Análise: Animais Fantásticos – Os Segredos de Dumbledore

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Chegando aos cinemas nesta quinta-feira, o terceiro capítulo da saga Animais Fantásticos não foi o responsável por colocar a franquia em definitivo nos trilhos, mas ao menos, se mostra um entretenimento de qualidade superior em relação a seu antecessor — o que, na verdade, não se mostra uma tarefa tão difícil.

Iniciada em 2016, a série derivada do universo Harry Potter chegou as telonas com bastante entusiasmo e personalidade. Animais Fantásticos e Onde Habitam foi o pontapé inicial para que o parecia ser realmente o começo de uma nova mania. Um episódio com início, meio e fim, que criou-se expectativas em torno da sequência, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald. Só foi uma pena que tudo o que veio a seguir, não acompanhou nem de longe o que o primeiro teve a oferecer.

Warner Bros. / Divulgação

Podemos resumir a trama num resumo básico da Sessão da Tarde: “Newt (Eddie Redmayne), um jovem astuto e seus amigos embarcam numa jornada para despistar Grindelwald (Mads Mikkelsen), um terrível vilão capaz de prever o futuro.” Porém não convence, pois a ideia que essa seria a única alternativa para que no final seja justificável tal tomada de decisão, simplesmente não desce. Dava pra fazer de outra forma, e fazer melhor.

Se caso você tenha assistido apenas ao primeiro, e se um quarto e quinto realmente vierem a ser produzidos, a sensação que não perdeu nada será pertinente, pois é exatamente isso que temos, mesmo que aqui e acolá, tenhamos uma cena que faça alusão ou referência, transcenda uma emoção ou afeição. Tudo tão raso que desviar a atenção não é muito difícil — pelo menos aqui temos um Grindelwald que não permite que isso aconteça, pois quando ele entra em cena, o nível da produção sobe, e muito.

Mas a partir deste ponto você já deve ter entendido que sim, Os Segredos de Dumbledore possuí um roteiro tão frágil quanto se imagina, mas por incrível que pareça, consegue segurar as coisas até o final com certa maestria, mesmo com o pouco que tem a oferecer. Porém claro, se você estiver disposto a desativar o senso crítico, se deixar levar e ignorar alguns pontos que podem parecer absurdos. No bom português: “só vai“.

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Embora traga consigo assuntos pertinentes quanto a política, aceitação e tolerância (o que é bem curioso tendo em vista as recentes declarações de sua autora), assim como o avanço narrativo da história, passa-se de modo bem superficial, apesar dos evidentes esforços em mostra-la maior do que isso, todas as linhas de diálogo carecem de um cuidado e atenção redobrados. Alguns temas são sensíveis e poderosos demais para serem lidados de qualquer forma, de qualquer jeito. E aqui, fica apenas numa tentativa de um jovem adolescente em falar sobre algo complexo, mas que falta bagagem.

Sobre os animais, infelizmente estes estão cada vez mais renegados a meros coadjuvantes, muito embora tenhamos aqui uma das mais belas criaturas do universo Harry Potter, um mérito e tanto da equipe de efeitos visuais, que realmente nos faz acreditar se tratar de um bichano de verdade. Neste ponto, dos efeitos visuais a trilha sonora, tudo está impecável.

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Em relação ao elenco, não existem críticas a se fazer, Jacob Kowalski (Dan Fogler) segue sendo o melhor personagem e Dumbledore (Jude Law) e Grindelwald (Mads Mikkelsen) os legítimos protagonistas desta franquia (a importância de Newt aqui é inexistente, “eu ainda sou o protagonista“).

No geral, Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore passa longe de ser um filme imperdível, mas consegue divertir. Tem seus (poucos) bons momentos. Aquele tipo de produção que você assiste e diz: “é, foi legalzinho“. É indolor, até porque você logo nem vai lembrar. Uma pena, pois poderia ser muito mais.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não remete necessariamente a posição do ANMTV*

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