Análise: Orbitals – Uma divertida aventura cooperativa com estética retrô

Como um grande fã de jogos cooperativos como It Takes Two, Split Fiction e A Way Out, eu fiquei muito animado quando Orbitals foi anunciado, e ainda mais quando tive a oportunidade de jogar o título antes de seu lançamento e trazer esta análise para vocês.
Desenvolvido pela Shapefarm e publicado pela Kepler Interactive, Orbitals é uma nova aventura cooperativa que aposta em uma estética fortemente inspirada nos animes das décadas de 1980 e 1990. Desde suas primeiras apresentações, o jogo chamou bastante atenção justamente por combinar essa identidade visual retrô com uma experiência criada para ser jogada em dupla.
E depois de jogar a campanha, posso dizer que a proposta funciona muito bem.
Antes de mais nada, vale ressaltar que Orbitals pode ser jogado tanto localmente quanto online. Para quem pretende jogar pela internet, o jogo conta ainda com um Passe de Amigo gratuito, permitindo que você convide um amigo para participar da aventura sem que ele precise comprar uma cópia do jogo.
Uma aventura pelo espaço
Orbitals nos coloca em uma aventura intergaláctica ambientada em um universo com forte inspiração no anime retrô. Assumimos o controle de Maki e Omura, dois exploradores que possuem determinação de sobra, mas ainda pouca experiência. A dupla precisa enfrentar os perigos do espaço enquanto tenta ajudar sua estação espacial, que foi destruída e acabou presa em uma misteriosa tormenta cósmica e sobrenatural.
É a partir daí que começa uma jornada desesperada para salvar o lar dos dois.
Embora a narrativa tenha como principal objetivo conduzir o jogador por diferentes áreas e situações, um dos pontos que mais gostei foi justamente a relação entre os protagonistas. Maki e Omura possuem uma conexão que vem desde a infância, e isso é trabalhado durante os episódios por meio das constantes interações entre os dois.

Essa relação ajuda a dar mais subjetividade e identidade aos personagens. Maki é mais animada, agitada e impulsiva, enquanto Omura é mais calmo e centrado. O contraste entre os dois funciona muito bem e acaba tornando as interações da dupla bastante interessantes ao longo da aventura.
Um espetáculo visual inspirado nos animes clássicos
Se existe uma característica que chama atenção logo nos primeiros minutos de Orbitals, é sua direção de arte. O jogo apresenta diversos ambientes diferentes que aproveitam muito bem sua temática espacial. Temos áreas congeladas, regiões tomadas por lava, estruturas tecnológicas, ambientes espaciais e diversos outros cenários que conseguem manter a aventura visualmente interessante durante toda a campanha.

A estética de anime dos anos 80 e 90 é outro grande destaque.
Durante a experiência, é difícil não pensar em obras como Ranma ½ e Cowboy Bebop. Orbitals possui uma identidade artística muito própria e, na minha opinião, a equipe acertou bastante ao escolher esse caminho. Praticamente cada novo cenário apresenta algum visual interessante. Isso não se limita aos protagonistas: personagens secundários, NPCs, criaturas e, principalmente, as localidades receberam bastante atenção.
O cuidado também aparece no design dos personagens, que contou com a colaboração do Studio Massket. É um detalhe que demonstra o nível de atenção que a equipe de desenvolvimento teve para construir a identidade visual do jogo.

É um daqueles títulos em que, durante a gameplay, muitas vezes você acaba parando por alguns segundos simplesmente para observar o cenário.
É na gameplay que tudo brilha ainda mais
Mas vamos ao ponto em que Orbitals mais se destaca: a gameplay cooperativa. Joguei toda a experiência acompanhado da minha namorada, lado a lado, e isso tornou a experiência ainda mais divertida. Por estarmos juntos, podíamos conversar constantemente, trocar ideias sobre o que fazer, discutir para onde ir e tentar descobrir juntos a solução para os quebra-cabeças.

Diferentemente de jogos como It Takes Two e Split Fiction, Maki e Omura podem trocar livremente as ferramentas disponíveis durante a aventura. Isso é uma decisão bastante interessante. Caso você esteja tendo dificuldade com determinada ferramenta, ou simplesmente queira experimentar outra possibilidade, basta trocar com seu parceiro.
Ao longo da campanha, são apresentadas diversas ferramentas, como o Gancho Cata-Sucata, o Lança Líquido e outras, cada uma com características próprias que são utilizadas tanto para explorar os ambientes quanto para solucionar os quebra-cabeças.
E os puzzles são, em geral, muito divertidos e possuem um nível de desafio bastante equilibrado. Em diversos momentos, é necessário observar cuidadosamente o cenário para encontrar a resposta. Houve situações em que eu percebi a solução primeiro, enquanto em outras minha namorada encontrou o caminho antes de mim.
Isso acontece porque, em determinados momentos, os dois jogadores estão posicionados em lugares diferentes e possuem perspectivas distintas do cenário. Cada um acaba enxergando uma parte diferente do problema.
E o jogo aproveita isso muito bem.

Mesmo com a possibilidade de trocar ferramentas, Orbitals constantemente cria situações em que os dois jogadores precisam trabalhar juntos para avançar. Em praticamente todos os episódios senti essa necessidade de cooperação.
Os chefes poderiam ser mais numerosos
Apesar de toda a qualidade da gameplay, existe um ponto que senti bastante falta durante a campanha: mais batalhas contra chefes. Orbitals apresenta poucos chefes e, em determinados momentos, a própria narrativa parece indicar que teremos uma grande batalha, mas ela simplesmente não acontece.

