ANMTV Entrevista: Lipe Volpato e Fred Mascarenhas – os dubladores de My Hero Academia

Reprodução.

No dia 6 de janeiro, My Hero Academia: Missão Mundial de Heróis chegará aos cinemas brasileiros com distribuição pela Funimation, e a convite da empresa, o ANMTV teve a honra de entrevistar dois dubladores do longa.

Convocamos dois de nossos redatores, Caio Eduardo e Diego Regis, para terem o prazer de conversar com os dubladores Fred Mascarenhas (Hawks) e Lipe Volpato (Izuku Midoriya). Lipe é o dublador oficial do Midoriya desde a primeira temporada do anime e dos dois filmes que antecedem. Bastante carismático, o ator aparenta gostar bastante de trabalhar com o personagem, falando com empolgação sobre a produção. Em relação a Fred, entrou na última temporada do anime, mas já é conhecido do público geek por dublar Donatelo nos filmes dad Tartarugas Ninjas produzidos por Michael Bay, além de dublar o personagem Ned na atual franquia do Homem-Aranha.

Nessa entrevista, conversamos com os dubladores sobre a experiência no longa e futuros projetos de ambos.


ANMTV (Caio): Nós gostaríamos de discutir sobre o terceiro filme de My Hero Academia que está vindo agora para o Brasil e, principalmente, falar sobre a voz de vocês, já que é incrível ter profissionais tão bons trabalhando em um anime recente e ver a popularidade que ele está ganhando graças à isso. Nós vemos muito como a dublagem é essencial. Presenciamos como todos os mercados nacionais foram afetados pela pandemia, mas a dublagem foi um dos que mais se manteu firme e forte. A minha primeira pergunta é se aconteceu alguma coisa envolvendo a pandemia? Vocês tiveram que trabalhar de home office? Seja enquanto estavam dublando o filme ou a série.

Lipe: Bom, aconteceu sim, né? Eu tive que trabalhar de home office, inclusive, não lembro se foi a segunda ou terceira temporada do anime, eu fiz em casa. O grito contra o Muscular, o grande grito contra o Muscular, por exemplo, eu fiz em casa. Foi bem desafiador, cara, foi bem desafiador porquê já era uma cena, para dar um exemplo né, do tipo desafio. Já era uma cena difícil de fazer, quem conhece a série sabe (que) esse grito é icônico do personagem, quando ele fala: UM MILHÃO POR CENTO!. Então, foi um desafio não estar no “habitat natural do dublador” que seria o estúdio, afinal, eu estava no estúdio em casa, mas a gente vai indo, eu dei o meu melhor e acho que ficou em legal. Então, esse foi um dos desafios, cara.

E também quando estourou a pandemia, a gente ficou 1 mês sem trabalhar, eu aqui fiquei 1 mês sem trabalhar, o que acaba, né? A gente faz há tanto tempo, ai quando fica um tempinho sem fazer né, claro que depois a gente faz algumas coisas, volta, mas dá uma congelada assim, até você aquecer de novo e tudo mais. Mas, eu tava com muita saudade.

E como você falou assim, no começo da pandemia tinha menos coisa para nós dubladores, acho que isso é porque as produções de fora pararam, mas depois estourou muito, estourou tudo, e eu lembro que a gente começou a fazer uma temporada atrás da outra. O filme a gente fez presencialmente, já estava tudo mais tranquilo, a situação já estava mais controlada. Ai tem todo o protocolo de higienizar o estúdio, de tempo entre um dublador e outro, as vezes nem fazem no mesmo dia, os personagens maiores que ficam mais tempo fazem separado; os personagens mais rápidos também.

Enfim, acho que foram essas as principais mudanças da pandemia, cara, mas depois que “engatou a quinta marcha”, a gente entendeu como funcionava, entendemos o microfone, como é que grava, como é que fica confortável gravando em casa, foi de uma vez. Mas, o começo foi bem desafiador, cara, principalmente falando de um anime desses. Eu lembro que eu ficava: “caraca, nossa, eu sei que não tá o ideal aqui porquê a pandemia acabou de estourar e nós estamos tendo que fazer em home office, mas vamos trabalhar com o que a gente tem e dar o nosso melhor aqui, para dar o melhor resultado.” E ai depois que “engatou a quinta marcha” foi de boa, mas no começo rolou uma preocupação maior.

