª Lua Superior, estava no meio do nada, coincidentemente, no mesmo lugar onde o trem descarrilhou. Tanjiro, muito ferido, não pode lutar e nosso Hashira do Fogo teve que assumir a missão. Durante uma batalha de trinta minutos vimos várias sequências de belas animações e uma trilha sonora com muita qualidade, mas sem muita relevância.

Mesmo que ainda não tenha assistido, é praticamente impossível não ter tomado spoiler sobre o final de Mugen Train (uma vez que antes mesmo do lançamento já rolavam tais spoilers na internet). A batalha final foi forçada e muito rápida, mesmo que tenha sido emocionante ver os personagens se movendo na velocidade da luz junto de luzes brilhantes e uma ótima animação, a conclusão em si não foi nada emocionante.

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A morte de Rengoku não me chocou e nem me entristeceu. Muitos fãs disseram que sua morte foi “emocionante”, “tocante” e que eles haviam até “chorado”, mas eu não senti nada disso. Eu não consegui me apegar ao personagem apenas com esse longa. Se um dos personagens do trio principal houvessem falecido, eu, com certeza, me entristeceria já que acompanhamos esses personagens durante todo o anime. Já Rengoku não foi muito mostrado no anime e nem em Mugen Train, onde ele tem bastante “foco”. Talvez se tivessem feito uma 2ª temporada, ao invés de um filme, teríamos como nos apegar e aproveitar mais esse arco.

No fim, a história foi mediana. Apresentei minha opinião sincera, mas não o odiei, eu até gostei bastante. Demon Slayer não foi criado para ser uma história diferente e totalmente cativante, ele foi criado para ser o mais padrão possível. Quantas histórias de demônios existem por aí? Centenas, ou, quem sabe, até milhares.

O erro é você ir assistir esse filme esperando algo totalmente inovador, incrível e, principalmente, inédito. Demon Slayer é bom no único ponto em que ele se propõe a ser: comum. Um típico anime shounen com boas batalhas, personagens carismáticos e, com sorte, boa animação.

Isso que é a verdadeira essência de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba.

ANIMAÇÃO

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É um fato inegável que o principal motivo do boom dessa obra foi a incrível e detalhada animação. Com produção do estúdio Ufotable, tanto no anime quanto em Mugen Train, tivemos ótimas sequências de animações com ótima iluminação e contraste nas cenas.

Fiquei muito impressionado na época em que assisti o anime semanalmente, o tão famoso episódio 19 contou com um incrível detalhamento, principalmente, nas chamas da katana de Tanjiro. Felizmente, no longa essa mesma qualidade se manteve. Posso até dizer que parece que Mugen Train foi um grande episódio de duas horas, tendo a mesma qualidade da primeira temporada da animação.

Como já mencionei, um dos lados totalmente positivos da obra é sua animação. Ela compensa o que falta na história, já imaginou Demon Slayer sem toda essa qualidade feita pelo estúdio Ufotable?

Algumas cenas, sim, deixaram a desejar. Por se tratar de uma continuação direta da história, Mugen Train podia ter sido tratado com mais carinho e cuidado, mas, no geral, a animação manteve o padrão.

DUBLAGEM

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Esse é o tópico pelo qual estava mais ansioso para comentar: a dublagem de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Mugen Train.

Em junho, o ANMTV teve acesso exclusivo a lista de dubladores, completa, deste longa-metragem que estava sendo exibido nos cinemas e que, em breve, também iniciaria suas sessões dubladas.

Realizada no estúdio Alcatéia Audiovisual, a dublagem contou com as vozes de Daniel Figueira (Tanjiro Kamado), Adrian Tatini (Zenitsu Agatsuma), Dláigelles Riba (Inosuke Hashibira), Isabella Guarnieri (Nezuko Kamado), Philippe Maia (Kyojuro Rengoku), Lucas Gama (Enmu) e Charles Emmanuel (Akasa) nos personagens principais.

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A dublagem de Demon Slayer, mesmo que muito elogiada, também foi muito criticada na escolha de algumas vozes. Muitos adoraram a escalação de Daniel Figueira na voz de Tanjiro, mas muitos crucificaram, até não poder mais, a voz de Dláigelles Riba no Inosuke.

Eu não havia assistido o anime dublado, já que havia acompanhado semanalmente em áudio original com legendas. Quando recebi esta oportunidade de apreciar a dublagem, já que não assisti nos cinemas, fiquei muito contente em aceitar e, felizmente, não me decepcionou.

A experiência foi totalmente completa com a dublagem. Se eu tivesse assistido Mugen Train legendado, talvez minha opinião fosse totalmente negativa e diferente da que possuo neste momento. Provavelmente ficaria cansado em ter que ler as legendas para entender uma história que não estava lá essas coisas e só tinha combate e porradaria.

Shueisha / Ufotable / Divulgação

Foi através dessa dublagem que pude reafirmar o fato de que as dublagens brasileiras são extremamente bem feitas. Tendo ótimas adaptações que aproximam a história dos telespectadores nacionais, sem perder a essência original da história.

No início, assim como muitos, estranhei a voz do Inosuke, mas no final já estava super acostumado e rindo horrores com as diversas falas desses personagens. As falas adaptadas melhoraram muito minha experiência, algo que talvez na versão legendada tivesse ficado muito “literal”.

Fui capaz de ouvir os personagens falando: “Dá tanto medo que só de olhar a pressão já baixa”, “Aquele fósforo zoiudo” (essa foi criativa produção haha), “Eu sei que tem treta aqui”, “Coé mermão”, “Até que você não é burro não. Vou te dar uma medalha”, “Tangerino”, “Coitado, tá todo lanhado”, “Eu tô zero bala”, “Tô mais liso que bumbum de bebê”, “Sacumé”, “A sua cabeça parece um pastel de vento” e muito mais.

Sempre apoei essas adaptações. Elas existem desde a época de Yu Yu Hakusho e se mantém até hoje em diversas dublagens, como a de Konosuba. Algumas, realmente, ficaram estranhas e forçadas. Por exemplo, no original é dito “Que bagunça.”, enquanto na dublagem “Mas que bagunça xexelenta” (o que diabos é xexelenta?!). Mas no geral, foram ótimas adaptações, gostei muito mais de ouvir o Inosuke falando “Coitado, tá todo lanhado” do que “Nossa, você está muito machucado”.

O único lado negativo desta dublagem é que os nomes das habilidades especiais dos personagens se mantiveram em japonês. Sinceramente, ficou muito estranho ouvir os personagens falando japonês num filme dublado. Principalmente porque pronúncia é complicada e acabou que ficou bem razoável essa parte. Podiam ter traduzido, mas não aconteceu.

É totalmente obrigatório conferir essa dublagem. Ficou maravilhosa. A mérito de curiosidade, meu favorito foi a voz do Inosuke Hashibira.

Para terminar, deixo aqui a trilha sonora principal do filme, Homura, interpretado por LiSA. É mais uma música da indústria dos animes que foi adicionada a minha playlist do banho.

Respondendo a pergunta do título, Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Mugen Train não é surpreendente, mas também não é uma decepção. Com uma história que começa interessante, mas que se torna simples e clichê, ele cumpre o prometido como um bom entreterimento. Não vá com grandes expectativas, é apenas um bom e divertido filme para uma tarde relaxante de domingo, principalmente se for assistir a incrível versão dublada. Aliás, não se esqueça de assistir a 1ª temporada do anime já disponível no catálogo da Funimation, Crunchyroll e Netflix.

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Mugen Train estreia amanhã (13) no catálogo da Funimation, com opção de áudio original com legendas e dublagem em português.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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