Isso em deixou um pouco desapontado porque as poucas batalhas contra chefes presentes no jogo, apesar de poucas, são excelentes. Essas poucas lutas conseguem aproveitar muito bem a cooperação entre os jogadores. Por isso, justamente por serem tão divertidas, fica aquela sensação de que poderiam existir muito mais confrontos desse tipo durante a aventura.
A nave e os momentos em gravidade zero
Outro elemento bastante divertido são as sequências envolvendo a nave espacial. Durante esses momentos, os jogadores podem escolher diferentes funções, como ficar responsável pela artilharia ou assumir o papel de piloto. As duas possibilidades são satisfatórias e conseguem proporcionar uma boa mudança de ritmo em relação à exploração tradicional.

Também existem momentos em gravidade zero, seja no espaço aberto ou em ambientes mais confinados.
Nessas situações, os personagens utilizam seus trajes de astronauta para realizar impulsos e alcançar determinados locais ou retornar até a nave. São sequências que funcionam muito bem e ajudam a variar a experiência durante a campanha.
Minigames e conteúdos extras
Além da campanha principal, Orbitals também possui diversos minigames que podem ser encontrados e desbloqueados durante a aventura. Minha recomendação é ficar sempre de olho nos cenários, porque alguns desses conteúdos podem passar despercebidos pra serem desbloqueados.

Depois de desbloqueados, os minigames ficam disponíveis na nave e podem ser jogados com seu parceiro. Um dos que mais gostei foi a batalha espacial, na qual cada jogador controla uma nave e precisa destruir o máximo de vezes possível a nave do adversário dentro de um determinado limite de tempo.
São pequenos extras que funcionam muito bem para quem quer continuar se divertindo com o parceiro depois de avançar na campanha.
Localização e dublagem
A localização de Orbitals também merece elogios, além da dublagem em português brasileiro, cujos trabalhos ficaram muito bom.
Durante meus testes, joguei praticamente toda a campanha com a dublagem japonesa, principalmente porque achei que ela combinava perfeitamente com a temática de anime dos anos 80 e 90. Também testei a versão em português brasileiro e fiquei bastante satisfeito com o resultado.

Inclusive, para quem possui dificuldade em acompanhar legendas enquanto joga, recomendo fortemente utilizar a dublagem PT-BR.
Como Orbitals exige bastante atenção aos cenários para solucionar os quebra-cabeças, além de momentos em que você precisa reagir rapidamente para não morrer, acompanhar diálogos e ler legendas simultaneamente pode acabar prejudicando um pouco a experiência.
Uma trilha sonora que combina perfeitamente com a proposta
A trilha sonora também é outro ponto positivo. As músicas conseguem transmitir muito bem essa atmosfera de anime das décadas de 1980 e 1990 e combinam com os diferentes momentos da aventura. A trilha conta com vocais de Mami Ayukawa, o que ajuda ainda mais a reforçar a identidade que o jogo busca construir.
É uma trilha sonora bonita, envolvente e que consegue acompanhar muito bem a aventura espacial.
Desempenho no Switch 2
Durante meus testes, joguei Orbitals no modo portátil do Nintendo Switch 2 e na TV. A experiência foi boa e não encontrei problemas técnicos durante toda a campanha. Não tive travamentos, bugs relevantes ou qualquer outro problema que prejudicasse minha experiência.
Apesar disso, particularmente recomendo jogar em uma TV. Como o jogo utiliza tela dividida durante boa parte da experiência cooperativa, a tela menor do modo portátil pode acabar reduzindo um pouco a imersão e dificultando a visualização de determinados elementos.
Conclusão
Orbitals é uma excelente opção para quem, assim como eu, gosta de experiências cooperativas que realmente exigem a participação dos dois jogadores.
A relação entre Maki e Omura funciona muito bem, a direção de arte inspirada nos animes clássicos é um dos grandes destaques e a variedade de cenários mantém a aventura visualmente interessante.
Mas é na gameplay que o jogo realmente conquista. A necessidade constante de observar o cenário, trocar informações com seu parceiro, utilizar as ferramentas corretas e encontrar soluções em conjunto faz com que a cooperação seja realmente importante. Não é apenas um jogo em que duas pessoas estão jogando simultaneamente: é uma experiência construída ao redor da colaboração entre os dois jogadores.
A quantidade reduzida de chefes é uma das poucas coisas que considero um ponto negativo, principalmente porque as batalhas que existem são muito boas e deixam aquela sensação de que poderiam ter sido aproveitadas ainda mais.
Ainda assim, isso não tira o brilho do conjunto. Com uma direção de arte belíssima, ótima gameplay cooperativa, personagens carismáticos, boa localização em português brasileiro, uma trilha sonora que combina perfeitamente com a proposta e uma experiência técnica bastante sólida no Nintendo Switch 2, Orbitals se mostrou uma agradável surpresa.
Nota: 9,5/10
Agradecimentos a Shapefarm e a Kepler Interactive pelo envio do material. Análise feita na versão de Nintendo Switch 2.
Orbitals é exclusivo de Nintendo Switch 2.
*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*
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