Mas, acho que a gente entregou um resultado em bacana aê, e o filme ai foi mais tranquilo porque foi presencial a gravação.

Fred: O Lipe praticamente falou tudo, eu comecei a dublar o anime um pouco mais pro meio, meu personagem entrou lá pelo meio da terceira temporada para a quarta temporada e também foi tudo remoto por causa da pandemia. Como ele falou, foi bem desafiador, foi bem difícil fazer porque teve todas as questões de você ter uma readaptação do trabalho e, de você fazer ele de casa, com a internet travando e trava de lá e trava daqui, se adapta o microfone, você mexe com um texto diferente que já não é mais o texto do manual, é no papel ou no tablet, e para fazer as trocas também era complicado, afinal, as vezes tinha um aplicativo que você não sabia mexer para mandar o texto e a gente passou por várias dificuldades em relação à isso nessa pandemia, por causa desse lance de ter que fazer em home studio.

E o Hawks eu comecei a dublar já no meio da pandemia, foi um mega presente do Fábio, ele falou para mim: “cara, você vai fazer um anime aê, é um personagem bem icônico, a galera gosta muito. Você pode brincar à vontade, você pode usar todo o seu timing de comédia e de humor, você pode fazer tudo nele aê, pode brincar bastante”. Ele me deu total liberdade, a gente brincou muito no início, a gente fez muita troca, se divertiu muito. Tentei trazer o máximo dele, porque ele é um personagem sério, mas ele solta as piadinhas dele nos momentos dele, mas ainda é aquele cara que conta a piada e fica rindo, isso tudo na seriedade dele.

Mas ai fluiu tudo, fiz as temporadas e veio o filme, que foi presencial como o Lipe falou, com todos os protocolos de segurança seguidos ao extremo, ‘intervalões’ entre um dublador e outro, luz ultravioleta, higienização e várias outras coisas, e eu fui fazer presencial.

Mas também quando eu cheguei, me falaram assim: “a gente vai te contar quando você chegar aqui o quê que é, é um filme que vai estrear nos cinemas, eu só posso contar aqui.” Então, eu falei assim “eu vou?” e ele “é um personagem que você já faz com a gente” e eu já pensei comigo “deve ser!”

Quando eu fui gravar, eu fiquei doido, o Hawks para mim foi um presentaço. É um personagem que eu me divirto muito, o Lipe sofre na minha mão… (risos)

Lipe: É.

Fred: … e eu sofro nos dedos dele. (risos)

Lipe: Isso que o Fred falou, para mim, é muito interessante, primeiro que, particularmente, o personagem dele você vê que ele troca bastante o texto para fazer uma adaptação legal. Mas, além disso, todos os outros dubladores tiveram que trocar muito o texto. Isso era realmente complicado, para a gente entender como é que trocava o texto com agilidade, mexia num negócio de trocar o texto e tal. Por que, quando você vai dublar anime cara, é incrível, ou a fala fica extremamente curta ou extremamente gigante, aê você tem que tirar coisa por coisa. Então, anime é um produto que a gente acaba mexendo muito mais no texto e ele, particularmente, o dobro porque tem a adaptação que ele acabou de comentar.

ANMTV (Caio): Mas, o esforço de vocês vale muito a pena, eu lembro que a estreia do Hawks, em especial, foi extremamente comentanda no Twitter e, além da postagem de pequenos trechos, com a dublagem realmente dando um gás enorme para o personagem aqui.

Fred: De cara, a galera meio que estranhou um pouquinho e depois foram se adaptando e foram gostando, porque ele veio um pouquinho diferente do que o José Leonardo (dublador do Hawks no segundo filme de My Hero Academia) fazia, eu dei uma pitada um pouco a mais de zueira, eu coloquei ele um pouco carioca, com umas gírias assim, algumas brincadeirinhas, para não perder tanto também. (risos)

Coloquei apelidos em outros personagens, por exemplo, o Deku, eu chamo ele de dedinho que explode, “fala ai, dedinho que explode!”, muito ele fazer isso. (risos)

O Fábio foi muito generoso por me deixar fazer as trocas todas. Tem um personagem com uma gola assim…

Lipe: Best Jeanist, eu acho, quem tem uma gola gigante é ele.

