Análise – Realm Of Ink: um roguelite que você precisa jogar

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Desde o impacto causado por títulos como Hades, Vampire Survivors, e Grand Theft Auto III , alguns jogos passaram a redefinir os gêneros aos quais pertencem. Embora os roguelites já fossem populares, Hades e sua sequência ajudaram a consolidar uma nova abordagem, com maior ênfase na narrativa, visual artístico marcante e combates rápidos e estilizados.

É impossível não perceber essa influência em Realm Of Ink. O jogo adota uma perspectiva diferenciada, trazendo uma direção de arte inspirada na pintura tradicional chinesa e aposta em confrontos velozes que acontecem em salas geradas processualmente. Como é comum no gênero, ao concluir cada área o jogador precisa escolher qual caminho seguir, equilibrando riscos maiores e recompensas mais valiosas.

Leap Studio / 4Divinity / Divulgação

As melhorias obtidas durante a jornada de Realm Of Ink aparecem em diferentes formatos. Algumas oferecem bônus temporários que duram apenas algumas salas, enquanto outras permanecem ativas durante toda a tentativa. Como os atributos podem ser acumulados, escolhas bem planejadas permitem alcançar números de danos impressionantes. Contudo, focar excessivamente em um aspecto pode resultar em personagens extremamente poderosos, porém frágeis, ou em combatentes muito resistentes, mas com capacidade ofensiva reduzida.

As recompensas recebidas após cada batalha são complementadas por áreas seguras de comércio espalhadas pelo mapa. Nesses locais, é possível adquirir itens de cura e aprimoramentos para as chamadas relíquias de tinta. O jogador pode equipar duas delas de forma simultânea, conquistando habilidades especiais e benefícios relacionados a ataque, defesa, efeitos de status e melhorias para o parceiro Momo.

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Longe de ser apenas um mascote de enfeite, Momo tem papel fundamental nos confrontos. Sua aparência muda de acordo com as relíquias utilizadas e ele conta com habilidades próprias, melhorias exclusivas e poderes especiais independentes daqueles do personagem principal. O resultado é um sistema de combate dinâmico, cuja estratégia varia constantemente conforme a combinação escolhida.

Quando você é derrotado, sua alma é capturada por uma raposa celestial e levada de volta à Spirit Fox Inn. Nesse local é possível investir em melhorias permanentes, treinar técnicas de combate e selecionar novos personagens para a próxima vez. Novas guerreiras são desbloqueadas conforme a evolução, e cada uma apresenta um estilo próprio de luta. A protagonista inicial, Red, é acompanhada posteriormente por Violetta, especializada em chakrams giratórios, além de A’kuan, que usa um longo bastão, entre outras guerreiras.

Cada personagem possui ritmo e características exclusivas, incentivando a testar cada um. A preferência pode mudar à medida que novas relíquias e combinações são descobertas. Durante os testes, por exemplo, A’kuan mostrou ótimo desempenho ao combinar ataques pesados contínuos com uma construção focada em acertos críticos, tornando-se particularmente eficiente contra chefes.

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Embora as primeiras horas de Realm Of Ink apresentem um desafio relativamente acessível, níveis de dificuldade mais elevados são liberados com o avanço da campanha. Além de aumentar a exigência dos lutadores, essas modalidades oferecem recompensas melhores e mais unidades de Fox Blood, recurso utilizado para desbloquear melhorias permanentes na hospedaria.

A grande variedade de artefatos disponíveis faz com que cada tentativa pareça diferente da anterior. Além de bônus estatísticos, muitos desses itens adicionam efeitos cumulativos que interagem entre si, criando combinações cada vez mais poderosas ao longo do avanço da campanha.

Assim como Hades, Realm Of Ink também busca destacar sua narrativa e seus personagens. No entanto, esse é justamente o aspecto em que o jogo pecou e encontrou dificuldades. A trama acompanha Red, presa dentro das páginas de um livro mágico e determinada a derrotar todos os chefes, incluindo a própria raposa, para conquistar sua liberdade. Apesar da presença de criaturas e figuras belíssimas, poucos personagens conseguem deixar uma impressão duradoura, e a estética inspirada em anime não apresenta elementos suficientemente interessantes para diferenciar cada um.

A parte positiva é que a história não é o foco principal do titulo. Mesmo após alcançar o objetivo inicial, ainda existe muitas coisas a serem exploradas. O destaque permanece nas batalhas cada vez mais intensas, impulsionadas pela combinação de bônus temporários e permanentes. Conforme evoluímos, as protagonistas passam a obter ataques capazes de preencher a tela inteira, enquanto os números de dano crescem de forma gigantesca.

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Dominar os diversos sistemas exige algumas partidas, mas, uma vez que você aprende, os processos de evolução se tornam mais estratégicos. A possibilidade de alterar opções de aprimoramento oferece maior controle sobre a construção do personagem. Em determinados momentos, o jogo também propõe trocas perigosas, como sacrificar parte da energia ou reduzir permanentemente a vida máxima da tentativa atual em troca de relíquias lendárias.

Esses sacrifícios costumam render recompensas de alto valor. Entre os benefícios estão lâminas giratórias que cercam o personagem, aumentos massivos de dano e melhorias significativas tanto para a guerreira quanto para seu companheiro.

Os chefes entregam recompensas mais caras, apesar de alguns utilizarem o recurso de retornar imediatamente após serem derrotados, recuperando toda a energia e apresentando novos padrões de ataque. Ainda assim, a dificuldade relativamente suave das primeiras horas faz com que os combates permaneçam fluidos e satisfatórios.

Mesmo sem uma história particularmente envolvente, Realm Of Ink se destaca pela intensidade de sua ação. A constante descoberta de novas relíquias e artefatos garante personalidade própria a cada tentativa, enquanto o sistema envolvendo Momo e suas habilidades especiais adiciona uma camada extra de estratégia. O resultado é um roguelite que pode viciar, repleto de possibilidades de personalização e confrontos que permanecem interessantes por muitas horas.

Realm Of Ink é um roguelite propositalmente inspirado em Hades, compartilhando a perspectiva isométrica, o combate rápido e uma direção artística baseada em pinceladas da pintura chinesa. Embora a história e os personagens não sejam destacáveis, a variedade de construções, a precisão dos controles e a diversidade de inimigos e chefes fazem com que o jogo chame muita atenção.

Nota: 6.5 / 10

Realm of Ink está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e para PC (Steam e Epic Games).

*Agradecimentos a 4Divinity pelo envio do material. Análise feita na versão de PlayStation 5.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*