Análise | Dolls Frontline | Bonecas na 3ª Guerra Mundial

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O mundo tem se transformado cada vez mais e junto com ele, todo a sua perspectiva social de certo e errado, pregado por gerações anteriores que ainda insistem em impor perante as novas algumas de suas visões radicais. E se você, caro leitor, ainda seja do time “boneca é coisa de menina” ou “anime bom é só os de lutinha e tiro com protagonista masculino”, fique atento, pois o anime da equipe tática de bonecas Griffin chega metendo o pé na porta para acabar com essa filosofia e mostrar que as bonecas do futuro já não são as mesmas que conhecemos, muito menos são só para meninas.

Mas vamos com calma, e caso você esteja mais perdido que pacifista em tiroteio, eis uma pequena sinopse para te situar sobre a trama de Dolls Frontline:

O ano é 2045 e a terceira guerra mundial estoura, fazendo com que várias organizações militares de diversas partes do mundo, confeccionem bonecas táticas (T-dolls) indistinguíveis de seres humanos para adentrar ao campo de batalha no lugar de seus idealizadores. No entanto, após o fim da guerra, as bonecas da maior produtora militar, a Sangvis Ferri, repentinamente se rebelam contra seus criadores e declaram guerra a humanidade. Diante disso, a empresa privada Griffin, é contatada e despacha o time de elite AR para achar a causa da rebelião e pôr um fim nela.

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A série que teve como base o jogo de RPG Girls Frontline – eis aqui a razão de eventualmente a obra apresentar variações em seu título em alguns lugares ou pesquisas – de 2016, aparentemente se mostra como um baita investimento das produtoras Ai Addiction e a filial japonesa da Warner Bros para esse primeiro trimestre de 2022. Parceria essa que, já ciente de que no campo dos animes você deve jogar pra ganhar, tratou de chamar a seu time o estúdio Asahi Production que já possui em seu catálogo produções como Heaven’s Design Team (2021) e Medaka Box Abnormal (2012).

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O resultado disso? Êxitos que partem do primeiro segundo de sua abertura ao último de seu encerramento regrados a boa música e até computação gráfica. É notório que a estética do anime foi uma de suas prioridades, afinal, todo o trabalho de ambientação é muito bem desenvolvido, mostrando um mesmo lugar em diferentes atmosferas, aproveitando múltiplas locações externas sem fazer com que o público se sinta desorientado e mesclando isso a um modesto, porém bem aplicado, uso de CGI em determinadas cenas.

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Ainda permanecendo no campo visual, o design de personagens de Masaki Yamada, se mostra também como um recurso certeiro em nos ajudar a diferenciar protagonistas de antagonistas, apresentar visuais memoráveis, cativantes e que ao mesmo tempo não parecem ser grandes empecilhos na hora de produzir sua animação.

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Música para os meus ouvidos

Como já foi dito anteriormente, animes são obras aonde as empresas interessadas devem investir pesado em sua produção se pretendem lucrar com seu resultado final. E quando um dos maiores conglomerados de mídia do mundo como a Warner Bros entra no páreo, você pode ter certeza que a gigante das produtoras jogará para ganhar. Isso quer dizer, que até o mais sútil apelo para outros públicos poderá e será usado a fim de agregar audiência. Não é à toa que Dolls Frontline é um dos poucos animes com uma abertura completamente em inglês, já que além de apresentar a ótima “Bad Candy”, da cantora YukaDD(;´∀`), como música introdutória, garante ainda, uma proximidade ao público fora do mercado japonês (ou mesmo o próprio) que está bem mais familiarizado com idioma norte americano enquanto língua universal. E se caso houver alguma carência de seu público asiático nesse campo, não há problema. “Horizon”, do grupo Team Shachi, surge em seu tema de encerramento para preencher essa lacuna com excelência.

Erro de Fábrica

Mas apesar da qualidade visual e a boa aplicação da trilha sonora nos momentos de ação, Dolls Frontline possui deficiências que comprometem seu total êxito como anime. Seus ganchos para o tema de abertura são mal preparados e acabam deixando o tema introdutório surgir de forma abrupta e não impactante. Outro ponto problemático que pode ter desagradado a muitos que acompanharam o anime em seu período de exibição, foi seu formato semanal que prejudica o acompanhamento de seu arco principal repleto de informações. Foi visível que compreensão da história se deu bem mais facilmente quando acompanhada de uma vez toda, no formato de maratona.

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Mãe, compra essa boneca pra mim!

Apesar dos intemperes, Dolls Frontline consegue entregar uma ótima primeira impressão em seu episódio de estreia, sustenta sua qualidade ao decorrer de seus episódios por tudo o que já fora dito, ao acertar no formato de um vilão por episódio e apresentando arcos interessantes como os das bonecas AR-15 e M16A1 (sim, elas tem nomes de armas). Bonecas estas que inclusive conseguem se complementar junto as outras protagonistas (M4A1 e M4 SOPMOD II) enquanto time principal, mas com suas próprias personalidades, mesmo com uma natureza mais “fria” de andróides. O diretor Shigeru Ueda, junto de sua equipe, consegue trabalhar planos que valorizam várias das cenas do anime que acontecem em ambientes abertos e fazendo de alguns fremes verdadeiros papeis de parede para admirar por minutos. Por fim, Dolls Frontline é um ótimo destaque para o inicio de ano, com uma narrativa interessante e com bonecas protagonistas que fariam muito marmanjo começar a brincar com elas se pudesse.

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Dolls Frontline possui uma temporada de 12 episódios e está disponível no Brasil pelo serviço de streaming Funimation, com legendas em português.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*

4 respostas para “Análise | Dolls Frontline | Bonecas na 3ª Guerra Mundial”

  1. Rafael Barreto disse:

    Achei meio chato e genérico

  2. Squall disse:

    Realmente a arte do anime, a abertura e o encerramento são incríveis, é um daqueles que não dá vontade de pular, mas quanto a história achei que erraram feio e deixaram um ritmo lento demais. Parecia que não sabiam se davam mais foco nas bonecas (que deveria ter sido o principal) ou na comandante (as partes com os humanos, que deveriam ser a sequencias sobre estratégia, são bem chatas), e isso acabou afetando o desenvolvimento das personagens desses dois núcleos. Pra quem jogou ou leu o mangá o anime deve ter feito algum sentido, mas pra quem não teve contato com nenhum desses dois ele deixou bem a desejar. Esse é mais um daqueles que prova que não adianta ter boa produção artística se você não dá atenção pra história.

  3. Kyle disse:

    Interessante, tem final fechado?

  4. Juarez Joestar disse:

    Depois que eu vi Kantai Collection, quase morri de tédio, tentem ver Azul Lane, outro lixo, me deparei com esse outro anime de coleção de personagens Waifu, percebi que esse foi o estopim de tão chato que esse anime é. Vi uns 6 episódio desse treco, estou tentando engolir até agora, unica coisa que me fez assistir foi a “violência”

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