Fred: …parece uma calça, eu chegava pra ele e falava: “E ai, gola role, tranquilo?”. É muito divertido fazer ele. (risos)

ANMTV (Diego): Aproveitando o gancho, Fred, você comentou que chegou agora no anime e que seu personagem entra no final da quarta temporada e se torna um regular na quinta. Eu queria saber se você já acompanhava o anime antes do seu personagem entrar. Você já assistiu os episódios? Já está familiarizado com a história?

Fred: Não, mas eu conheci um pouco por causa que eu também dirijo e os canais que eu gravo, das lives que eu faço também. Então, eu já estava há muito tempo para assistir, mas quando o Fábio falou para mim: “você vai fazer o My Hero Academy” (sic), aí eu comecei a assistir, comecei a pesquisar, porque eu sempre pesquiso sobre tudo que vou fazer quando eu fico sabendo antes. Hawks ainda não tinha aparecido no anime, mas já tinha aparecido em outros filmes e algumas outras produções, mas eu comecei a assistir e fui direto e comecei a gostar, aí toda vez que eu ia dormir, eu assistia dois ou três episódios e tal, e estou assistindo até hoje. É muito bom, me prende muito assim, o roteiro é bem legal, a história é legal, a fotografia é ótima, me prende muito.

ANMTV (Caio): Uma coisa que a gente tem que falar é que novamente um filme de anime está vindo diretamente para os cinemas, algo que pouco acontece. Lembro que algumas das poucas vezes foram com Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses e Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário, porém, de um tempo pra cá, principalmente a partir de 2010, muito mais filmes que são de fora do grande público passaram a chegar antes mesmo do que sua série. Eu queria saber qual é a impressão de vocês vendo esse filme vindo para cá, direto para os cinemas. Vocês ainda sentem aquele friozinho na barriga? Por se tratar do terceiro filme, dá aquela mesma sensação de antes ou ainda é algo novo?

Lipe: Ah, eu acho muito legal isso assim, porque o My Hero é aquele anime que a gente fala que “furou a bolha”, por exemplo, tem vários animes, se você fala para seus amigos que assiste animes, eles vão conhecer com certeza, agora tem muito mais animes como My Hero, que é icônico, se você fala até para alguém que não assiste anime ou só assistiu três animes na vida, talvez ele conheça. Então, eu fico muito feliz, assim, realmente é muito difícil um filme de anime assim ir para o cinema direto, como você falou, geralmente são esses que furam a bolha, assim como My Hero fez. Eu fico muito feliz com isso cara, porque o primeiro passo para atrair outras pessoas e novos públicos é esse de furar a bolha, então, eu acho que isso vai permitir com que venham mais pessoas para assistir o filme.

Com isso, a pessoa gosta e começa assistir outros animes, outras coisas. Tá no shopping e vai com o amigo ou “aê, vamos no shopping”, ai não sabia se ia ver um filme e, do nada, “olha, tem esse filme aqui, da hora, nem sei o que é, mas vamos assistir” e gosta. Isso, eu estou falando de novos fãs, quem já conhece vai assistir com certeza.

Então, eu fico muito feliz cara, eu tenho 9 quase 10 anos de dublagem e não peguei esse ‘boom’ de animes, alguns dubladores comentam que saíam de um estúdio e iam para outro, dublavam um anime aqui e um anime ali, e teve um ‘boom’ de animes que eles falavam para mim, mas eles falaram que caiu, e agora eu estou vendo esse ‘boom’ voltar e é muito legal. Agora eu estou vendo, é muito legal ver essas coisas como filme e esses animes que são mais conhecidos, que são geralmente dublados primeiro e eles abrem a porta para os animes menos conhecidos serem dublados e também ficarem mais conhecidos.

Essa é a impressão: felicidade, que isso quer dizer que o mercado está crescendo e isso é bom para todo mundo, tanto para o público, tanto para a gente que trabalha com isso, tanto para os estúdios, então, eu fico muito feliz cara, porque só tem coisa positiva para todos os lados. A gente conseguiu esse espaço de mostrar o filme, o filme vai estar lá em cartaz, então as pessoas que não conheciam vão poder ver. Então, eu acho que mostra, para mim, assim, um crescimento que eu espero que continue, que eu espero que continue real. A gente tem o exemplo de outros animes que também tem feito bastante sucesso, esses que furaram a bolha também, e eu espero que continue assim, cara, porque como eu falei isso é só positivo para todo mundo. Eu não tenho nada contra, zero, tudo a favor, porque é muito legal cara, muito legal mesmo.

