Análise | My Dress-Up Darling | Seja quem você quiser ser!

Reprodução.

De um anime que ninguém dava muita coisa ao ser anunciado à uma das produções mais queridinhas desse primeiro trimestre de 2022, My Dress-Up Darling (Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru) se mostrou como uma série bastante empolgante de acompanhar e competente em cativar o público com sua história sobre cosplayers, bonecas japonesas e um casal super carismático. Mas como ele conseguiu tamanha admiração de seus espectadores com uma temática tão simples? É o que será refletido nesta análise a seguir.

Square Enix / CloverWorks / Divulgação

Crescer em sociedade é um desafio que constantemente exige muita coragem e perseverança de qualquer pessoa que esteja começando a entender como o mundo funciona. A recorrente descoberta ou compreensão de si próprio, bem como os limites, as qualidades, preferências e gostos, são apenas alguns dos pontos em que além de precisarmos conhecer em nós mesmo, necessitam ainda, de uma extrema bravura ao impor perante uma sociedade que eventualmente – para não dizer quase sempre – se mostra hostil e categoricamente contrária ao modo de ser e viver de muitos.

Muito provavelmente, uma boa parte da popularidade de My Dress-Up Darling se dê justamente por mostrar como esse mesmo processo de autoconhecimento pode ser encarado por duas pessoas completamente diferentes uma da outra. De um lado temos Marin (Kitagawa-san), a menina popular da escola que além de ser muito bonita, exala um extremo carisma por onde passa. Em contraponto temos seu colega de classe Wakana (Gojou-kun), o garoto reservado, sem amigos e que passaria despercebido em qualquer lugar.

Square Enix / CloverWorks / Divulgação

Ambos adolescentes, ela liberta de todo e qualquer julgamento alheio, e ele constantemente preso em seus fantasmas e privando-se de experiências sociais construtivas, mas que, em determinado momento da vida, precisam lidar com a opinião dos outros a respeito de seus hobbies. Marin, representado uma realidade bem mais recorrente no Japão, com sua paixão pelo mundo otaku, onde animes, mangás e mesmo cosplays podem ser vistos como algo vergonhoso ou esquisito. E Wakana, com uma problemática mais universal, ao abordar a proximidade entre meninos e bonecas (e posteriormente sua produção), como um objeto que ainda segue sendo visto e replicado erroneamente por muitas pessoas como algo direcionado apenas para meninas.

Square Enix / CloverWorks / Divulgação

E se por um lado temos Marin lidando com seu dilema em uma única cena e tratando de correr atrás de seus sonhos ao longo dos episódios, Wakana, por sua vez, enfrenta por uma boa parte do anime, o medo do julgamento alheio atrelado a um episódio traumático sofrido em sua infância. Um mesmo ponto geral, mas com desenrolares tão únicos que tornam o anime uma verdadeira – e deliciosa – armadilha para aquele que der uma única chance pra assistir.

Mas apesar de contar com uma abertura e encerramento que já mostram a alta qualidade de animação, bem como todo o trabalho de ambientação, backgound e colorização, My Dress-Up Darling aposta bem mais em sua narrativa principal e no desenvolvimento de seus personagens; deixando o aspecto visual, como um mero – porém bem feito – recurso secundário.

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De forma geral, é sempre muito divertido acompanhar a construção da relação que envolve o casal de protagonistas da obra. Sempre regrado a muita comédia, o anime não perde uma oportunidade de tirar sarro com as personalidades opostas dos protagonistas nas mais diversas situações comuns do dia a dia, ainda que em certos momentos, a ênfase em ângulos ou cenas mais sexualizados se torne completamente desnecessários.

My Dress-Up Darling faz jus a seu posto de queridinho da temporada entregando bons contrapontos, time de comédia, trilha sonora e servindo até como uma boa porta de introdução a cultura japonesa com suas bonecas Hina e ao mundo dos cosplays e o trabalho de quem está por trás dele. É comovente, mas sem perder sua leveza, repleto de carisma e completamente eficiente em transmitir ao público seu o recado principal: o de que existe liberdade em você ser quem você quiser ser.

Square Enix / CloverWorks / Divulgação

My Dress-up Darling possui 12 episódios e está disponível no Brasil pela Funimation e Crunchyroll, com dublagem e legendas em português.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*

7 respostas para “Análise | My Dress-Up Darling | Seja quem você quiser ser!”

  1. Squall disse:

    Ignorei no início, só fui assistir porque vi que sairia dublado. Me surpreendeu completamente. Uma história romântica mas sem ser melosa, consegue fazer muito mesmo com tão poucos personagens (basicamente são só os dois o tempo todo), fora que a arte é um show a parte, e aquele final então, nem se fala. Adoraria uma 2ª temporada, mas aquele final foi tão perfeito que também não ligaria se não tiver uma.

  2. Thiago Alencar disse:

    Muito bom o anime.

  3. Lemo disse:

    Não aguento mais ver esse rosto, urgh.

  4. Joao Carlos Loyola disse:

    É um problema assistir anime de romance, fico meio deprê quando termino um, porque por muitas vezes , sei que não terá continuação, mas acredito que neste, devido ao sucesso absurdo, que alavancou até nas vendas do original, obviamente terá uma segunda temporada, e espero que chegue pelo amor de Deus, e não dá, a Marin é sensacional!
    https://tenor.com/view/marin-kitagawa-kitagawa-marin-kitagawa-marin-anime-sono-bisque-doll-wa-koi-wo-suru-sono-bisque-doll-gif-24786797

  5. Haruboy disse:

    Depois de duas reviews enfadonhas de outros sites de anime, temos finalmente uma review digna para esse anime que é excelente.
    A verdade é que animes de comédia romântica estão ultimamente fazendo sucesso e não é de hoje. Faz alguns anos que a gente tem vários sucessos do gênero nos quais posso citar: em 2019 tivemos Kaguya-sama, Fruits Basket, Given, a segunda temporada de Takagi-san, a terceira de Chihayafuru e a segunda de High Score Girl. Em 2020 a segunda temporada de Kaguya-sama, a segunda de Fruits Basket, a terceira de Oregairu, além de Tonikaku Kawaii. E no ano passado ainda tivemos: Horimiya, a segunda temporada de Gotoubun no Hanayome e a última de Fruits Basket. Acho que a pandemia também contribuiu para que surgisse uma demanda para histórias mais positivas que possam elevar a auto-estima do espectador, o que obviamente ajudou os animes de comédia romântica.
    O problema é que existem pessoas na comunidade otaku que não se conformam por Sono Bisque Doll ter feito tamanho sucesso. Isso porque nelas ainda persiste o pensamento ridículo no qual apenas animes shonen de lutinha devem fazer sucesso. Agora, eu espero que o sucesso desse anime e de outros do mesmo gênero que possam também fazer sucesso, faça esses otakus abrirem a mente, ver as coisas sob uma outra perspectiva, e entenderem que o universo dos animes é muito mais do que os shonen de lutinha que eles tanto gostam.

  6. Juarez Joestar disse:

    mano, imagina um anime ruim que utiliza e©chi pra tentar tampar buraco do enredo, isso mesmo, Dress up darling.
    Uma coisa eu estou cansado em anime, peersonagens crianças praticamente sendo ecchilizadas, chega disso poha.

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