Então, a minha impressão é essa, que a gente tá conseguindo trazer de novo essa coisa dos animes, principalmente para quem não conhece muito, e que eu espero que tenha esse ‘boom’ de novo. Eu quero sair de um estúdio para dublar anime e ir para outro estúdio dublar mais anime.

E eu sinto que eu tenho dublado e visto mais colegas de dublagem dublando animes com mais frequência. Então, muito legal isso, show isso, vamos embora, vamo pra cima dublar um monte de anime aê!

Fred: Uma coisa que é interessante, quando o filme vai para o cinema, né? A população já vê como:: “caraca, tem alguma coisa especial ai”, para ir para cinema, afinal, cinema é um ponto forte. Se foi para o cinema é porque a produção é boa, teve investimento, teve roteiro, teve aprovação, teve a galera que trabalhou para isso acontecer.

Então, foi como foi falado, o My Hero chegou ai para quebrar esse tabu, afinal, muito filme normal passa, mas anime é muito difícil, você vê o My Hero nos cinemas, você já vê que não é uma coisa muito natural, nem normal, e por si só se torna especial por causa disso.

Então, para gente quando dubla, ainda mais quando falaram que era cinema, eu até falei “não acredito”. Então, é isso, essa quebra da quarta parede. Eu já tô na ansiedade para assistir ao filme.

ANMTV (Caio): Você não é o único, eu também.

Lipe: Vê a galera de cosplay.

ANMTV (Caio): Nossa, isso é incrível.

Fred: Cara, eu já pedi para fazer cosplay de Hawks, você acha que eu não vou? (risos)

ANMTV (Diego): Eu concordo com você, Lipe, eu espero que esse ‘boom’ de animes retorne, já que muita gente começou a acompanhar My Hero Academia e até Demon Slayer depois que começaram a aparecer nos cinemas. Eu queria perguntar, já que vocês são famosos por dublar diversos filmes; o Fred já dublou o Donatelo das Tartarugas Ninja e o Lipe já dublou os dois primeiros filmes. Eu gostaria de saber qual foi a experiência de vocês dublando este filme em específico? Vocês sentiram alguma diferença para o outro? Foi uma experiência agradável? Foi a mesma coisa? Como se sentiram dublando?

Fred: Eu falo que tem várias belezas no meu coração, as pessoas perguntam “o que é mais importante para você na dublagem?” E eu vejo cada coisa de uma forma diferente, um amor diferente, como você falou, o Donatelo e, agora o Ned do Homem-Aranha nos cinemas. E dublar ele (o Hawks), para mim, é muito especial porque eu acho extremamente difícil. Anime é um mercado que, o Lipe sabe, que ele quase nunca acontecia no Rio de Janeiro, era mais em São Paulo, e quando eu comecei a dublar o My Hero e quando ele foi para o cinema, para mim, foi assim:: “nossa, é o MEU primeiro anime que eu tô fazendo e que tá indo para o cinema”. Então, para mim, está sendo especial porque tá sendo essa minha primeira vez com um anime indo para as telonas e, é por isso, que eu vou ter o maior carinho ao assistir e realmente entrou para a minha história de vida.

Então, foi muito emocionante para mim dublar esse filme para o cinema e, por ser anime, e ser mega diferente de tudo que eu tenha feito nesses 15 anos de dublagem que eu tenho, e ter esse presente como o My Hero Academia no cinema e de ter dublado o Hawks nele.

Lipe: Bom, comigo é parecido também, estou muito feliz com essa volta dos filmes de anime para o cinema e tudo mais e, cara, foi bem especial também porque eu já tinha acabado de dublar a minha parte da última temporada que tinha sido lançada e ficou meio “ué, nossa, e agora? E a próxima será que vai demorar para vir?”. E aê meio que o filme tirou minha abstinência de dublar o Izuku, ao menos um pouquinho, pelo menos. Agora já tô na abstinência de novo.

Eu fiquei muito feliz, eu sou muito curioso, então eu ficava perguntando as coisas e o Fábio ia falando enquanto a gente fazia e eu ia observando a relação dele com outro personagem, que tem uma individualidade muito interessante e, enfim, foi bem especial nesse sentido cara, porque a gente tinha acabado de concluir a temporada e foi meio que tipo “oh, ainda tem essa história paralela, hein?”. Meio que toda a experiência, todo o acumulo que a gente tinha conseguido dublando as últimas temporadas, pegou e falou assim “tudo que vocês fizeram até agora, já estão bem aquecidos, mande esse filme aê para vocês agora, manda ver”.

E eu gosto muito porque o filme sempre tem esses intervalos curtos, os episódios tem isso também, mas o filme acontece mais rapidamente porque eles tem que contar a história naquele tempo, cenas épicas e tals. Então, para mim, eu diria que foi um presente assim, menos no sentido que o Fred falou, mas um presente no sentido “a próxima temporada vai demorar um pouco e é a conclusão do que foi feito há bastante tempo nas outras temporadas”.

Agora eu quero ver vocês, já deu tempo de gritar um monte de golpe e ver como é o golpe, ver como é a cena, ver como é a relação com o personagem, agora manda ver nesse filme aê para o grande público, vocês vão usar tudo que vocês treinaram e dublaram ai esse filme vai ficar muito bom para atrair o público que conhece e o público que não conhece. Então, o grande presente para mim, é meio que uma prova de que você já sabe dublar o Izuku mesmo, faz o teste aê e eu acho que a gente tirou a nota alta, eles iam dar um 10 para gente. (risos)

ANMTV (Caio): Eu gosto muito de ver isso nos dubladores, de dar sua voz ao personagem e vocês também dão um pouco de sua alma para esse trabalho, é muito interessante ver como vocês transmitem isso para os seus personagens. Sendo um dos grandes ou o grande tema do My Hero Academia que é o heroísmo, queria perguntar para vocês, o que é heroísmo para vocês? O que é ser um herói para vocês?

Lipe: Eu acho que o My Hero Academia tem muito disso, quanto ao heroísmo do dia a dia, no sentido de que para mim, fora do My Hero Academia, é isso que as pessoas saem todos os dias da casa delas para batalhar o que elas querem e pelos sonhos delas, para trazer sustento para a família delas. Todos tem suas próprias lutas sejam internas ou externas e o cara não precisa tipo, nossa, escrever um livro sobre ele, nossa, ele é um grande popstar, super famosão com 200 milhões de seguidores, não. Para mim, o herói, o heroísmo mesmo, essa pessoa que ela luta pelo sonho dela na batalha sem desistir, mas dando um descanso porque todo mundo precisa descansar, mas sem desistir porque além disso, uma das motivações dela também é ajudar os outros, as pessoas que importam e as coisas que importam para ela, mas é mais ou menos isso, o Fred vai poder falar bem melhor sobre isso, o cara acabou de ter uma filhinha aê e deve entender mil vezes melhor do que eu, já joga essa pra ele, Caio.

Tenho certeza de que pode dar um exemplo para gente encaixar, pra ele tudo que ele faz agora deve ser muito mais cativante “Nossa, um dia ela vai me ver dublando! Nossa, um dia ela vê eu nesse vídeo! Nossa, eu quero mostrar pra ela, ela assistindo com os amiguinhos”, só pra dar um exemplo.

Eu digo que a minha guerreira, falo que é a minha mãe, quando comecei a dublar eu era muito criança e foi ela que correu atrás das coisas e eu fazia o trabalho, depois eu que fui tomando conta das minhas próprias coisas, é basicamente isso, heroísmo pra mim é isso, a pessoa que luta pelo seu sonho e está todo dia na batalha e dos milhares que estão por aí, as pessoas comuns do dia a dia.

Fred: Eu nunca saí para combater o crime. (risos)

Mas, eu assino embaixo sobre tudo o que o Lipe falou, o heroísmo vem do lúdico para a vida real, a gente aprende muito com os animes, com os super heróis do nosso universo cinematográfico, então a gente usa essa referência que a maioria deles tem a vida normal, o jeito humanos deles de sobreviver, tendo uma capa ou não, usando uniforme ou não usando uniforme. E como nós vivemos na realidade, a gente tira de muito desses heróis exemplos de vida, de como amar o próximo, como ajudar o próximo, independente de qual seja a situação que você esteja.

Eu acho que a palavra heroísmo tem que vir vinculada a generosidade e ao amor ao próximo. Eu acho que você ser herói é você sempre respeitar o próximo, sempre estar perto dele se ele precisar, independente de qualquer coisa, de religião, cor, qualquer coisa, você respeitar o próximo. Você sendo um herói dessa forma só vai conseguir construir outros heróis.

E como o Lipe falou, eu tenho uma filha agora também, assim como a gente tem exemplos na nossa família, sempre os nossos mais velhos, nossos pais e nossas mães, porque são eles que sempre socorreram a gente na nossa vida real, né? Ele (meu pai) nunca pulou de um prédio para me salvar. (risos)

Mas, ele sempre cuidou de mim, minha mãe sempre cuidou de mim e a gente leva isso para a vida da gente. Então, é isso, ser heróis é sempre amar o próximo, estar junto das pessoas, procurar sempre plantar coisas boas para colher coisas boas.

Lipe: Mano, essa é muito boa “nunca pularam de um prédio para me salvar, mas quando eu preciso deles, do jeitinho deles, eles tentam”. (risos)

ANMTV (Diego): Ainda falando de heróis, como estamos cheios de franquias como Marvel e DC, My Hero Academia não deixa de ser uma franquia também. Então, após gravar o primeiro, segundo e o terceiro filme, vocês estão ansiosos para uma possível sequência?

Fred: A gente sempre pensa, né cara? Se o três foi assim e o quatro, como vai ser? (risos)

Lipe: Se for para o cinema que nem esse, a gente tá sempre aceitando, né cara? E eu gosto muito de filmes que tem ligação com o que tá acontecendo e esse terceiro filme tem uma ligação bacana com o que rola no anime, em questão ideológica do que está rolando na série. Então, eu não gosto muito quando o filme… Ele não tem nada a ver com o anime, eu realmente gosto quando ele agrega algo, mesmo que não super vá continuar a história da série, mas quando trás algo e esse terceiro filme agrega bem legal. Então, minha ansiedade se tiver um quarto filme, é para agregar legal mesmo, sabe? Uns easter eggs, umas coisas assim enriquece mais ainda a história e esse terceiro filme faz isso com o que tá rolando no My Hero Academia no momento atual. Então, minha ansiedade é essa, igual como o Fred falou.

Fred: Quando os roteiristas se empolgam e fazem uma coisa maneira, você já fica “isso aê, vai ter outro!”; “olha lá! Vai ter outro!”; a gente já fica nesse desespero. Então, para gente, é sempre bom nunca acabar, porque a gente vai ter muito trabalho, ainda mais com algo que a gente gosta, e vai sempre ter contato com uma produção que tem um carinho e uma paixão. Quanto mais os caras fizerem mais filmes e mais séries de My Hero Academia mais a gente vai se divertir fazendo e pode ser para a vida inteira isso.

ANMTV: Então, muito obrigado novamente, em nome de toda equipe de nosso site, por termos tido esse bate-papo maravilhoso.

Lipe Volpato e Fred Mascarenhas também deram uma “palinha” de seus personagens! O vídeo está disponível em nossas redes sociais. My Hero Academia: Missão Mundial de Heróis estreia em 6 de janeiro nos cinemas brasileiros – confira nossa resenha do filme clicando aqui.

2 respostas para “ANMTV Entrevista: Lipe Volpato e Fred Mascarenhas – os dubladores de My Hero Academia”

  1. Eryk Oliveira disse:

    Onde eu compro o ingresso? Porque eu vou assistir esse filme!

    Que entrevista, cara! É muito bom e curioso saber dessas coisas por trás da dublagem!

    A pandemia é a única preocupação que eu tenho, por isso sempre me dar um “friozinho” de medo quando os dubladores falam que Dublaram presencialmente (não consigo evitar).

    Mas me tranquiliza MUITO saber que teve todo um cuidado dentro do estúdio. Bom demais saber!

  2. Alan Cano Munhoz disse:

    é pelo visto a versao shippuden que esperamos nao vai rolar e teremos o My Hero World …. por essa frase ai falando que o que rolou no filme se reflete la no futuro e tals

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